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Aline Diniz


Aline Diniz

Better Call Saul e a jornada de bom moço ao anti-herói de Breaking Bad

Better Call Saul - Divulgação
Better Call Saul Imagem: Divulgação
Aline Diniz

Aline Diniz é jornalista de formação, especialista em séries de TV, apresentadora, roteirista e produtora focada em entretenimento e cultura pop. Depois de nove anos no site Omelete, onde foi estagiária, repórter, editora, gerente e muito mais, hoje é apresentadora da TNT e criadora de seu próprio conteúdo em várias plataformas, incluindo aqui no UOL!

Colunista do UOL

22/04/2020 14h37

"Better Call Saul" chegou ao fim de sua quinta temporada ontem, quando o último episódio foi disponibilizado na Netflix. A série, que conta a história da transformação de Jimmy McGill em Saul Goodman, é um prelúdio do que vimos em "Breaking Bad", acompanhando a vida do advogado e trazendo alguns dos personagens que conhecíamos da série original, mas introduzindo também alguns novos rostos.

O maior debate sobre os fãs de "Breaking Bad" que largaram "Better Call Saul" sem ao menos dar uma chance para a série se desenvolver dizem que ela "é muito lenta". Poucos, no entanto, lembram-se de como eram os primeiros anos da série de Walter White (Bryan Cranston), e como ela foi mudando ao longo das temporadas. Afinal, ambas são produções focadas principalmente no desenvolvimento de seus personagens, observando grandes mudanças ao longo de anos até que eles se tornem suas piores versões de si mesmos.

Cuidado, possíveis spoilers da quinta temporada de "Better Call Saul" abaixo!

Ouso dizer que a toada das duas séries é bem parecida e, comparativamente, chegamos ao ponto onde as coisas começam a esquentar em "Better Call Saul". Marginalizado há alguns anos, Jimmy (Bob Odenkirk) agora começa a encontrar a sua própria voz como Saul Goodman, encontrando nos clientes mais problemáticos a sua salvação. Jimmy é um cara trambiqueiro desde o início: a lábia sempre esteve ali, mas tudo se potencializa quando ele de fato começa a se envolver mais com o cartel.

O mais curioso de como a narrativa é disposta é exatamente essa dinâmica entre os personagens que herdamos de "Breaking Bad" e os novatos. Por ser um prelúdio —ou seja, uma história que antecede os acontecimentos da série original— "Better Call Saul" não teria capacidade de criar tensão com vidas que sabemos por fato que não serão perdidas. Mesmo assim, em um dos melhores episódios dessa temporada, terminamos com a certeza de que Mike (Jonathan Banks) e Saul podem morrer —sendo que é absolutamente impossível que isso aconteça. É um controle de narrativa absurdo.

Better Call Saul - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Da mesma forma, alguns rostos que conhecemos em "Better Call Saul" e não aparecem (alguns não são nem mencionados) em "Breaking Bad", criam suspense com a pendência de seus destinos. É inevitável acreditar que Kim (Rhea Seehorn), Nacho (Michael Mando) ou Lalo (Tony Dalton) podem morrer a qualquer momento. Ou será que eles simplesmente vão desaparecer? A espera, a jornada até o inevitável destino final é o que nos deixa intrigados o tempo todo.

"Better Call Saul" mantém absolutamente todos os atributos que a irmã mais velha "Breaking Bad" tinha, mas sofre com o fato de sua história inicialmente ser um simples drama de tribunal. Infelizmente acompanhar a transformação de um advogado em algo um pouco pior do que ele já era desde o início não é tão chamativo quanto acompanhar a transformação de um professor de química em um produtor de drogas de renome. Mas se você não está em dia com "Better Call Saul" ou largou por ser "muita lenta", meu amigo... você não sabe a jornada que está perdendo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Aline Diniz