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Sintonia: como ambição por tênis de R$ 1.000 levou Kondzilla para a Netflix

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

07/08/2019 04h00

Fim de 2012, início de 2013. Kondzilla começa a chamar atenção com números expressivos de visualizações em seus clipes de funk. A fama do diretor chega junto com críticas ao universo que ronda o gênero e a vontade de dar uma resposta ainda mais impactante do que os números. Hoje empresário e dono do maior canal do YouTube do Brasil e o segundo maior de música do mundo, com mais de 50 milhões de inscritos, Kondzilla se prepara para estrear na sexta (9) Sintonia, uma série original da Netflix.

"O gatilho disso foi usar a energia que veio contra nós quando nosso trabalho bombou muito", explica Kondzilla ao UOL. Sintonia nasceu da ideia de mostrar três amigos que moram na favela e batalham para juntar R$ 1.000 e comprar o tênis do momento, uma realidade em muitas periferias. O projeto foi pensado inicialmente como um curta-metragem, cogitou-se transformá-lo em um longa-metragem até que virou uma série de seis episódios de 40 minutos cada.

Kondzilla apresentou a história para o diretor de fotografia Felipe Hermini, que viu o potencial para algo maior. Foi ele quem o levou até o roteirista Guilherme Quintela, que viu a possibilidade de mais alguns formatos para a história. Ele então apresentou Kondzilla para seus primos Felipe, Rita e Alice, da produtora Los Bragas, até chegarem ao consenso de que tinham uma série. Em março de 2018 a Netflix anunciava a parceria com o diretor de funk e a produtora da atriz Alice Braga.

Realidade dentro da ficção

Christian Malheiros, Bruna Mascarenhas e Jottapê são Nando, Rita e MC Doni em Sintonia - Rafael Morse/Netflix
Christian Malheiros, Bruna Mascarenhas e Jottapê são Nando, Rita e MC Doni em Sintonia
Imagem: Rafael Morse/Netflix

A história do tênis de R$ 1.000 foi então transformada em algo mais complexo, focando nos três jovens amigos e suas realidades tão diferentes e ao mesmo tempo tão próximas no universo da periferia de São Paulo.

O funk entra em cena representado por Jottapê, ator e MC que já trabalhava com Kondzilla e vira MC Doni em Sintonia. Completam o trio Nando (Christian Malheiros), um rapaz de 18 anos que recorre ao crime para sustentar a filha pequena, e Rita (Bruna Mascarenhas), uma adolescente órfã que se vira como pode para sobreviver e recorre à igreja evangélica nos momentos de aflição.

O elenco ainda conta com atores do projeto de ressocialização da Penitenciária Adriano Marrey, em Guarulhos (SP), que dão ainda mais originalidade à série idealizada para mostrar a real face dos bairros mais periféricos de São Paulo.

"Os personagens que são da cena, do tráfico de drogas na favela, são atores que vieram do projeto. É um trabalho muito sério deles de recuperar essa população do sistema carcerário os inserindo na arte, no teatro. Enfim, a gente trouxe esse universo que é real também. A galera que aprendeu teatro dentro da penitenciária", ressalta Kondzilla.

"É uma história de ficção baseada em mil histórias que já ouvimos na vida. Não é a história de uma instituição, e ao mesmo tempo não é a história de nenhum desses universos. É a história de três amigos que estão inseridos dentro de uma instituição que faz parte de um universo."

Kondzilla orienta atores de Sintonia nos bastidores de gravação da série da Netflix - Rafael Morse/Netflix
Kondzilla orienta atores de Sintonia nos bastidores de gravação da série da Netflix
Imagem: Rafael Morse/Netflix

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado na primeira versão do texto, o canal de Kondzilla no YouTube é o segundo maior de música do mundo na plataforma. O primeiro lugar pertence ao canal T-Series, da Índia. A informação foi corrigida.

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