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João Gordo "reclama" da saúde e ataca "bolsominions" em show do Ratos de Porão em SP

Maurício Dehò

Do UOL, em São Paulo

02/08/2019 09h17

O Ratos de Porão abriu ontem uma sequência de dois shows em São Paulo, no Sesc Pompeia, com o vocalista João Gordo mostrando ainda estar com a língua afiada, apesar de lidar com problemas de saúde, decorrentes de uma pneumonia que o deixou internado por cerca de uma semana em junho. Em diversos momentos, ele se referiu à situação política do país e fez provocações a seguidores do presidente Jair Bolsonaro e ao vice-presidente, general Hamilton Mourão.

A icônica banda de hardcore e metal, que está há 38 anos em atividade, comemora os 30 anos do disco Brasil, tocando-o na íntegra em seus shows, atualizando parte da mensagem passada naquela época, quando o governo era liderado por José Sarney.

Antes das provocações, João Gordo usou uma pausa entre duas músicas, ainda no início do set, para se desculpar. Com 55 anos, ele lembrou ao público que ainda vem se recuperando da internação e citou a "pneumonia que não cura", dizendo ainda ter dificuldades para recuperar a velha forma. "Desculpa se está um pouco devagar", afirmou o vocalista, que, apesar da fala, não demonstrou fragilidade à frente do microfone. "Ser velho é ruim, dói tudo", acrescentou, em outro momento.

Deu tudo errado

Uma das principais músicas do disco Brasil é Plano Furado II - uma sequência a Plano Furado, do disco Cada Dia Mais Sujo e Agressivo -, em que João Gordo canta originalmente:

Hei Ribamar
Olhe só o que você fez
Sua cabeça vai rolar
Se der errado outra vez

No Sesc, João Gordo introduziu a canção dizendo que tudo "deu errado... de novo!", referindo-se ao cenário político atual. E mudou a letra: "Hei bolsominion / Olhe só o que você fez / Votou num filho da puta / E fudeu tudo outra vez". Bolsominion é uma forma pejorativa para se referir aos apoiadores de Bolsonaro.

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

Pouco depois, apresentou outra música dizendo: "Essa música que a gente vai tocar agora não fazia sentido nenhum há 30 anos. Agora, faz todo sentido. A gente chama de melô do 'bolsominion'". Ele se referia a Vida Animal, em que versa: "Mas você não vai se arrepender / De ter sido anormal / Sua mente é psicótica / Seu coração é muito mal."

Por fim, Gordo ainda citou o general Mourão ao dedicar a ele a faixa Vida de Militar.

O Ratos de Porão ainda conta com o guitarrista Jão - ainda mostrando estar em plena forma aos 52 anos -, o baterista Boka e baixista Juninho - que vestiu uma camiseta do MST e usou uma bandeira do movimento pendurada em seu amplificador.

O show no Sesc teve abertura do Surra, banda paulista de "trashpunk" (mistura de thrash metal com punk), que também tem letras ácidas sobre política e o momento da sociedade, como Parabéns aos Envolvidos, sobre o impeachment de Dilma Rousseff, e Não Escolha, que tem versos como "A sociedade somos nós / E não meia-dúzia de velho playboy / Dizendo o que devemos vestir, comer, pensar, fazer".

Surra e Ratos de Porão fazem a segunda e final apresentação desta série no Sesc Pompeia hoje, às 21h30. Os ingressos já estão esgotados - a exemplo de ontem, quando a apresentação também foi com casa lotada.

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