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"Parasita" ganha o Oscar de melhor filme e fecha noite como maior premiado

Kwak Sin Ae e Bong Joon-ho vencem Oscar de melhor filme por "Parasita" - REUTERS/Mario Anzuoni
Kwak Sin Ae e Bong Joon-ho vencem Oscar de melhor filme por "Parasita" Imagem: REUTERS/Mario Anzuoni

Liv Brandão e Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

10/02/2020 01h26Atualizada em 10/02/2020 14h31

"Parasita" é o melhor filme do Oscar 2020. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood fez História ao escolher o trabalho do diretor Bong Joon Ho, que deixou para trás "1917", "Adoráveis Mulheres", "Coringa", "Era Uma Vez Em Hollywood", "Ford Vs Ferrari", "História de um Casamento", "Jojo Rabbit" e "O Irlandês". Veja aqui a lista completa de vencedores.

É a primeira vez que a estatueta mais concorrida da principal premiação do cinema fica com a Coreia do Sul —e também é a primeira vez que um longa ganha nas categorias de melhor filme e melhor filme estrangeiro. "Parasita" terminou a noite com quatro estatuetas e foi o maior premiado da cerimônia, à frente de "1917", que teve três estatuetas.

Antes mesmo da consagração, "Parasita" já havia feito história com suas seis indicações ao Oscar. Além de melhor filme, o sul-coreano venceu as estatuetas de melhor direção, melhor roteiro original e melhor filme internacional (antiga categoria de melhor filme estrangeiro).

Ao receber o prêmio de melhor filme, a produtora Miky Lee exaltou Bong Joon Ho. "Eu gostaria de agradecer ao diretor, muito obrigada por ser você. Eu gosto do sorriso dele, da forma como ele anda, da forma como ele dirige. O que eu realmente gosto dele é do seu senso de humor. Ele não se leva a sério".

Ela também se referiu ao público sul-coreano. "Eu realmente quero agradecer o nosso público coreano, que realmente vem apoiando todos os nossos filmes, e que nunca hesitaram em nos dar a sua opinião sincera em relação ao filme que fizemos. E isso nos fez com que nunca fôssemos complacentes, que sempre tivéssemos pressionando os nossos criadores para aumentar as nossas metas".

As únicas outras vezes em que filmes da Coreia do Sul receberam quaisquer indicações ao Oscar foram em 2004 e 2014, com os curtas de animação "Birthday Boy" e "Adam and Dog".

Luxo, miséria e comédia

A história de sucesso de "Parasita" começou no ano passado, quando levou a Palma de Ouro do Festival de Cannes. O longa também garantiu o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, de melhor elenco no SAG Awards, e de melhor roteiro e melhor filme em língua não inglesa no Bafta.

"Parasita" é uma comédia dramática em tom satírico sobre uma família sul-coreana à beira da miséria que se infiltra em uma família rica. Quando um dos membros do clã consegue trabalho como professor particular de uma menina milionária, ele passa a indicar seus parentes para trabalhos em outras ocupações na mansão - nem que, para isso, prejudique outras pessoas.

Roberto Sadovski escolheu "Parasita" como o melhor filme de 2019 (ano de produção e estreia). O crítico de cinema do UOL ainda avalia o trabalho do diretor Bong Joon Ho como um dos melhores filmes da década.

Bong Joon-Ho desenvolve o filme perfeito, que desafia gêneros e convenções, e arrasta a plateia consigo para uma experiência que pode ser um espelho, não importa quem esteja assistindo Roberto Sadovski, blogueiro do UOL

Bastante elogiado pela crítica especializada desde as suas primeiras exibições em festivais, "Parasita" estreou comercialmente no Brasil em 7 de novembro de 2019.

Por causa do efeito Oscar, o filme ganhou uma sobrevida nas salas de cinema e ainda é possível encontrar sessões em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Não deu para o Brasil

Concorrendo à estatueta de melhor documentário por "Democracia em Vertigem", de Petra Costa, não foi dessa vez que o Brasil ganhou seu primeiro Oscar. A produção sobre o impeachment de Dilma Rousseff perdeu para "Indústria Americana". O filme vencedor, produzido pelo casal Obama, narra a chegada de uma fábrica chinesa e de seus operários super obedientes a uma cidade do interior dos Estados Unidos.

Em seu discurso, a diretora Julia Reichert ressaltou a coragem das colegas indicadas e exaltou o gênero por trazer histórias de lugares tão diversos quanto o Brasil e a Macedônia. "Trabalhadores do mundo, uni-vos!", conclamou a cineasta.

Outros premiados da noite

Pela segunda vez consecutiva sem um apresentador central, a cerimônia do Oscar não trouxe muitas surpresas. Os prêmios de atuação eram bolas cantadas: Renée Zellweger foi a melhor atriz por "Judy: Além do Arco-Íris"; Joaquin Phoenix levou a estatueta de melhor ator por "Coringa"; Brad Pitt venceu como melhor ator coajuvante por "Era Uma Vez em... Hollywood"; Laura Dern faturou na categoria atriz coadjuvante por "História de um Casamento".

Veja a lista completa de vencedores do Oscar 2020.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou o último parágrafo da matéria, o nome correto do filme é "Judy: Além do Arco-Íris", e não "Judy: Muito Além das Estrelas". A informação foi corrigida.