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Por que o Professor de La Casa de Papel é um boy lixo

La Casa de Papel: Professor e Raquel discutem em cena da terceira parte da série - Reprodução/Netflix
La Casa de Papel: Professor e Raquel discutem em cena da terceira parte da série Imagem: Reprodução/Netflix

Felipe Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

30/07/2019 04h00

Um dos personagens mais queridos de La Casa de Papel, Sergio Marquina (Álvaro Morte), o Professor, atravessa um dos momentos de maior tensão na terceira parte da série da Netflix. Pela primeira vez, ele se vê tendo de dividir as decisões do grupo com outra pessoa, o que está levando-o a demonstrar um comportamento machista e condenável.

Acostumado a comandar os assaltantes à distância do alvo, que desta vez é o Banco da Espanha, o Professor tem agora ao seu lado a ex-adversária Raquel Murillo (Itziar Ituño), que nas duas primeiras partes da série vivia com ele um jogo de gato e rato.

Lisboa, a ex-inspetora Raquel, em pôster da parte 3 de La Casa de Papel - Divulgação
Lisboa, a ex-inspetora Raquel, em pôster da parte 3 de La Casa de Papel
Imagem: Divulgação
Sem saber exatamente como lidar com a sua mais nova aliada, por quem tem uma ligação inclusive sentimental, Sergio acaba humilhando aquela que ele mesmo reconhece como seu primeiro grande amor.

Na posição de cérebro do bando, o Professor não aceita ser confrontado por Lisboa, como Raquel passou a se chamar. Ela fica perplexa quando ele sugere a Tóquio (Úrsula Corberó) que aja com naturalidade e transe com Rio (Miguel Herránpara) para que os investigadores não desconfiem que eles já sabem do chip implantado no corpo do bandido, que anteriormente havia sido capturado e torturado nas mãos da polícia.

A verdade é que o Professor não enxerga em Raquel o motivo de ela estar ali, com ele, no novo plano de desafiar o sistema. Em um momento de discussão, a ex-inspetora o lembra do que parece ser óbvio: "Estou aqui porque conheço a polícia melhor do que você".

Mas o "lobo solitário", como a ex-inspetora o descreve, comete o erro do "macho superior", subjugando a expertise de alguém mais competente do que ele -- no caso, em conhecimento do adversário. E ele, sempre controlador, não aceita ser contestado por uma mulher. E a qual a reação dele? Ele a humilha.

Aquele cara inteligente, sagaz e até solidário, que faz de tudo pelo bem do grupo, tem todas as suas qualidades subtraídas por um comportamento machista. Ele se revela como um verdadeiro boy lixo, um cara aparentemente bacana, mas que suga a autoestima de sua parceira. "Eu venci você, Raquel", diz ele, ignorando que a paixão dos dois os fez chegar até ali.

Raquel possuía uma vida estável como inspetora da polícia e largou mão de tudo, arriscando a própria vida, da mãe e da filha ao se permitir viver um amor impossível aos olhos da sociedade, inclusive fora da lei. E por isso não é para menos a decepção. "Você arruinou minha vida", reconhece Raquel.

Os dois acabam se entendendo e o Professor até se desculpa, mas aquela imagem positiva lamentavelmente fica arranhada. O que resta é aguardar a quarta parte de La Casa de Papel para sabermos se ele vai evoluir para deixar de ser um boy lixo.

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