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INXS: Filme refuta morte de Hutchence por asfixia sexual e revela acidente

Michael Hutchence - Getty Images
Michael Hutchence Imagem: Getty Images

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

19/05/2020 13h12Atualizada em 23/05/2020 10h52

De que Michael Hutchence, do INXS, realmente morreu? Por anos, a teoria de que o vocalista teria cometido asfixia sexual, uma perigosa prática de masturbação, foi propagada por fãs e pela ex-companheira do músico, a apresentadora britânica Paula Yates. Mas o documentário "Mystify: Michael Hutchence" (2019), recém-chegado à Netflix, oferece outra perspectiva da história, com um mergulho profundo no psicológico do artista.

Dirigido pelo australiano Richard Lowenstein, que comandou clipes do INXS, o filme defende que o ele foi levado ao suicídio devido a um avançado quadro de depressão, que era menosprezado por pessoas a seu redor. E um episódio em especial, até então desconhecido por fãs, serviu de gatilho para a tragédia ocorrida em um quarto de hotel na Austrália no dia 22 de novembro de 1997.

Houve um grave acidente

"Mystify" retrata morte do músico como resultado de um intenso declínio emocional que teve início em 1992. Segundo relato da modelo Helena Christensen, sua namorada na época, ele foi agredido por um taxista quando o casal fazia um passeio de bicicleta em Copenhague, na Dinamarca. Depois de bloquear uma rua estreita —eles tinham saído para comprar pizza—, o vocalista do INXS foi derrubado e bateu fortemente com a cabeça na guia da calçada.

"Ele ficou inconsciente no chão e o sangue saía pela boca e ouvido. Pensei que estivesse morto. Quando acordou no hospital, ficou tão violento que os enfermeiros o deixaram ir embora sem fazer mais exames", diz Helena, única pessoa que sabia das consequências do ferimento, que acarretou em sérios traumas neurológicos em Hutchence. Ele perdeu o olfato, paladar e aos poucos se tornou uma pessoa violenta, bipolar e depressiva.

Michael Hutchence, vocalista do INXS, durante show da banda em 19 de janeiro de 1991, no Rock In Rio - Luciana Whitaker/Folhapress
Michael Hutchence, vocalista do INXS, durante show da banda em 19 de janeiro de 1991, no Rock In Rio
Imagem: Luciana Whitaker/Folhapress

Luta para ficar com filha e 'enteadas'

Este é outro ponto preponderante na derrocada de Michael em meados dos anos 1990. Nessa época, ele vivia um relacionamento extraconjugal em Londres com Paula Yates, ex de Bob Geldof (criador do Live Aid), ao lado das duas filhas do casal. Juntos, eles tiveram mais uma filha, Tiger. Isso virou um prato cheio para os tabloides britânicos. Especialmente depois que uma funcionária descobriu a presença de ópio na casa. Michael era viciado em ecstasy, cocaína e antidepressivos.

Com a repercussão da notícia, Geldof pediu oficialmente o divórcio e recorreu aos tribunais para obter a guarda das filhas, o que mexeu profundamente com o músico, que tinha o desejo de construir uma família. Pouco antes de morrer, por sinal, ele queria levar as "enteadas" e a filha para uma turnê do INXS na Austrália, o que lhe foi negado pela Justiça.

Falta de confiança no trabalho

Depois de estourar mundialmente, o INXS passou quatro anos sem lançar discos de estúdio, entre 1993 e 1997, e esse período levou os integrantes a uma espécie de ostracismo. Apresentações em estádios deram lugar a apresentações em casas de shows acanhadas. Críticos escreviam que o grupo australiano, ao contrário do U2 —Michael e Bono eram amigos—, já havia saído de moda e provado que jamais conseguiria ser artisticamente relevante novamente.

Esse cenário minou a confiança da banda e de seu líder, que passou a questionar as próprias qualidades. Um episódio emblemático desse processo aconteceu na entrega do Brit Awards de 1996, quando Noel Gallagher, do Oasis, humilhou Hutchence ao receber dele o prêmio de melhor videoclipe, por "Wonderwall". "Aqueles que saíram de moda não deveriam entregar prêmios aos novos", disse o guitarrista do Oasis, para o espanto de todos.

Um Don Juan que terminou sozinho

Além de ótimo vocalista, Michael Hutchence era um homem irremediavelmente sedutor. E nenhuma das parceiras entrevistadas em "Mystify", entre elas a cantora Kylie Minogue, nega a lenda amorosa do artista. O problema é que, no fim da vida, seu relacionamento conturbado com Paula Yates, que em 2000 morreria vítima de overdose de heroína, lhe trouxe sérias consequências. Entre elas, o isolamento social e também o convívio com colegas de banda.

As horas que antecedem o suicídio em um quarto do hotel, mostradas no filme como um pedido de socorro, dão corpo a essa teoria. Michael, que está sozinho e já havia demonstrado graves problemas psicológicos, fala ao telefone com a amiga Erin, com Paula, Geldof —implorando que permitisse ver filha e "enteadas"— e tenta sem sucesso conversar com a empresária Martha Trump, sendo obrigado a deixar uma mensagem gravada.

Divulgação
Imagem: Divulgação

Seu corpo foi encontrado algumas horas depois, por uma camareira que forçou a entrada no quarto no final da manhã. "Considerando a integridade da evidência, estou convencido que Michael Hutchence decidiu e tirou sua própria vida se enforcando", diz o relatório do médico legista mostrado no filme. A autópsia revelou duas áreas de danos cerebrais graves causados pelo acidente cinco anos antes, que fora mantido em segredo.

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