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Uma autobiografia muito curta pra um livro, muito longa pra caber na bio

No painel de Mulher-Maravilha 1984 da CCXP19 - VansBumbeers para CCXP19
No painel de Mulher-Maravilha 1984 da CCXP19 Imagem: VansBumbeers para CCXP19
Aline Diniz

Aline Diniz é jornalista de formação, especialista em séries de TV, apresentadora, roteirista e produtora focada em entretenimento e cultura pop. Depois de nove anos no site Omelete, onde foi estagiária, repórter, editora, gerente e muito mais, hoje é apresentadora da TNT e criadora de seu próprio conteúdo em várias plataformas, incluindo aqui no UOL!

Colunista do UOL

18/03/2020 04h00

Olá, olá! Meu nome é Aline Diniz. Sou amante de séries de TV e filmes, entusiasta de games e estudiosa do mundo geek em geral e essa será a minha coluna no UOL. Aqui falaremos (eu e alguns convidados) sobre diversos assuntos relacionados ao mundo do entretenimento: desde críticas e análises até notícias quentes.

Mas antes de começar, deixa eu me apresentar. Mas vamos lá atrás.

Sou filha única, de uma família de classe média. Nunca me faltou absolutamente nada, mas não vivíamos esbanjando. Meus pais lutaram muito para conseguir chegar onde estão e me dar o que tenho hoje: minha mãe é portuguesa, veio para o Brasil com pouco mais de um ano de idade e a vida inteira estudou e se dedicou para ter condições melhores e me proporcionar tudo o que tive até hoje. Meu pai, criado pela mãe solo, feirante, fez faculdade quando eu já era nascida e trabalhava como montador em uma fábrica de carros. As contas não eram poucas, mas minha mãe (como sou fã dessa mulher, socorro) segurou as pontas até meu pai se formar.

Fui criada na base da televisão e assistia a muito Cartoon Network, Nickelodeon e todos os outros canais infantis que você possa imaginar. "Coragem, o Cão Covarde", "A Vida Moderna de Rocko", "Meninas Super-Poderosas", "A Vaca e o Frango", "CatDog", "Johnny Bravo" e muitas outras animações dos anos 1990 moldaram minha personalidade e gostos peculiares que duram até hoje.

Aos nove anos, ganhei um livro de mamãe. Uma amiguinha da escola falava tanto dele que eu precisava ler a história do menino que sobreviveu. Era "Harry Potter e a Pedra Filosofal" e aí, meu amigo... aí não teve volta. Segui na leitura e consumi tudo o que você pode imaginar de fantasia adolescente que dava para comprar com minha mesadinha contada.

Em 2007, minha grande incentivadora mamis veio com mais uma empreitada que estreitaria ainda mais meus laços com o mundo do entretenimento e me enviou para um intercâmbio de um ano no Canadá. Eu ia para aprender a falar inglês, mas mal sabíamos que a televisão apareceria novamente, agora em sua forma mais madura, e apareceria também mais uma figura com um papel importante nessa jornada.

Minha "host mom", a dona do lar que me recebeu, assistia religiosamente a "Grey's Anatomy". Eu, uma jovem querendo aprender inglês, sentava no chão mesmo, ao lado de sua gigantesca poltrona, para ver com ela. Sem legenda nem nada, assisti à segunda parte da terceira temporada da série para criar um vínculo com aquela mulher. A gente comentava os acontecimentos, pensava o que viria por aí e, em paralelo, comecei a assistir a "Dexter" sozinha. Aí nunca mais parou, eu tinha ficado viciada pelas séries de TV.

Corta para 2010, dezembro, fim do segundo ano da faculdade de jornalismo e eu, só por desencargo de consciência, mandei meu currículo para uma vaga no Omelete. Fui contratada pelo número de séries que assistia à época, que eram simultaneamente 27. E então começou a jornada que me trouxe até aqui.

Comecei como estagiária de cinema, mas foi bem rápido que assumi a área de séries e TV. Minha primeira viagem internacional foi para a Cidade do México, em 2013, para o lançamento de "Hemlock Grove". Esse tipo de viagem, de entrevista, conhecida no mercado como junket, é muito curta e rápida, vai e volta em menos de uma semana. Londres, Los Angeles, Nova York, Tijuana, Montevideo, Dublin, Barcelona... visitei vários lugares do mundo nesse esquema, mas nunca deu tempo de conhecer nada de verdade. As entrevistas são a mesma coisa, tudo bem rápido, questão de cinco, seis minutos no entra, senta, conversa, sai. Mas como eu amo fazer tudo isso!

Nessas, falei com James Spader (e chorei de soluçar logo em seguida), Robert Downey Jr., Will Smith, Ryan Gosling, Jane Fonda, Jason Bateman, Linda Cardellini, Ryan Reynolds, Sandra Bullock, Chris Evans, Chris Pratt, Neil Patrick Harris, David Tennant, Adam Sandler, Drew Barrymore, Jason Isaacs e incontáveis outros nomes, incluindo roteiristas, diretores, produtores... alguns foram muito bons, alguns foram muito ruins, mas todos me trouxeram até onde estou.

Em 2017, outro pulo na carreira: saí da redação do Omelete e fui participar do auditório Thunder, na CCXP. Foi lá que aprendi o outro lado das coisas, vi planilhas, planos e planejamentos, entendi o motivo das entrevistas terem os segundos contados, emiti muito visto e passagem aérea pra convidado estrangeiro, apresentei muitos painéis com muita gente incrível e conteúdos exclusivíssimos. Vivi pra participar de um ensaio às 23h com Gal Gadot e Patty Jenkins, pra ficar acordada até altas horas e dormir no pavilhão —ensaios iam até às 4h e às 7h já tinha teste de novo. Foram três anos de muito aprendizado, frustração e muitos, mas muitos sonhos realizados.

Já fui estagiária, repórter e editora, já fui roteirista, diretora e produtora, já fui carregadora, conselheira e já apaguei muito incêndio. Já fiz muita reunião de pauta, reunião de produção, reunião de conteúdo, já gritei e já ouvi muito grito. Aprendi muito e ensinei muito. E ainda gosto de fazer tudo isso.

É exatamente pela minha vontade de abraçar o mundo, de fazer um pouco de tudo, que estou aqui. Já fazia alguns anos que eu não escrevia, mas que saudade sentia. Então é um pouco de tudo isso que você vai encontrar por aqui ao longo dos próximos textos: muita opinião, alguns debates, questionamentos, quem sabe entrevistas e textos de visitas a sets de gravações? Tudo é possível nessa coluna, vamos juntos nessa nova parte da minha aventura.

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