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Arctic Monkeys no Lolla: "Há um lado solitário em ser atração principal"

Arctic Monkeys: Matt Helders, Alex Turner, Nick O"Malley e Jamie Cook - Divulgação
Arctic Monkeys: Matt Helders, Alex Turner, Nick O'Malley e Jamie Cook Imagem: Divulgação

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

03/04/2019 04h00

Sensação do rock da última década, o Arctic Monkeys chegou a um momento crucial em 2018, com o lançamento de "Tranquility Base Hotel & Casino", álbum mais experimental e menos roqueiro da banda, inspirado em Ennio Morricone, Lô Borges, entre vários outros.

A abordagem "madura" dividiu a opinião de fãs, instigou a crítica e, mais do que isso, assinalou mais uma nova guinada na carreira dos músicos, agora na casa dos 30. O que faltava? Apresentar o repertório no Brasil.

Sem (muita) demagogia: nosso país mora no lado esquerdo do peito dos Arctic Monkeys. Foi aqui, em 2007, no extinto Tim Festival, que o grupo fez seu primeiro grande show fora da Inglaterra, quando os integrantes se deram conta de seu fenômeno global.

O reencontro com os brasileiros acontece depois de amanhã, no encerramento do primeiro dia do Lollapalooza, no autódromo de Interlagos, sete anos após Alex Turner e cia protagonizarem uma das grandes apresentações da primeira edição nacional do festival. Para eles, a volta vem em boa hora.

"Para nós, é incrível chegar a esse nível, de ser atração principal de um festival desse tamanho, num país como o Brasil. Temos a sorte de estar nessa posição na América do Sul. E é empolgante e uma honra poder voar pelo mundo e ter a chance de conhecer toda essa gente", diz ao UOL o baterista Matt Helders.

Matt Helders, baterista do Arctic Monkeys - Joseph Branston/Rhythm Magazine via Getty Images
Matt Helders, baterista do Arctic Monkeys
Imagem: Joseph Branston/Rhythm Magazine via Getty Images

UOL - Artistas internacionais amam tocar para o público brasileiro, que costuma ser descrito como apaixonado. Por que isso acontece?

Matt Helders - Acho que o Brasil é um lugar especial em que as pessoas realmente se importam com você. Elas apreciam o fato de você ter viajado horas e horas para chegar na frente delas e tocar. Somos muito gratos por ter a oportunidade de fazer isso. É um sentimento de mão dupla.

No Brasil, há muita música por todos os lugares. Há muito ritmo nas pessoas. Acho que essa é uma das razões para as pessoas serem como são. Temos uma base de fãs muito apaixonada no país. Vocês são obcecados pela música, mas de um jeito bom.

Sendo atração principal, dá tempo para curtir o festival? Ver outras bandas, trocar ideias com músicos?

Algumas vezes, dá para chegar antes, curtir e ver alguns shows que queremos ver. Mas depende do festival. A verdade é que ser a atração principal tem sempre um lado meio solitário. Porque você costuma chegar próximo ao horário do show e precisa ir embora logo depois. Mas quem sabe? Vamos ver o que acontecerá desta vez.

Muitos fãs estranharam o último disco da banda, "Tranquility Base Hotel & Casino". Alguns o criticaram por ser rock o suficiente. Como vocês lidaram com esse tipo de comentário?

Eu entendo quem achou isso do disco. Mas a ideia de todos nós, desde o início, era fazer algo diferente. E acho que conseguimos. Acabou se tornando foi uma evolução natural para nós. O fato é que você nunca sabe muito bem como ele soará antes de entrar em estúdio. Você tem só algumas ideias e tudo se desenvolve ali dentro. Mas nós sabíamos que o álbum provocaria esse tipo de reação. É um disco importante para a banda, e foi importante para nós termos a liberdade para criá-lo.

Jim Dyson/Getty Images
Imagem: Jim Dyson/Getty Images

O vocalista Alex Turner fez uma lista de artistas que influenciaram o disco e incluiu brasileiro Lô Borges, o que surpreendeu muita gente no Brasil. Você o conhecia?

Não conhecia. O Alex tem um gosto diverso, que é sempre surpreendente. Mas não conhecia.

Entrevistei o Lô Borges recentemente, e ele disse que não conhecia Arctic Monkeys, mas que começou a ouvir e adorou. Disse até que seus próximos trabalhos podem ter influência da banda.

Uau! Isso é realmente algo incrível de se ouvir. É muito legal que tenha acontecido.

Mudando de assunto, você tocou como músico convidado no último disco da Lady Gaga, "Joanne" (2016). Como foi parar nele?

Foi uma experiência boa e divertida, que pintou no último minuto. Josh Homme e Mark Ronson estavam envolvidos no disco, e eu encontrei com Josh numa festa de aniversário no dia anterior. Ele veio e perguntou: "O que você vai fazer amanhã? Eu preciso de um baterista". Perguntei para o que seria. E ele disse "Lady Gaga!". Eu comecei a rir porque achei que ele estava brincando (risos). Depois disse "OK", e tudo durou um dia em estúdio. Gravei duas músicas.

Como é a Lady Gaga em estúdio?

Ela é demais. Uma artista que se envolve muito no processo de gravação e participa de tudo. Eu não escutei o disco todo, mas os compositores que participaram dele são muito bons, como Kevin [Parker], do Tame Impala, e o Mark Ronson. Tudo o que eles tocam viram ouro. Tanto ele quanto o Josh são músicos muito interessados na parte rítmica das músicas, o que é ótimo para um baterista.

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