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Visitar a CCXP é passear por um inferno em sete estágios: entenda por quê

CCXP pode ser um inferno para quem visita o SP Expo - Mariana Pekin/UOL
CCXP pode ser um inferno para quem visita o SP Expo
Imagem: Mariana Pekin/UOL

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

08/12/2019 04h00Atualizada em 08/12/2019 21h36

Vale a pena ir à CCXP? Vale, desde que a cultura pop esteja no lado esquerdo do seu peito. Ainda assim, a CCXP é um inferno? É, com perrengues e doses de dor, angústia e sofrimento, às vezes com um sentimento constante "que diabos eu estou fazendo aqui?". Seja você fã, jornalista ou funcionário, em questão de minutos o paraíso geek pode se transmutar em inferno - e não estamos falando da fraca continuação de Anjos e Demônios, com Tom Hanks. É bem pior.

Inferno #1: é muita, muita gente

A organização calcula 280 mil pessoas circulando pelo pavilhão em quatro dias oficiais de evento (ou cinco, se contarmos a Spoiler Night, que, como o nome entrega, adianta o que vai acontecer na feira para um público seleto). Mas a impressão é de muito mais. Desde o fim da manhã, os corredores entre as centenas de estandes ganham ares de Marginal Tietê na hora do rush em véspera de feriado. Não há nada parecido em termos de feira no mundo. É difícil andar - cansa -, sentar - quase não há assentos -, visitar lojas - lotadas -, ir ao banheiro - fila é mato -, brincar nas atrações e estandes - idem - e, principalmente, não se sentir como se estivesse no bloco Enquanto isso na Sala da Justiça, do Carnaval de Olinda, dedicado aos super-heróis. Um acinte aos claustrofóbicos.

Inferno #2: localizar-se é desafio

Os faraônicos 115 mil metros quadrados da São Paulo Expo, equivalentes a 16 campos de futebol apinhados de gente - e cosplayers, que também são gente - só podem significar uma coisa: em algum momento você ficará igual ao meme de John Travolta confuso. A organização não distribui mapas - há apenas alguns afixados nas extremidades do pavilhão - e a sinalização dos corredores, divididos por letras, não é suficiente para não se perder. "Já não passei por aqui antes?" é uma frase bastante ouvida nesse labirinto do fauno da vida real.

Inferno #3: comer é ato de heroísmo

Como já explicamos, alimentar-se bem na CCXP, pagando preço justo, é tão difícil quanto zerar Battletoads do Nintendinho de primeira e sem gastar continues. Você é vegano? Leve marmita. Tem alergia a glúten? Melhor sair "almoçado". Gosta mesmo é de um PF e de "comida de verdade"? Bom para você, mas há pouquíssimas opções de refeição tradicional nas abarrotadas praças de alimentação. Com bebida incluída, elas podem custar para lá de R$ 50. Falamos sobre a dificuldade de se sentar às mesas, com muitos descansando sem comer nada por não ter outro lugar fazê-lo? Falamos, mas não custa reforçar.

Inferno #4: lembrancinhas passam a faca

Tudo é caro. Um par de pantufas de personagens da Pixar chega a R$ 100. Camisetas geek de lojas de fast fashion também esbarram nesse preço. Os famosos bonequinhos Funko, febre geek, são vendidos por nada módicos R$ 150, sendo que na gringa muitas vezes saem por US$ 10. Outros itens colecionáveis passam de R$ 400 como uma simples réplica do personagem Sora, da série Kingdom Hearts, preço parelho ao de um simples R2-D2 de plástico, comercializado como balde de pipoca. Mas nada está tão caro que não possa inflacionar. Uma escultura do mestre Yoda escala ¼, custa R$ 3.500.

Inferno #5: painéis são difíceis

Quer ver um painel com um ator ou outro artista conhecido, de preferência astro de Hollywood? Prepare-se para chegar cedo e passar o dia todo na fila, perdendo a maior parte da CCXP. Alguns chegam a acampar do lado de fora do pavilhão para não perder a chance de ver nomes como Daisy Ridley, Ryan Reynolds e Margot Robbie às vezes nem tão de perto assim. O auditório principal do evento tem capacidade para 3.330 pessoas. Ali, o som vaza, o volume das caixas não dá conta de quem está sentado mais atrás, a gritaria é ensurdecedora e, para deixar o recinto, o público precisa obrigatoriamente sair do pavilhão, dando uma longa volta se quiser retornar à São Paulo Expo. Pense em mais um rolê cansativo.

Inferno #6: internet

Aglomerações costumam render sinal de internet instável nos telefones celulares. Na CCXP "dos infernos", esse problema é recorrente. Com dezenas de milhares de pessoas zanzando diariamente pelo gigantesco espaço, um ato banal como subir um vídeo nos Stories ou uma foto na sua rede social favorita vira tarefa hercúlea. De perder a paciência. Pensando nisso, a organização até firmou parceria com a Oi para fornecer wi-fi gratuito ao público, mas o sinal também não é dos melhores e ainda te obriga a realizar cadastro, entregando seus dados à operadora - olha o big data aí, gente! Dava para ser melhor.

