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Aline Diniz


Aline Diniz

"Steven Universo" chega ao fim com aula de empatia e autoconhecimento

Steven Universo - Divulgação
Steven Universo Imagem: Divulgação
Aline Diniz

Aline Diniz é jornalista de formação, especialista em séries de TV, apresentadora, roteirista e produtora focada em entretenimento e cultura pop. Depois de nove anos no site Omelete, onde foi estagiária, repórter, editora, gerente e muito mais, hoje é apresentadora da TNT e criadora de seu próprio conteúdo em várias plataformas, incluindo aqui no UOL!

Colunista do UOL

11/04/2020 04h00

por Isaque Criscuolo

Steven nunca foi um herói comum, afinal é uma criança com uma pedra rosa no lugar do umbigo. Rebecca Sugar, criadora de "Steven Universo", nos oferece uma viagem intensa numa montanha russa de diversidade e emoções. Você vai chorar, explodir de fofura, se divertir e aprender muito com esse universo original e único. É um desenho para crianças, mas muito mais do que isso.

O grande legado da série é a habilidade e sensibilidade de colocar grandes questões da vida em narrativas que crianças e adultos são capazes de entender e se identificar. Steven é o herói que chora, um menino que não quer ser definido por gênero e ao seu lado estão inúmeras figuras femininas poderosas. É um personagem dos nossos tempos.

Steven Universo - Steven Universo Futuro estreia no Cartoon Network (Fonte: Divulgação) - Steven Universo Futuro estreia no Cartoon Network (Fonte: Divulgação)
Imagem: Steven Universo Futuro estreia no Cartoon Network (Fonte: Divulgação)

Não é à toa que seu poder é a cura, capaz de resolver os mais diversos problemas apenas com amor, diálogo, compreensão. Steven existe para ajudar a todos, mesmo sendo somente uma criança. É o pilar de inspiração para todos os personagens e fãs que acompanharam sua jornada em busca de suas origens e de um mundo melhor.

Depois de seis anos e quase 200 episódios, sua história chegou ao fim. É uma despedida dolorosa e difícil, mas Rebecca Sugar foi capaz de presentear o mundo da TV com um arco de 20 episódios impecáveis e repletos de empatia, humanidade, autoconhecimento e sensibilidade. Não é todo dia que temos tudo isso numa série animada.

"Steven Universe Future", o arco final da história, mostra um Steven adolescente buscando um sentido na vida depois de salvar o universo. Ele continua o protagonista, mas é também o antagonista. Em vez de apostar num novo inimigo, Sugar se despede de seu universo explorando os impactos, traumas, dores e decepções de uma criança que nunca teve uma vida normal. Depois de quase morrer inúmeras vezes, o que resta?

Steven Universo - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

A vida comum, os desafios de crescer, as decepções amorosas, rejeição, tédio e toda a miríade de sentimentos humanos. Afinal, não dá para esquecer que Steven continua sendo um. Nesta temporada final, o herói enfrenta seus medos, culpas e vê que é muito mais do que um menino que faz o bem. Ele também é capaz de machucar, errar e destruir.

O jeito que Sugar aborda temas como ansiedade e o medo de crescer transborda sensibilidade e mostra o quanto precisamos ser gentis com nós mesmos, não importando as circunstâncias. Ao continuar apostando numa jornada emocional, ela nos entrega uma obra-prima que ficará no coração de muitos fãs. "Steven Universo" é uma jornada de autoconhecimento e não tem como passar por esta aventura sem transformação. É também sobre o quanto não podemos fazer nada sozinho.

Steven Universo - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Animações já não são mais coisa de criança há muito tempo e podem causar uma catarse que nenhum outro formato é capaz. Se eu fosse você, correria para assistir agora. Afinal, se existe algo que esta série fez pela história da TV é mostrar que é possível criar uma aventura emocionante em que porrada não resolve tudo. E o quanto precisamos disso agora, não é?

Queria muito falar sobre o final de "Steven Universo", uma série cheia de lições sobre temas atuais e relevantes, mas vi somente alguns episódios soltos da animação. Sendo assim, convidei meu amigo e jornalista Isaque Criscuolo para escrever sobre esse projeto tão importante e significativo.

Agora, três outras excelentes séries animadas para você assistir, indicadas por mim mesma, Aline Diniz:

Gumball - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

"O Incrível Mundo de Gumball"

"Gumball" é uma das séries favoritas. Não só animação, série mesmo. O programa acompanha o personagem do título, um gato azul, e sua família: o pai, Richard, que é um coelho rosa; a mãe, Nicole, também uma gata azul; a irmã mais nova, Anaïs, coelha rosa; e Darwin, o irmão do meio, um peixe dourado adotado.

A série tem pouca continuidade, mas sempre que pode faz um episódio diferente, por vezes trazendo até algumas figuras de linguagem, metalinguagem e quebrando a quarta parede. Vale a pena assistir de família, é uma daquelas que é boa para os filhos e para os pais —o episódio que conta a história de Darwin e sua adoção é espetacular.

Irmão do Jorel - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

"Irmão do Jorel"

"Irmão do Jorel" é uma animação nacional que acompanha, isso mesmo, o irmão do personagem do título. Ele é popular, todo mundo quer ser seu amigo, se parecer com ele... todo mundo quer ser ele. O Jorel. O irmão do Jorel é outra história —nem nome ele tem, coitado.

Baseada na vida de seu criador, Juliano Enrico, a série acompanha Jorel, seu irmão (que é o real protagonista) e toda sua família. Cheia de personagens incríveis, a animação traz ainda um toque especial por ter regionalismos bem brasileiros. Vovó Juju amor eterno.

Hilda - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

"Hilda"

Baseada na HQ homônima, "Hilda" acompanha uma corajosa garotinha em suas aventuras por uma nova aventura: a mudança para a cidade grande. Ela faz amizades com muita facilidade, relacionando-se com diversas criaturas místicas que vão de trolls a homens de madeira, mas precisa aprender a conviver com outros humanos. Colorida e alegre, a série traz traços muito semelhantes à obra original e é um prato cheio, tanto no visual quanto no roteiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Aline Diniz