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Aline Diniz


Aline Diniz

Unbreakable Kimmy Schmidt prova que dá pra fazer comédia com qualquer coisa

Elenco de Unbreakable Kimmy Schmidt - Divulgação
Elenco de Unbreakable Kimmy Schmidt Imagem: Divulgação
Aline Diniz

Aline Diniz é jornalista de formação, especialista em séries de TV, apresentadora, roteirista e produtora focada em entretenimento e cultura pop. Depois de nove anos no site Omelete, onde foi estagiária, repórter, editora, gerente e muito mais, hoje é apresentadora da TNT e criadora de seu próprio conteúdo em várias plataformas, incluindo aqui no UOL!

Colunista do UOL

16/04/2020 04h00

"Unbreakable Kimmy Schmidt" tem uma longa história, mas eu prometo que vou resumir. Demorou para que o projeto saísse do papel e virasse de fato uma série —a comédia foi desenvolvida inicialmente em 2013 por Tina Fey e Robert Carlock, respectivamente a criadora/protagonista e o showrunner de "30 Rock", especialmente para Ellie Kemper. Os anos passaram, a emissora que inicialmente encomendou o projeto não queria mais produzi-lo e aí "Kimmy Schmidt" foi vendida para a Netflix. A série estreou oficialmente em 2015 e teve quatro temporadas, chegando ao final em janeiro de 2019 com um episódio fofíssimo.

Apesar de ter sido oficialmente encerrada, em maio do mesmo ano foi anunciado que a Netflix produziria mais um episódio —e esse seria especial, um capítulo interativo, no melhor estilo "Bandersnatch", de "Black Mirror". E finalmente saiu, em 15 de abril de 2020, o primeiro teaser desse evento foi divulgado e já conseguimos ver alguns frames do que vem por aí:

Mas se você chegou até aqui e ainda não assistiu a "Unbreakable Kimmy Schmidt" é porque você está disposto a dar uma chance. Então deixa eu te contar mais sobre essa série que tranquilamente poderia ser um drama à la "The Handmaid's Tale", mas é uma primorosa comédia da minha diva Tina Fey.

Kimmy (Kemper) é uma jovem mulher que foi sequestrada quando tinha 13 anos e passou 15 anos presa em um bunker subterrâneo com outras três mulheres, todas vivendo na certeza de que, do lado de fora, o mundo tinha acabado devido a um apocalipse nuclear. Elas e o seu sequestrador, o reverendo Richard Wayne Gary Wayne (Jon Hamm). Ao longo da série, Kimmy fala sobre seus sofrimentos no bunker, fazendo inúmeras referências a abusos físicos e psicológicos que sofria nas mãos do reverendo Wayne.

Kimmy Schmidt - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Sim, estamos falando de uma comédia. "Unbreakable Kimmy Schmidt" faz piada com temas extremamente sensíveis e ainda faz parecer fácil realizar essa façanha. Em nenhum momento a série se propõe a trazer qualquer assunto à pauta, a criar conversas na sociedade sobre estupro ou abandono —inclusive, muito pelo contrário. É tudo trabalhado de maneira leve e divertida para não parecer que estamos falando de coisas tão pesadas. Mas é isso que faz dela uma produção tão relevante. É quase como um inception, tudo fica mais fácil de digerir quando vem acompanhado de uma risada.

Quando eu comecei a ver "Kimmy Schmidt", não tinha captado o peso da série —na verdade, só tive essa realização depois que ela terminou. Pensar em tudo o que foi consumido, nas risadas que dei e como tudo aquilo foi leve e divertido, me deixou ainda mais feliz de já ter indicado a produção a colegas e amigos. E fica aqui minha indicação, assista você também. Mas agora sabendo de tudo o que essa série incrível carrega junto de si, de todas as mensagens passadas com risada pra isentar completamente o baque da porrada que é o tema principal: um maníaco sequestrador mantendo quatro prisioneiras durante 15 anos num bunker subterrâneo.

"Unbreakable Kimmy Schmidt" retorna à Netflix com um episódio especial interativo em 12 de maio.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Aline Diniz