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Como Muhammad Ali inspirou Michael B. Jordan em "Creed 2", dentro e fora do ringue

Brenda Pérez Zapater

De Londres (EUA)

18/01/2019 13h29

Michael B. Jordan sobe mais uma vez ao ringue para protagonizar a segunda parte de "Creed", que estreia no Brasil no próximo dia 24, com um personagem que lembra seu boxeador favorito, Muhammad Ali, que admira não só do ponto de vista esportivo, mas também do pessoal por sua luta ativista.

Dentro do universo de Rocky Balboa, Jordan se identifica mais com Apollo Creed, seu pai na ficção, mas fora dele, explicou sua preferência à Agência Efe em entrevista em Londres. E não hesitou em nomear a lenda do boxe Muhammad Ali como sua inspiração pessoal por seu ativo trabalho a favor das lutas sociais contra o racismo.

Michael B. Jordan e Sylvester Stallone em cena de "Creed II" (2018) - Divulgação - Divulgação
Michael B. Jordan e Sylvester Stallone em cena de "Creed II" (2018)
Imagem: Divulgação

Para filmar "Creed 2", o ator teve que treinar muito duro fisicamente, com o objetivo se transformar em um Adonis Johnson capaz de derrubar a máquina russa Viktor Drago (Florian Munteanu), filho de Ivan Drago (Dolph Lundgren), o boxeador que causou a morte seu pai, Apollo Creed, anos antes, em "Rocky 4" (1985).

Por essa razão, além de ser uma simples competição tão midiática quanto a luta entre Floyd Mayweather e Conor McGregor na vida real, o combate é na ficção um verdadeiro desafio pessoal para o protagonista, que tenta reescrever a história da família dos Drago e dos Creed no ringue.

Além do treino físico, a parte "mais horrível" para Jordan foi a dieta estrita que teve que seguir durante semanas. "Adoro comida e ter que comer só arroz e brócolis foi a pior parte, sem dúvida", confessou o protagonista do filme de maior sucesso de bilheteira da saga "Rocky".

No filme, dirigido por Steven Caple Jr., Adonis Johnson tem que suportar muitos golpes para construir seu próprio legado, mas Jordan e Munteanu também tiveram que receber socos reais durante as filmagens para que as cenas fossem mais críveis, segundo ambos os atores.

"Em algumas cenas você simplesmente atua como se recebesse ou se esquivasses um soco, mas em outras você tem que se deixar bater para que depois a câmera lenta consiga intensificar os movimentos e a expressão do seu rosto, e assim a luta parece mais real", explicou Jordan.

25.mai.1965 - Considerada por alguns como a melhor foto esportiva do século, o instante em que Muhammad Ali nocauteia Sonny Liston em sua tentativa fracassada de revanche pelo cinturão dos peso pesados é talvez o resultado de estar no lado certo na hora certa. Com menos de dois minutos de luta, Neil Leifer estava de frente para Ali quando ele nocauteou Liston e gesticulou para que o desafiante, e ex-campeão, se levantasse - Neil Leifer - Neil Leifer
Muhammad Ali
Imagem: Neil Leifer

De fato, essa é a parte realista, obtida por meio de coreografias e do trabalho de edição, que faz o espectador "se esquecer que 'Creed 2' é um filme e pense que está assistindo a uma autêntica luta de boxe", ressaltou Munteanu.

Deixando de lado o combate no ringue, "Creed 2" é uma história de pais e filhos que vestem as luvas e lutam por aquilo que acreditam, uma lição de superação importante também para Jordan fora das câmeras.

"Estou muito orgulhoso por ter interpretado um personagem no qual me vejo refletido e por ter feito parte de um filme que fala sobre família, sobre encontrar a si mesmo e sobre descobrir aquilo pelo que você luta na vida", explicou o ator.

Neste sentido, Tessa Thompson, que interpreta Bianca, concordou com seu namorado na ficção e, além disso, acrescentou que o filme "marca definitivamente o DNA" do seu diretor ao humanizar os "caras maus" da história, como Viktor Drago.

"O que sabemos da saga de 'Rocky' é que Ivan Drago é uma máquina de matar sem nenhum sentimento dentro dele; no entanto, em 'Creed 2', o personagem de Viktor está mais humanizado e mostra muitas emoções no seu interior", afirmou Munteanu.

Tudo isso em um filme no qual Jordan volta a suceder Rocky Balboa em uma saga que faz parte do imaginário coletivo e que tem cativado as novas gerações com os efeitos e a tecnologia do século 21.