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Sem congratulações, cineastas vencedores em Cannes oferecem sessão a Bolsonaro

Karim Aïnouz, Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles e Rodrigo Teixeira (esq. para dir.) no Conversa com Bial - Divulgação/TV Globo
Karim Aïnouz, Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles e Rodrigo Teixeira (esq. para dir.) no Conversa com Bial Imagem: Divulgação/TV Globo

Maurício Dehò

Do UOL, em São Paulo

05/07/2019 09h22

Apesar de duas vitórias brasileiras no Festival de Cannes, por Bacurau e A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, nenhum dos quatro cineastas envolvidos nas produções recebeu congratulações do governo federal. Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles, Karim Aïnouz e Rodrigo Teixeira foram convidados do programa Conversa com Bial, de Pedro Bial, na TV Globo, e falaram da boa fase do cinema nacional.

Kleber Mendonça, parceiro de Juliano Dorneles em Bacurau, chegou a oferecer uma sessão para o presidente Jair Bolsonaro assistir ao seu filme.

"O presidente tem todo direito de ver o filme e espero que goste. Se ele quiser, pode ver quando entrar em cartaz ou talvez a gente arranje uma sessão para ele. É importante que eles entendam o trabalho que é feito em cinema no Brasil", disse o diretor.

Mendonça acusa o governo de dificultar o trabalho audiovisual no país. "O artista brasileiro trabalha tanto quanto médico, professor, motorista de ônibus. São todas funções absolutamente essenciais para a sociedade. Nós trabalhos 10 anos em Bacurau", afirmou ele. Juliano acrescentou: "O retorno é enorme. Eles reclamam de subsídio, mas tudo que se faz tem subsídio, muito mais do que no cinema. A gente representa uma ameaça porque faz pensar, que gera ideia, que gera crítica."

Bacurau venceu o prêmio do júri do Festival de Cannes, terceira categoria mais importante do evento. Uma ode ao Nordeste, o filme traz uma cidade em que assassinatos começam a acontecer e a população local se une para resistir, mesmo que, para isso, precisem ser tão violentos e sanguinários como os grupos interessados em dizimar o local.

Veja o trailer de "Bacurau"

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A Vida Invisível de Eurídice Gusmão ganhou o prêmio Um Certo Olhar, de Cannes, sendo o primeiro filme brasileiro consagrado na competição paralela do evento. A direção é de Karim Ainouz, com produção de Rodrigo Teixeira. Ele traz a história de duas irmãs que tentam se encontrar anos após serem separadas.

"O filme foi se tornando cada vez mais importante porque acho que antes de tudo ele denuncia um pouco como o patriarcado, o machismo, pode ser tão tóxico", explica Ainouz.

Veja o trailer de "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão"

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Disputa do Oscar

Questionados por Bial sobre as chances de disputar o Oscar, Rodrigo Teixeira explicou: "Abriu uma hipótese: cinco vão ser selecionados pelos países e quatro serão selecionados por um comitê por excelência lá fora. Então, existe a possibilidade de dois serem selecionados para o Brasil. Isso é novo."

Karim, disse que a vitória em Cannes é tão valiosa quanto seria ter um prêmio da Academia. "Eu acho que a gente já ganhou o Oscar juntos, que foram os prêmios que a gente ganhou em Cannes. Eu acho que é muito importante celebrar esses filmes juntos."

Bacurau estreia nos cinemas brasileiros em 29 de agosto. A Vida Invisível de Eurídice Gusmão ainda não tem previsão de data.

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