Inferno #7: ir embora

Chegar a São Paulo Expo já começa como um teste à paciência. O engarrafamento começa desde a alça de saída da Rodovia dos Imigrantes, do fim da manhã ao encerramento da feira, às 21h. Ir embora, aliás, é mais uma via crucis. O metrô mais próximo, estação Jabaquara, fica a 1,3 km da CCXP, com direito a encarar uma ladeira íngreme e, caso a bravura do Capitão América esteja imbuída em você, por uma passarela de metal que "dança" com o passar do público, que sai quase todo de uma vez. Quer pegar um Uber ou coisa do tipo? Espere por, no mínimo, meia hora e ande pelo menos por 10 minutos. Talvez seja preciso esperar mais.

Após a publicação desta reportagem, a organização da CCXP 2019 mandou a seguinte nota de esclarecimento:

Sobre a matéria publicada pelo site UOL neste domingo, 8, a organização da CCXP19 esclarece que:

1) O festival, o maior de cultura pop do mundo, reconhecido por todos os estúdios e com maior infraestrutura inclusive, foi preparado para receber as 280 mil pessoas que estão circulando nestes dias de evento (número que contempla o Spoiler Night, com 20 mil pessoas, e os quatro dias seguintes, com 65 mil pessoas em cada um deles). A estrutura do festival foi pensada para oferecer o maior conforto possível para o público tanto nas áreas de circulação, com largos corredores, quanto nas praças de alimentação, localizadas nas laterais da São Paulo Expo e na área Creators.

2) Para localizar-se no festival, a organização do evento desenvolveu um aplicativo que permite ao usuário localizar-se e saber as direções de cada espaço do festival. O visitante pode fazer download do aplicativo gratuitamente - disponível para os sistemas Androide e IOS. No app, além de todos os horários da programação, informações sobre alimentação e outros serviços, é possível encontrar um mapa de todo o evento - incluindo andar térreo e mezanino. Além disso, os balcões de informações disponibilizam mapas nas versões português e inglês (físicos) para que todos possam utilizar dentro do evento e staffs estão treinados para tirar dúvidas e auxiliar os visitantes.

3) Para a alimentação do público em geral, há um mix de 42 marcas oferecendo variados produtos que vão desde lanches como açaí, saladas de frutas, tapioca, hambúrguer e batata frita, até refeições como massa, saladas e pratos completos, entre outros - atendendo aos mais diversos tipos de paladares, inclusive veganos, e pessoas com restrições alimentares. Os preços partem de R$ 5 (cinco reais). Dos 115 mil m2 do festival, 16 mil m2 correspondem a área de alimentação. Esse é o maior espaço de refeição em eventos indoor já registrado no Brasil.

4) Quem vai ao festival e quer levar as tradicionais lembrancinhas para a casa, é possível adquirir produtos com preços que vão desde R$9,90, como meias, copos e canecas, além de produtos de vestuário, como camisetas por R$29,90. Há ainda sandálias exclusivas por R$35,90 e itens colecionáveis, como Funkos, por preços mais acessíveis que o mercado brasileiro (R$89,00) e peças de colecionador, com lançamento exclusivo no evento e por valores que acompanham este mercado.

5) O acesso aos auditórios para os painéis é limitado por sua capacidade interna e atende as exigências dos órgãos competentes. No caso do auditório principal, por exemplo, a capacidade é para 3.330 pessoas e o espaço é o mais disputado do festival por receber grandes astros de Hollywood. Para os fãs que não conseguem entrar no auditório ou que optam por não aguardar na fila, a CCXP oferece inúmeras atrações e experiências para as quais não há necessidade de aguardar em filas como um estúdio de vidro por onde passam todos os astros e o público pode acompanhar as entrevistas, o espaço Creators e a arena de games. Há programação ao longo de todo o dia.

6) Sobre a estrutura de internet, a operadora oficial do evento informou que implantou uma estrutura robusta de telecomunicações no festival com mais de 60 km de fibra ótica dedicada ao evento para garantir a disponibilidade do wi-fi a todo o público presente. A empresa registrou até o início da tarde deste domingo um tráfego de 40 terabytes (isto equivale a 10,8 milhões de downloads/uploads de fotos em alta resolução ou 80 mil downloads de filme), registrando também mais de 4,5 milhões de conexões wi-fi, o que garantiu melhor experiência aos visitantes no uso da tecnologia. Já o preenchimento do login social para acesso ao wi-fi é uma norma regulatória do Marco Civil da Internet (lei n. 12.965/2014) e atende a privacidade e segurança dos próprios usuários.

7) O acesso ao São Paulo Expo pode ser realizado de carro, entretanto a organização indica o uso do transporte público com objetivo de evitar o congestionamento e transtornos para quem acessa o local. Para oferecer mais conforto aos visitantes, a CCXP disponibiliza gratuitamente ônibus no estilo Primeira Classe e vans para pessoas PCD, no trajeto entre a estação Jabaquara e o pavilhão.

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