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Aline Diniz


'Dexter' e o curioso caso da série com dois finais

Michael C. Hall como Dexter - Divulgação
Michael C. Hall como Dexter Imagem: Divulgação
Aline Diniz

Aline Diniz é jornalista de formação, especialista em séries de TV, apresentadora, roteirista e produtora focada em entretenimento e cultura pop. Depois de nove anos no site Omelete, onde foi estagiária, repórter, editora, gerente e muito mais, hoje é apresentadora da TNT e criadora de seu próprio conteúdo em várias plataformas, incluindo aqui no UOL!

Colunista do UOL

05/04/2020 04h00

"Dexter" foi a segunda série que eu comecei a ver na vida —isso, claro, depois das animações infantis. Ver mesmo, com consciência de continuidade e tudo mais. O programa acompanha um assassino em série que tem como alvo outros assassinos e, enquanto tira a vida de outras pessoas à noite, também trabalha na polícia de Miami de dia. É genial, o anti-herói perfeito, um serial killer do bem.

A série estreou em outubro de 2006 nos Estados Unidos e teve oito temporadas, encerrando sua jornada depois de sete anos em setembro de 2013 com o pior encerramento de qualquer seriado que eu já vi na vida. Ainda assim, venho com esse texto te indicar "Dexter". Calma, vamos lá. Deixa eu explicar um pouco melhor:

Para mim, essa é claramente uma série de dois finais —e eu vou tentar te convencer a assisti-la até o primeiro final, o melhor, onde 'Dexter' deveria ter sido encerrada, na quarta temporada, sem dar spoilers.

Ao longo de toda a série, vemos Dexter Morgan (Michael C. Hall) lutando com uma força que reside dentro de si, a vontade de matar. Harry (James Remar), seu pai adotivo, é um policial em Miami e tenta da melhor maneira controlar essa força dentro de seu filho, mas descobre que a melhor maneira não é interrompê-la, mas sim canalizá-la. Então, cria uma lista de regras que Dexter deve seguir se quiser matar.

Ao longo das três primeiras temporadas, acompanhamos Dexter assassinando, esguiando-se das investigações policiais e lidando com seus relacionamentos mais próximos. A série conta com uma narrativa redonda de gato e rato, onde o protagonista investiga alguns dos crimes mais intensos da cidade, mas que acabam só levando-o para mais perto de suas próprias vítimas.

Eis que a quarta temporada surge com Trinity Killer (John Lithgow) —e Dexter fica obcecado. Ele precisa capturá-lo e dar seu próprio destino ao assassino, mas isso significa tirá-lo da polícia. São duas frentes na busca pelo serial killer, culminando no que poderia ter sido o melhor episódio final da televisão. É um laço perfeito, uma história que completa seu ciclo e encerra exatamente como começou. Mas não foi.

"Dexter" ainda tem bons momentos após a quarta temporada, trazendo bons personagens e boas tramas. Mas honestamente? Não vale a pena. Eu sei que é praticamente impossível não terminar uma série, a curiosidade de ver como aquilo pode piorar e implodir é sempre maior. Agora, se você quer ver uma série boa de verdade, com um final praticamente impecável, assista a "Dexter" somente até o quarto ano. O resto é resto.

Todas as temporadas de "Dexter" estão disponíveis no Globoplay.

Aline Diniz