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7 vezes em que Bolsonaro saiu da política e invadiu a cultura pop

O presidente Jair Bolsonaro - Adriano Machado/Reuters
O presidente Jair Bolsonaro Imagem: Adriano Machado/Reuters

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

15/12/2019 04h00

Você pode amar ou odiar Jair Bolsonaro, mas é preciso convir: desde antes de entrar em campanha, o controverso presidente da República virou um símbolo da cultura pop. São diversas aparições, citações ou meras menções ao mandatário, na maioria das vezes em tom crítico, que estão na TV, na música, no Carnaval, no universo dos games e em tantas outras plataformas, muitas vezes extrapolando barreiras geográficas.

Veja abaixo sete exemplos do "bolsopop".

"Estrelando" HQ do Batman

A nova HQ do Batman, Dark Knight Returns: The Golden Child, traz em suas páginas a imagem de um tuíte de um político chamado J.M. Bozo, em uma clara referência ao apelido pejorativo do brasileiro. No post, ele dá sua opinião armamentista em relação a protestos ocorridos em Gotham City. "Se dependesse de mim todo cidadão teria uma arma em casa." A HQ escrita por Frank Miller é desenhada pelo artista brasileiro Rafael Grampá e também conta com referências a Donald Trump.

Jair Bolsonaro aparece como JM. Bozo em HQ do Batman - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Referência nos quadrinhos do Demolidor

A editora Panini, que traduz e distribui HQs da Marvel e DC no país, associou o líder populista da história do Demolidor a Jair Bolsonaro, exibindo uma manifestação em que uma pessoa segura um cartaz com a inscrição "Fisk Mito" —no original, algo como "Fisk comanda". Wilson Fisk é inimigo do protagonista, também conhecido como "rei do crime" e elege-se espalhando fake news. Segundo Paulo França, que traduziu a HQ, a associação fica por conta do leitor.

HQ do personagem Demolidor faz alusão a Jair Bolsonaro - Montagem/Reprodução - Montagem/Reprodução
Imagem: Montagem/Reprodução

Tema de músicas

A faixa Bolso Nada foi lançada pelo grupo paulista Francisco El Hombre em 2016, em parceria com Liniker e os Caramelows, dois anos antes da eleição de Jair Bolsonaro. A letra se refere ao então futuro presidente como "fascista" e "cara escroto". "Bolso dele sempre cheio, nosso copo anda vazio/Mesquinhez e intolerância, bolso nada que pariu", canta a banda, conhecida por apoiar o movimento MST e realizar protestos políticos em show, como rolou na última edição do Rock in Rio.

Mais música: esta semana, outra banda, o BaianaSystem, divulgou sua "homenagem" ao pai de Flávio, Carlos, Eduardo, O single Cabeça de Papel cita Bolsonaro e Trump, com clipe de temáticas circense e militar, criticando posturas religiosas. "Segura o guidom/ Segura o balanço do som/ Segura o quadril/ Segura o quadril de arranque/ Fogo no Bozo, Fogo no Trump", versa trecho da letra.

Inspiração para o Carnaval do Rio em 2020

Além de ganhar um bonecão em Olinda, Bolsonaro foi alvo de várias marchinhas no Carnaval de rua de 2019, e ano que vem o tom promete subir também nos desfiles. Atual campeã da folia carioca, a Mangueira cantará o samba-enredo A Verdade Vos Fará Livre, que mostrará como o cristianismo foi apropriado por um discurso intolerante, que nada tem a ver com sua origem. Nos versos escritos por Manu da Cuíca e Luiz Carlos Máximo está a passagem "Favela, pega a visão/Não tem futuro sem partilha/Nem Messias de arma na mão". O nome do meio do presidente, como se sabe, é Messias.

Carnaval 2020: Enredo da Mangueira vai falar sobre religião e intolerância -  -

Já a Portela, maior vencedora do Carnaval do Rio, também criticará Bolsonaro defendendo a resistência dos povos indígenas no Brasil. O presidente é contra a demarcação de terras. "Índio pede paz mas é de guerra/ Nossa aldeia é sem partido ou facção/Não tem bispo e nem se curva a capitão", escreve a composição Guajupiá, intitulada Terra Sem Males, de autoria de Valtinho Botafogo, Rogério Lobo, José Carlos, Zé Miranda, Beto Aquino, Pecê Ribeiro, D´Sousa e Araguaci.

Alusão no pôster do Dead Kennedys

Pôster da turnê brasileira do Dead Kennedys no Brasil - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O pôster criado por Cristiano Suarez para a turnê do grupo de americano de hardcore causou em abril deste ano. A arte mostrava uma família armada para representar a classe média conservadora brasileira, que para ele é radical, odeia obres e incensa armas. Para completar, os integrantes usavam maquiagem inspirada no palhaço Bozo.

Para a maioria, a ilustração não passava de uma referência ao presidente e seus seguidores, mas o artista negou a associação direta. A repercussão foi tamanha que o Dead Kennedys cancelou os shows no país, aumentando a polêmica, e a imagem acabou adotada por outras bandas punks críticas ao governo, como o Ratos de Porão. Ela também virou camiseta.

Astro do game Bolsomito 2K18

Lançado no ano passado, o jogo é protagonizado pelo presidente na luta contra mulheres, negros, integrantes de movimento sociais, da comunidade LGBT+ e adversários políticos. Segundo a sinopse, o inimigo são os "males do comunismo", que devem ser aniquilados por um "herói que vai livrar uma nação da miséria". Produzido pela BS Studios, o game foi denunciado pelo Ministério Público e teve as vendas online proibidas na plafatorma Steam.

Em "Bolsomito 2K18", candidato a presidente espanca e mata opositores - Divulgação/BS Studios - Divulgação/BS Studios
Imagem: Divulgação/BS Studios

Capitão Talkêi

O personagem foi apresentado este ano no programa Zorra, da TV Globo, que já parodiava Bolsonaro com o ator Fernando Caruso. O "superpoderoso" Capitão Talkêi, que usa o bordão do presidente e tem fonética semelhante ao Capitão Gay de Jô Soares, defende armas, "coxinhas", privilegiados e aqueles que acreditam na meritocracia. "Eu não estou aqui pra dar o peixe, estou aqui pra ensinar a pescar, 'talkei'? Agora vocês estão prontos para se defenderem!", diz ele em um vídeo, enquanto oferece armas a vítimas da bandidos.

Zorra satirizou Jair Bolsonaro com o "Capitão Talkei" - Reprodução/TV Globo - Reprodução/TV Globo
Imagem: Reprodução/TV Globo

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