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Para Todos os Garotos que Já Amei: Netflix ressuscita filmes "de Sessão da Tarde"

Natalia Engler

Do UOL, em São Paulo

17/08/2018 04h00

Se você acha que Hollywood só olha para os adolescentes quando quer bater recordes de bilheteria com filmes de super-heróis, é porque não tem prestado atenção no catálogo da Netflix. Com filmes como "A Barraca do Beijo" e "Para Todos os Garotos que Já Amei", que estreia nesta sexta (17), a gigante do streaming tem discretamente ressuscitado um gênero que andava em baixa desde o início dos anos 2000: filmes centrados na vida de jovens, daquele tipo que a gente vê e revê incontáveis vezes na Sessão da Tarde.

É bom lembrar que aqui não estamos falando de fantasias e ficções científicas distópicas como “Crepúsculo”, “Jogos Vorazes” e “Divergente”, mas de produções mais leves, que tratam do universo de gente normal, que ainda está no colégio e vive as ansiedades, descobertas e “primeiras vezes” típicas dessa fase

"A Barraca do Beijo", que chegou em maio à Netflix e se tornou um de seus filmes mais assistidos no mundo (segundo o diretor de conteúdo Ted Sarandos), é só o exemplo de maior sucesso, mas não está sozinho: outros três filmes do gênero foram lançados só no primeiro semestre deste ano –"Alex Strangelove", "Dude: A Vida É Assim" e "Doce Argumento".

Em comum, eles têm o cenário –as high schools norte-americanas, equivalentes ao nosso Ensino Médio—, e os temas –primeiros romances ou experiências sexuais e amizade.

Cena do filme "Para Todos os Garotos que Já Amei" - Masha Weisberg/Netflix - Masha Weisberg/Netflix
"Para Todos os Garotos que já Amei"
Imagem: Masha Weisberg/Netflix

No caso de "Para Todos os Garotos que Já Amei", baseado no best-seller de Jenny Han, a história acompanha Lara Jean (Lana Condor), uma garota tímida que escreve cartas secretas para seus crushes e fantasia como seria estar com eles, até que essas cartas são misteriosamente enviadas e ela é obrigada a lidar com o caos que isso cria em sua vida.

Nada disso é exatamente uma grande novidade. "Admiradora Secreta", de 1985, tinha uma trama parecida, e os filmes de John Hughes, como "Curtindo a Vida Adoidado" e "Clube dos Cinco" ainda são lembrados com saudades por quem hoje tem mais de 30 anos. "Patricinhas de Beverly  Hills", "10 Coisas que eu Odeio em Você" e "Meninas Malvadas" também exploraram esse universo e têm lugar cativo no coração de quem viveu a adolescência entre o fim dos anos 1990 e o começo dos anos 2000 (não por acaso, todos eles são clássicos da Sessão da Tarde).

Mas esse tipo de produção estava meio de lado desde que Hollywood decidiu que os adolescentes não queriam saber de histórias mais realistas, o que já não estava dando muito certo há algum tempo –o último filme de "Divergente" acabou nem indo para a tela grande, um exemplo prático do fato de que, nos Estados Unidos, quem tem entre 18 e 24 anos vai cada vez menos ao cinema.

Oportunidade

A Netflix identificou aí uma oportunidade e decidiu se aventurar mais por águas que ela já tinha testado –com sucesso— em séries como "Stranger Things" e "13 Reasons Why".

Foi assim que "A Barraca do Beijo", também baseado em um livro de sucesso, tornou-se o filme da temporada de férias, mesmo sem uma grande campanha de marketing.

"Os filmes de John Hughes e como '10 Coisas que Eu Odeio em Você' foram formativos para mim. Hollywood não está mais fazendo esse tipo de filmes nos últimos anos, e essa é a razão para estarmos tão famintos por eles", declarou o diretor Vince Marcello, em entrevista ao Los Angeles Times.

Jacob Elordi e Joey King em cena do filme "A Barraca do Beijo", da Netflix - Marcos Cruz/Netflix - Marcos Cruz/Netflix
"A Barraca do Beijo"
Imagem: Marcos Cruz/Netflix

Tão famintos que a base de fãs de “A Barraca do Beijo” cresceu rapidamente no boca a boca –ou melhor, no tuíte a tuíte—, e  se tornou um público fiel, do qual um terço assistiu ao filme mais de uma vez.

"Há um nível intenso de engajamento de boa parte desse público. É geralmente uma sensação de propriedade –eu descobri isso, quero dividir com meus amigos, quero assistir de novo e de novo", explicou Ian Bricke, diretor de filmes independentes na Netflix, em entrevista ao Washington Post.

A julgar pelo número de visualizações do trailer apenas no Brasil, "Para Todos os Garotos que Já Amei" tem chances de ir pelo mesmo caminho. As pessoas apertaram o play no canal oficial da Netflix 925 mil vezes, mais do que o trailer da segunda temporada de "Stranger Things" (880 mil).

E em 7 de setembro a plataforma ainda lança "Sierra Burgess É uma Loser", estrelado por uma atriz queridinha de seu público –Shannon Purser, a Barb de "Stranger Things".

O ator Jacob Elordi, o Noah de "A Barraca do Beijo", tem uma teoria sobre o fenômeno: “Todo mundo está tentando ser ousado e sombrio o tempo todo, e isso prova que os jovens ainda querem ser jovens e sonhar um pouco”.

Sessão da Tarde na Netflix

A Barraca do Beijo

Elle (Joey King) é amiga de Lee (Joel Courtney) desde pequena, mas tudo muda quando eles decidem gerenciar a barraca do beijo em uma festa da escola. Ao tentar convencer o irmão mais velho de Lee, Noah (Jacob Elordi) a ser a “atração” da barraca, os dois acabam se aproximando, o que estremece a relação dos dois melhores amigos.

Alex Strangelove

Alex (Daniel Doheny) é um aluno exemplar do último ano do Ensino Médio, com um grande futuro pela frente. A única coisa que falta é perder a virgindade, o que ele pretende fazer com sua namorada Claire (Madeline Weinstein). Mas tudo se complica quando ele conhece um garoto gay e começa a questionar sua própria sexualidade.

Dude: A Vida É Assim

Lily (Lucy Hale), Chloe (Kathryn Prescott), Amelia (Alexandra Shipp) e Rebecca (Awkwafina) são amigas inseparáveis, que curtem muito seu último ano de o colégio. Mas essa época está acabando e elas têm que começar a lidar com os problemas da vida adulta, inclusive a perspectiva de irem estudar em partes diferentes do país.

Doce Argumento

Lona (Sami Gayle) e Bennett (Jacob Latimore) são os campeões de debate de sua escola, mas isso é basicamente tudo que têm em comum. Mas quando têm que se unir para vencer um campeonato estadual –que pode ajudar a entrarem nas universidades de seus sonhos—, descobrem que opostos podem mesmo se atrair.

Sierra Burgess É uma Loser (estreia em 7 de setembro)

Sierra (Shannon Purser) é ótima aluna, mas seus dias no colégio são dificultados pelo fato de não se encaixar nos padrões de beleza. Quando o garoto de seus sonhos manda uma mensagem por engano e eles começam um romance virtual, ela pede ajuda à garota mais popular da escola, e uma improvável amizade começa a nascer.