PUBLICIDADE
Topo

Faz sentido Daenerys enlouquecer em "Game of Thrones"?

Daenerys (Emilia Clarke) ao lado de Drogon em cena do quarto episódio da oitava temporada de "Game of Thrones" - Divulgação
Daenerys (Emilia Clarke) ao lado de Drogon em cena do quarto episódio da oitava temporada de "Game of Thrones"
Imagem: Divulgação

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

09/05/2019 11h13

ATENÇÃO: O texto abaixo contém spoilers de "Game of Thrones". Não leia se não quiser saber o que acontece.

"The Last of the Starks", o quarto episódio da oitava temporada de "Game of Thrones", flertou com uma teoria que há muito tempo circula entre os fãs: a de que Daenerys (Emilia Clarke) poderia ficar louca tal qual seu pai, o rei Aerys, que queria queimar toda Porto Real antes de ser morto por Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau). Mas, com base no que vimos da Mãe dos Dragões até agora, é realmente provável que ela perca a sanidade a essa altura da série?

Além da Muralha #4: Daenerys vai enlouquecer em "Game of Thrones"?

UOL Entretenimento

No último episódio, os showrunners David Benioff e D.B. Weiss parecem nos querer fazer acreditar que sim, Daenerys está a um passo de enlouquecer. Ela apareceu como uma líder impulsiva, que rejeitou o conselho de deixar suas tropas descansarem e ainda se mostrou disposta a qualquer coisa para tirar Cersei (Lena Headey) do Trono de Ferro. Suas duas grandes perdas, a do dragão Rhaegal e a de sua melhor amiga, Missandei (Nathalie Emmanuel), pareceram a empurrar ainda mais por esse caminho.

Ao longo da trajetória de Daenerys na série, uma das grandes questões da personagem foi lidar com as consequências de seu senso de justiça e do tratamento violento dado por ela aos inimigos. Ela sempre foi "fogo e sangue", como ficou claro desde o momento em que ela ordenou os Imaculados a matarem os mestres de escravos de Astapor, mas foi obrigada, em mais de uma ocasião, a encarar as consequências de seus atos.

Na quarta temporada, após se deparar com as crianças crucificadas em Meereen, ela fez o mesmo com os mestres de escravos que haviam ordenado o crime - só para depois descobrir que, na verdade, parte deles havia se oposto à morte das crianças. Uma situação semelhante aconteceu na atual temporada: Daenerys ficou claramente abalada após revelar a Sam (John Bradley) que havia queimado seu pai e seu irmão quando eles se recusaram a ajoelhar perante ela, após a derrota na batalha da Campina, no sétimo ano.

Daenerys pode ser radical em suas ações e, em muitas vezes, precisar de conselheiros mais moderados, como Tyrion (Peter Dinklage), para conter seus impulsos mais violentos e balizar sua conduta; da forma como sua trajetória foi estabelecida, porém, ela sempre esteve do lado das heroínas da série, apesar de suas falhas. Confrontada com as consequências de suas ações, ela se questiona e demonstra claramente seu desconforto. E, vale lembrar, a rainha demonstrou altruísmo ao pausar momentaneamente sua busca pelo Trono de Ferro para ajudar na batalha contra os mortos, no Norte.

Em sua reta final, no entanto, "Game of Thrones" deixou a Khaleesi vulnerável como nunca: ela perdeu dois dragões, seu fiel escudeiro Jorah (Iain Glen) e Missandei; viu o homem que ama, Jon Snow (Kit Harington), revelar que tem mais direito ao Trono de Ferro do que ela; e percebeu que, apesar de todos os seus esforços, ela está isolada e quase sem qualquer apoio nos Sete Reinos.

Não é de se estranhar que, neste ponto, Daenerys esteja insegura e com raiva, justificadamente. É uma combinação explosiva, mas empurrar a personagem para a loucura, com apenas dois episódios para o fim, seria a solução mais pobre e simplista para sua trajetória em "Game of Thrones", contrariando o próprio histórico da série.

Resta, agora, esperar. O penúltimo episódio, que vai ao ar neste domingo e trará o resultado do embate contra as forças de Cersei, será determinante para selar o destino de Daenerys na saga épica da HBO.