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Aline Diniz


Aline Diniz

Rick and Morty e a dublagem em tempos de coronavírus

Criador de Rick and Morty, Justin Roiland  - Divulgação
Criador de Rick and Morty, Justin Roiland Imagem: Divulgação
Aline Diniz

Aline Diniz é jornalista de formação, especialista em séries de TV, apresentadora, roteirista e produtora focada em entretenimento e cultura pop. Depois de nove anos no site Omelete, onde foi estagiária, repórter, editora, gerente e muito mais, hoje é apresentadora da TNT e criadora de seu próprio conteúdo em várias plataformas, incluindo aqui no UOL!

Colunista do UOL

07/05/2020 04h00

Há algum tempo, publiquei um vídeo em que falo sobre como podemos ficar bastante tempo sem séries após a pandemia —e o comentário que apareceu em maior número foi sobre como "animações podem tranquilamente ser produzidas com todos ainda em isolamento social".

Quando pensamos em produções animadas, é fácil assumir que cada um pode continuar produzindo da sua própria casa. Realmente, dentre todas as opções, as animações são as que mais possibilitam que o trabalho continue, mas existem inúmeras variáveis que podem alterar essa dinâmica. Uma delas, a atuação —ou, como chamamos aqui, a dublagem.

Essa semana mesmo tivemos uma notícia sobre uma das atrizes de "Rick and Morty" e sua nova rotina de gravação que possivelmente ainda pode durar bastante tempo. Vale apontar antes de qualquer coisa que existe uma grande diferença nos trabalhos de voz feitos para diferentes propósitos: o que chamamos de dublagem configura em um ator dando uma nova voz ao personagem, adaptando a obra não só para a língua local mas também sua cultura; além disso, há também a "voz original" que consiste em um ator gravando as falas de um personagem para que a animação seja então produzida em cima daquele material.

Claro, nada é tão simples assim e mesmo dentro dessas duas opções existem outras variáveis. No caso de "Rick and Morty", a gravação das vozes é feita com várias outras pessoas presentes, incluindo os roteiristas e idealizadores da série. Veja abaixo uma sessão de gravação de Spencer Grammer, a atriz que dá voz a Summer:

No vídeo dá pra ver como a sinergia funciona no processo criativo: tanto Grammer quando os roteiristas dão pitaco o tempo todo, adaptando os diálogos conforme a gravação acontece. Quando falamos de processo criativo, a maioria desses times trabalha em grupo, com ideias aprimorando-se a cada conversa, durante todas as etapas.

Foi exatamente o que disse Grammer, "funciona [...], mas não é tão bom. Algumas falas dão certo, mas eu não vou atuar tão bem quando estou em um armário, segurando meu laptop, olhando para ele com o microfone instalado a 15 centímetros da minha boca". É uma saída para que a produção da série continue? Com certeza. Mas é definitivamente algo que vai mudar completamente a forma como a indústria pensa na produção desse tipo de conteúdo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Aline Diniz