A voz da sabedoria

Convidado do Estúdio UOL, Péricles toca sucessos e mostra que também é 'fado' sensato

Do UOL, em São Paulo Mariana Pekin/UOL

Convidado da segunda edição do Estúdio UOL, Péricles viveu um dilema: participar ou não participar do especial registrado na sede do UOL, no fim da tarde de quarta-feira, em São Paulo. O motivo da indecisão era nobre: naquela manhã, nasceu seu segundo filho, a primeira menina, Maria Helena.

Pericão, como é conhecido, saiu direto do hospital e veio feliz participar do programa, que contou com apresentação de Marina Person, jornalistas convidados e várias músicas marcantes na carreira do artista, que já soma 33 anos de estrada, e do próprio pagode.

Bem-humorado, ele lembrou o início da carreira junto ao Exaltasamba, falou do profissionalismo alcançando por ele e pelo estilo, e contou como a participação em programas de TV mudou sua postura no palco.

Os melhores momentos de Péricles no Estúdio UOL

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O mundo é das mulheres, as mulheres que mandam, e hoje nasceu mais uma para mandar em mim

Péricles

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Péricles - Um medley do Exaltasamba

'40 Graus de Amor', 'Gamei', 'Azul sem Fim', 'Até o Sol Quis Ver' e 'A Carta'

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Receio de ser líder

Egresso do Exaltasamba, um dos grupos de pagode mais populares do Brasil, Péricles não começou como vocalista, mas como mestre das cordas --tocando violão e banjo-- e compositor. Antes de assumir a função, ele viu Chrigor e Thiaguinho brilharem como protagonistas.

Mas ele diz que nunca pensou em ser líder. "Até por que venho do esporte. Joguei vôlei, esporte coletivo. Quem ganha é o time. Quem perde é o time. Sempre tive esse pensamento. No Exaltasamba, em 25 anos, tivemos vários vocalistas. Não fui o primeiro (...) Mas nunca tive a postura do 'ah, sou o vocalista'", explicou o músico.

Às vezes a vida leva para isso [ser líder]. Mas tive esse cuidado de falar que preferia que não fosse assim, porque não me achava responsável o suficiente para segurar essa bandeira.

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Péricles - Durou/Casal Maluco

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Pericão já fez de tudo

Até o início dos anos 1990, antes da consagração, Péricles, natural de Santo André, no ABC Paulista, conciliava a música com outras atividades. E elas eram bem diferentes umas das outras: foi jogador de vôlei, sapateiro e inspetor de escola. Todas essas profissões trouxeram importantes ensinamentos.

Todas as coisas que fiz me ajudaram a lidar melhor com as pessoas. Fui sapateiro e comecei a analisar pessoas a partir do sapato. Ele diz muito. Fui colhendo elementos. Fui inspetor por três anos em uma escola e um ano em outra. Tentei ser rigoroso. Mas não consegui ser muito, não. Tinha que ser bravo. Era uma exceção.

Segundo alunos que conviveram com o inspetor Pericão, ele foi, sim, um sujeito disciplinador nos corredores das escolas. Amigos e pessoas próximas dizem que o profissionalismo sempre foi uma de suas principais marcas, em qualquer ramo.

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O que a televisão ensinou

Ainda sobre profissionalismo: o cantor atribui o sucesso a sua postura. Ele diz ter dado um salto nesse quesito nos últimos dez anos, quando virou referência no meio.

Esse momento surgiu recentemente. Foram quatros anos participando do programa Esquenta. Foi maravilhoso, uma escola tremenda. Tanto o Esquenta quanto o Dança dos Famosos. Eles me ensinaram a me colocar no palco. Eu e meus contemporâneos éramos artistas que acompanhavam outros artistas e fomos para a linha de frente. A gente não sabia o que fazer.

Mas a TV não foi a única escola de Péricles.

"Isso e também bagagem da rua, da noite, que fez com que a gente pudesse se virar e ter repertório. É o que sempre cobro. Precisamos estar sempre preparados. A responsabilidade aumenta."

Péricles - Supera

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A música é um negócio

E como Péricles, que se considera jurássico em tecnologia, virou meme na internet se valendo da zoeira feita com ele mesmo? Nos últimos anos, com a escalada das redes sociais e plataformas de streaming, ele percebeu que precisava encurtar a distância entre artista e fã.

Já tentaram separar, mas não adianta. Vamos andando todo mundo junto, de mãos dadas. Isso vale a pena. Durante muito tempo ficamos afastados, mas as redes sociais vieram para preencher esse buraco. No início dos anos 2000, havia a briga da pirataria. Em qualquer barraquinha você encontrava música. Era a maneira de fazer a música chegar às pessoas.

E ele repassa os ensinamentos aprendidos:

"Hoje a música chega mais rápido. Uma saída é disponibilizar o repertório antes, mesmo que só com voz e violão, para todo mundo aprender (...) Porque quero pensar a música como produto final. (...) Encarar como um negócio o que para muitos era um brincadeira de fundo de quintal."

A música está melhor ou pior sem a força das gravadoras?

Está bem melhor. Por exemplo, quem tem smartphone pode ter tudo. Cada um no seu canal, na sua 'gravadora'. Nós somos nossa empresa. Podemos pegar nosso produtor e distribuir nossa música com autonomia. Sabemos para onde ela vai. Temos na mão esse produto e sabemos lidar melhor com ele.

Péricles

Péricles - Ninguém Ama

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Falta um jurado do samba do The Voice?

Péricles, que já participou da Dança dos Famosos na televisão, gosta da ideia de realities musicais, principalmente como plataforma e meio de divulgação de artistas talentosos. Seu ex-colega de Exalta Thiaguinho, por exemplo, surgiu de um, o Fama.

"É uma grande oportunidade de ver gente boa no país. Esses programas valem muito a pena", conclui Péricles, que lembra sua surpresa ao descobrir o talento de Ellen Oléria, vencedora da edição 2012 do The Voice.

A falta de representatividade do samba nesses programas, sobretudo na figura dos jurados, não seria um problema? "Acho que a gente consegue fazer com que a nossa representatividade aumente quando oportunidades pintam. Dudu Nobre já foi jurado (...) Alguém do samba ainda terá a chance [no The Voice]. Uma hora ela aparecerá."

Péricles - Jogo de Sedução

Assista à íntegra do Estúdio UOL com Péricles

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