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Fã de Jaspion, cantor viaja ao Japão e conhece pedreira com ator da série

Ricardo Cruz na pedreira japonesa onde foram gravados Jaspion e outros tokusatsus - Montagem/UOL/Reprodução/YouTube/Ricardo Cruz/Divulgação/Toei Company
Ricardo Cruz na pedreira japonesa onde foram gravados Jaspion e outros tokusatsus Imagem: Montagem/UOL/Reprodução/YouTube/Ricardo Cruz/Divulgação/Toei Company

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

29/12/2019 04h00

Resumo da notícia

  • O cantor Ricardo Cruz realizou o sonho de conhecer a pedreira onde foram gravados Jaspion e outras séries japonesas
  • Ele visitou duas vezes o set de filmagem de Jaspion; na segunda, foi acompanhado do ator Hiroshi Watari, Boomerman na série
  • Ricardo Cruz se dispôs a ajudar na produção do filme brasileiro de Jaspion, mas como fã "exige" uma cena na pedreira

Prestes a sair do papel, Jaspion - O Filme será ambientado no Brasil, mais precisamente em São Paulo, mas os fãs já torcem para o longa-metragem ser rodado em outras locações icônicas da série, como a pedreira original onde o herói derrotou os inimigos com sua Spadium Laser. Um brasileiro já pisou neste solo sagrado (e pedregoso): Ricardo Cruz, único cantor ocidental da banda japonesa JAM Project.

A carreira de Ricardo Cruz está intimamente ligada à pedreira utilizada pela Toei, produtora de tokusatsus —como são chamadas as séries japonesas, como Jaspion. Fanático pelas produções asiáticas, ele completou o colegial (atual Ensino Médio) em uma escola de Tóquio, apenas para respirar o mesmo ar de seus heróis. Naquele 1999, com 17 anos, realizou o sonho de visitar a pedreira mágica.

"Eu estava hospedado na casa de uma família japonesa, e tinha comprado uma enciclopédia com todos os monstros das séries produzidas no Japão. No livro, havia o endereço da pedreira e pedi para a mãe da família tentar me levar até lá. Ela abraçou a ideia, mas ligou antes e explicou que um brasileiro queria visitar a pedreira. Foi incrível, surreal. Fiquei emocionado, em silêncio, mal respondia o pessoal porque estava fascinado", recorda Ricardo Cruz ao UOL.

Havia uma certa solenidade, uma coisa meio filosófica. Tinha um peso estar ali, hoje mais ainda, porque eu estava no lugar que indiretamente me levou a ter a vida que tenho. Aquele lugar é a inspiração original para tudo isso ter acontecido. É um ponto de meditação, de reflexão. É um lugar incrível, muito importante, para o qual quero voltar muitas e muitas vezes

Cena de O Fantástico Jaspion - Divulgação/Toei Company
Cena de O Fantástico Jaspion
Imagem: Divulgação/Toei Company

Visita com ator de Jaspion

De volta ao Brasil, o jovem Ricardo Cruz transformou o fanatismo em trabalho. Seu primeiro emprego foi com Nelson Sato, presidente da Sato Company e idealizador do filme de Jaspion. Também foi jornalista, é cantor e professor de japonês. Em 2003, participou da criação do primeiro grande evento de cultura pop japonesa: o Anime Friends, que trouxe atores e cantores asiáticos pela primeira vez ao país.

Ricardo Cruz visita pedreira de Jaspion com o ator Hiroshi Watari - Reprodução/YouTube/Ricardo Cruz
Ricardo Cruz visita pedreira de Jaspion com o ator Hiroshi Watari
Imagem: Reprodução/YouTube/Ricardo Cruz
Um dos astros dos tokusatsus, Hiroshi Watari, tornou-se amigo de Ricardo Cruz, que até sai para beber com o intérprete dos heróis Sharivan e Spielvan quando viaja ao Japão. O ator, que também deu vida a Boomerman em Jaspion, ajudou o brasileiro a retornar à pedreira em fevereiro deste ano.

"Combinamos e peguei a câmera. Decidi documentar saindo de Tóquio e chegando à pedreira [assista abaixo]. Durante a viagem, ficamos conversando sobre as experiências dele sendo esses heróis. Foi uma outra história, com outro impacto, já mais velho. A pedreira está diferente, extraíram pedras, e os morros e penhascos que vimos nas séries estão mais baixos. Mas o clima todo está lá, as montanhas têm o mesmo aspecto. Foi muito incrível estar lá com ele", celebra o cantor.

Filme na pedreira?

Ricardo Cruz está ansioso pelo filme de Jaspion, que está em fase de elaboração do roteiro. O cantor de 37 anos se dispôs a ajudar na consultoria e na parte criativa, participando da trilha sonora do longa-metragem. Como fã, ele "exige" uma cena na pedreira clássica.

"É obrigação. Que peguem uma grana e guardem, porque algumas locações icônicas merecem ter espaço. Há uma caverna famosa, uma pedreira, uma ponte, vários lugares que deveriam estar no filme", sugere o cantor, que entende as dificuldades de produzir um filme de ação no Brasil.

"Não temos uma Hollywood em operação, de colocar o filme em uma esteira e em um ano estar pronto, ainda mais um filme desse, que envolve efeitos especiais e exige um know-how que não existe no Brasil. Há uma dificuldade ainda maior com a falta de incentivo do governo atual, em que a cultura está um pouco de escanteio e é um filme caríssimo. Espero muito que o diretor supere os desafios e estou do lado dele para o que precisar", afirma.

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