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Como Jaspion brasileiro parou nas mãos de um diretor de comédia romântica

Cena de O Fantástico Jaspion - Divulgação/Toei Company
Cena de O Fantástico Jaspion Imagem: Divulgação/Toei Company

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

20/12/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Jaspion - O Filme será o primeiro filme de ação de Rodrigo Bernardo, mais conhecido por comédias românticas
  • O cineasta convenceu Nelson Sato, detentor dos direitos de Jaspion no Brasil, dizendo ser grande fã da série japonesa
  • O filme, que será ambientado em São Paulo, está em fase de elaboração de roteiro e atualizará o herói para as novas gerações

Jaspion - O Filme ainda não tem data para estrear, mas já "renasceu" no Brasil. Os leitores do UOL elegeram como melhor anúncio da CCXP 2019 o longa-metragem nacional sobre o herói japonês, produzido pela Sato Company, de São Paulo. A vitória expressiva (80,06%) no Geek Awards empolgou o chefão da empresa, Nelson Sato, e o diretor do filme, Rodrigo Bernardo.

"O Superman apareceu na CCXP e ganhamos dele", brinca o cineasta ao UOL, citando a aparição surpresa de Henry Cavill no evento, realizado há duas semanas, para divulgar a série The Witcher, da Netflix.

Apesar da expectativa dos fãs, o anúncio na Comic Con Experience avançou pouco em relação à primeira divulgação do filme, em fevereiro de 2018. A principal novidade está na direção. Rodrigo Bernardo será o responsável por resgatar a nostalgia em torno do herói dos anos 1980 e, ao mesmo tempo, atrair público mais jovem.

Pelo currículo de Bernardo, não é possível analisar o que o credencia para dirigir o filme de Jaspion, mas Nelson Sato procurou o cineasta após dois trabalhos bem-sucedidos: o longa-metragem Talvez Uma História de Amor (2018) e a série (Des)Encontros, exibida no canal Sony para a América Latina, também no ano passado.

Nelson Sato e Rodrigo Bernardo no Emmy Internacional - Reprodução/iEmmys
Nelson Sato e Rodrigo Bernardo no Emmy Internacional
Imagem: Reprodução/iEmmys

Laço de família

Embora tenham ligação familiar —Bernardo namora a atriz Jacqueline Sato, filha de Nelson Sato—, o chefão da companhia só entregou seu projeto mais audacioso nas mãos do genro depois de ter certeza que ele o trataria com o carinho de um fã, o que Bernardo provou ser na CCXP, ao dizer que Jaspion foi o herói de sua infância em Santos (SP).

"Conversei com outros diretores, mas gostei da busca dele por qualidade. Talvez Uma História de Amor me impactou porque ele tomou muito cuidado para dirigi-lo. Ele ficou sabendo do Jaspion, se propôs a fazer porque era fã desde criança, mas sempre fiquei na dúvida: 'Esse cara sempre fez comédia romântica, será que ele sabe fazer filme de ação?'", revela Sato.

Cena da série O Fantástico Jaspion - Reprodução
Cena da série O Fantástico Jaspion
Imagem: Reprodução
Bernardo convenceu Sato dando como exemplo os irmãos Anthony e Joe Russo, diretores da franquia Vingadores, que antes dirigiram comédias românticas como Dois É Bom, Três É Demais (2006). "E eu sou fã. Não vou jamais fazer uma coisa que vá realmente contra, se você me der a oportunidade", finalizou o cineasta ao sogro, que conseguiu o posto dos sonhos.

"Disse que estava à disposição com minha produtora, queria fazer de alguma forma, seja carregando caixa seja dirigindo. Passou um tempo, entrei em outros projetos, e no início deste ano decidi propor uma ideia. Escrevi 15 páginas do que seria o filme que imagino para o Jaspion. É surreal. Teve uma hora em que eu estava todo focado, anotando, e do nada escrevo: 'Daileon' [robô de Jaspion]. Caraca! Fiquei louco!", comemora Bernardo.

Cena de O Fantástico Jaspion - Divulgação/Toei Company
Cena de O Fantástico Jaspion
Imagem: Divulgação/Toei Company

Como está o Jaspion brasileiro

O passo seguinte foi enviar o argumento para Shinichiro Shirakura, produtor-executivo da franquia Kamen Rider, outro sucesso japonês no Brasil. O profissional trabalha no conselho da Toei Company, detentora dos direitos de Jaspion e coprodutora do filme brasileiro de Jaspion. Ele aprovou o pré-roteiro de Rodrigo Bernardo e deu aval para o início da execução do projeto.

Atualmente, o cineasta escreve o roteiro, que deve ser entregue ao executivo japonês ainda no primeiro trimestre. Após a aprovação da Toei, será possível escalar o elenco e iniciar as filmagens em São Paulo.

"O japonês fala muito de fazer de passo a passo. É um baita desafio, mas vamos fazer no tempo certo, não vamos correr senão fica ruim, e tem que ficar muito bom. Estamos começando a levantar o roteiro agora. Temos o primeiro argumento: como seria o Jaspion em 2020. Definimos não mexer na série, no que é tão precioso para todo mundo. É uma continuação, vamos começar de onde a série acabou. Não é remake nem reboot", explica Bernardo.

Não é remake nem reboot

O cineasta também está assistindo a episódios para anotar as referências mais lembradas pelos fãs e promete muita tecnologia: "Podemos brincar com a nostalgia e colocar uma luta na pedreira, mas na outra sala da cinema temos Marvel e DC. Precisamos ter cenas para valer de efeitos especiais, nossos olhos se acostumaram, não dá para enganar mais a galera com soquinhos no ar e pedras de isopor".

Paralelamente, Nelson Sato tem estudado como financiar o filme. "Há empresas interessadas, mas mesmo com aporte de leis de incentivo elas recolhiam menos impostos, então havia menos dinheiro no mercado. Preferi esperar mudar o governo. O mercado ainda está em mudança, mas o projeto continua. Viajei aos Estados Unidos para ver como funciona o mercado americano, há muitas empresas de investimento que não dependem do governo, embora haja incentivos de produção", explica.

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