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Entre aplausos e vaias, Waack diz que protestos indefinidos comprometem mudanças

Mirella Nascimento

Do UOL, em Paraty (RJ)

06/07/2013 23h14

O jornalista William Waack foi vaiado e aplaudido pela plateia de uma mesa que tratou dos protestos e do momento político brasileiro na noite deste sábado (6) na 11ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Nas duas primeiras vezes, o jornalista foi vaiado por interromper as respostas dos convidados. Na terceira, foi ao falar como "jornalista da Rede Globo".

Waack parecia ter conquistado a plateia ao, no começo da mesa, pedir que a organização iluminasse o público. "Estou acostumado a dar boa noite. Mas, ao contrário da televisão, aqui posso ver o rosto das pessoas para as quais estou falando", disse Waack, sob aplausos.
 
Depois da terceira vaia, foi novamente aplaudido ao defender que jornalistas não podem "brigar com a notícia", gostando delas ou não, e ao listar seu currículo de coberturas internacionais.
 
E, em sua última manifestação, foi vaiado e aplaudido ao mesmo tempo ao dizer que, pelo que viu em diferentes países, "movimentos sociais sem uma clara definição e rumo político, em geral, provocam menos mudanças do que as esperanças que esses movimentos despertam".
 
Crise de representação
Na segunda mesa extra na programação da Flip para tratar exclusivamente sobre os protestos e o momento político brasileiro, o filósofo Marcos Nobre e o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, destacaram a crise de representação política como a principal causa dos movimentos que tomaram as ruas, mas com motivações diferentes.
 
Nobre abriu sua fala dizendo que o momento é "histórico", "extraordinário". "O povo retomou pra si o poder que lhe tinha sido usurpado por um sistema político que, ao longo de 20 anos, se blindou contra o poder das ruas", declarou o professor.
 
O filósofo disse que falta no Brasil uma oposição de verdade e que "todos os partidos querem ser o PMDB", para se manter no poder. Ele citou ainda a série de denúncias contra José Sarney em 2009, que foram arquivadas, mantendo-o na presidência do Senado, quando "a sociedade inteira teve a sensação de que não tem mais capacidade de interferir no sistema político".
 
Essa massa disforme dos partidos, que Nobre chamou de "geleia", onde não há uma definição clara de que lado cada um está, fundamenta a ideia de que todos os partidos são iguais. "Uma pessoa que nasceu na década de 90 não sabe o que é inflação alta e nunca viu um sistema político polarizado", afirmou.
 
Para Lara Resende, a crise de representação passa também, e especialmente, pelo executivo, que ao tentar promover o crescimento econômico e sustentar uma rede de proteção social, suga um terço da renda nacional e não devolve o equivalente em serviços de qualidade.  
 
"O Estado brasileiro hoje tem um projeto de país que se tornou anacrônico, que não coincide mais com os anseios da sociedade. E o executivo é brutalmente ineficiente, temos 39 ministros quase autistas", declarou.
 
Resende também destacou o papel da internet em um momento em que há tantas reivindicações de diferentes grupos. "O desagrado vem antes da liderança na internet. Agora, precisa ver que liderança surge. Na internet, eu não preciso da intermediação de ninguém. Mas isso é perigoso. É possível fazer democracia direta?", provocou.
 
Para Nobre, a resposta está em múltiplas formas de representação: "Vão ter espaços de democracia direta, espaço de democracia representativa e outros que misturam os dois. Eu não creio que possa ter um modelo único. E parte disso é perguntar que modelo de representação se quer. O parlamento não vai ter o monopólio da representação".
 
Depois da divisão entre vaias e aplausos para Waak, o filósofo destacou que a plateia da mesa mostrou o mesmo avanço que as manifestações da rua: a convivência lado a lado de pessoas com opiniões diferentes.
 

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