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His Dark Materials não é nova Game of Thrones, mas seu mundo é fascinante

Guilherme Machado

Do UOL, em São Paulo

04/11/2019 04h00

Com o fim de Game of Thrones, uma pergunta ficou na cabeça dos fãs: qual seria o novo fenômeno de fantasia. Uma das respostas parece ter vindo na forma de His Dark Materials, série que estreia hoje na HBO às 23h03 e rapidamente foi apontada como possível sucessoras da saga de Westeros. Bom, boas e más notícias: não, esse seriado não é uma nova Game of Thrones. Mas, isso não quer dizer que seja menos fascinante.

Baseada na trilogia de livros homônima do britânico Philip Pullman — traduzida como Fronteiras do Universo no Brasil e composta por A Bússola de Ouro, A Faca Sútil e A Luneta Âmbar —, a produção narra as aventuras de Lyra Belacqua (Dafne Keen), uma menina que habita um mundo parecido com o nosso. Parecido é a palavra-chave, pois neste universo existem diversos mundos, e o de Lyra é como se fosse uma versão alternativa daquele que conhecemos, onde bruxas voam pelos céus e ursos se vestem com armaduras.

Neste lugar fantástico, as pessoas também nunca estão sozinhas. Como a própria série define, se em nossa realidade as almas ficam dentro do corpo, na de Lyra elas caminham ao lado de cada ser na forma de Daemons, animais falantes que representam a essência de cada indivíduo.

Como pode ser perceber, His Dark Material tem um espírito muito mais fantástico e menos soturno do que Game of Thrones, com uma história focada mais em temas filosóficos e uma aventura bem menos mórbida.

Ruth Wilson como a misteriosa Marisa Coulter em His Dark Materials - Divulgação
Ruth Wilson como a misteriosa Marisa Coulter em His Dark Materials
Imagem: Divulgação
Isso não quer dizer que não haja semelhanças, a começar pela presença do ator James Cosmo, que interpretou o comandante da Patrulha da Noite Jeor Mormont na série de David Benioff e D.B. Weiss, e a abertura, impecável, e com uma trilha instrumental que impacta e não deixa nada a dever à icônica de Game Of Thrones. Há também tribos nômades e fenômenos inexplicáveis.

Mas, fica claro logo de cara, que o tom agora é muito diferente: não espere banhos de sangue, sexo e violência dessa vez. Entretanto, existem aqui também temas densos a serem explorado: o ponto de partida da série é quando Lyra parte ao lado da misteriosa Marisa Coulter (Ruth Wilson) da faculdade onde mora em busca de seu amigo perdido, que ela acredita ter sido sequestrado, o que logo a leva a uma rede de intrigas que ela não imaginava.

Existe também um outro ponto crucial: a crítica religiosa, um dos principais pontos da obra de Pullmann, que foi suavizado no malfadado filme A Bússola de Ouro, com Daniel Carig e Nicole Kidman. Aqui, a igreja é a vilã da história, personificada no Magisterium, uma organização que comanda o mundo de Lyra com pulso de ferro. Para se ter uma ideia, o presidente da Liga Católica dos Estados Unidos, William A. Donohue, já descreveu a obra de Pullman como "ateísmo para crianças".

A série da HBO parece mais disposta a tocar nestes assuntos, dado os diálogos do primeiro episódio, que às vezes beiram o didatismo, mas fazem um bom trabalho de apresentar o mundo mágico e fascinante da série, em bom contraponto ao ritmo às vezes um pouco arrastado da história.

His Dark Materials tem todos os elementos para cativar o público: um mundo intrigante, personagens complexos, interpretações afiadas dos atores, e mistérios a serem resolvidos, tudo isso embalado por uma poderosa trilha sonora e uma abertura de impacto. Mas, é bom que fique claro: essa não é mais Westeros, é outra história.

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