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Caso Madeleine McCann: série já mostrava suspeita sobre homem em van

Cena de "O Desaparecimento de Madeleine McCann" - Reprodução/Netflix
Cena de 'O Desaparecimento de Madeleine McCann' Imagem: Reprodução/Netflix

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

05/06/2020 04h00

Treze anos depois do desaparecimento de Madeleine McCann, o caso novamente veio à tona com o surgimento de um novo suspeito. Trata-se de Christian Brueckner, um alemão de 43 anos que já estava preso por crimes sexuais.

Em uma atuação conjunta, as autoridades da Inglaterra, Portugal e Alemanha chegaram ao suspeito por causa do veículo que ele dirigia na época, uma van, que já estaria em posse da polícia alemã. O homem teria transferido a van para o nome de outra pessoa no dia seguinte ao desaparecimento de McCann.

Coincidência

Curiosamente, na série documental "O Desaparecimento de Madeleine McCann", que estreou em março do ano passado na Netflix, uma das investigações chegou a um homem que morava em uma van no Algarve, em Portugal, o local onde a menina desapareceu.

Como o homem foi investigado e liberado na época, meses depois do sumiço da criança, não há muitos detalhes além das imagens do então suspeito (que tem o rosto borrado) feitas pelos detetives particulares contratados pelos pais de Madeleine, Gerry e Kate McCann.

Caso sem solução

A polícia procura por Madeleine McCann, que desapareceu em Portugal em 2007 - PA MEDIA - PA MEDIA
A menina Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aos 3 anos
Imagem: PA MEDIA

Em oito episódios, a série revisita o caso desde o desaparecimento da menina de 3 anos, em 3 de maio 2007, até dez anos depois. Várias linhas de investigação e teorias são mostradas, mas até hoje não houve um desfecho.

Na série, os investigadores que chegaram ao homem da van —que, vale ressaltar, não se sabe se é o mesmo suspeito pego agora pelas autoridades— foram contratados pelo milionário Brian Kennedy. O empresário financiou as investigações particulares dos McCann.

O que aconteceu?

Madeleine McCann sumiu em um resort na Praia da Luz, no Algarve, em Portugal. O desaparecimento aconteceu enquanto seus pais jantavam com um grupo de amigos em um restaurante no mesmo complexo, bem próximo ao apartamento em que ela e os irmãos gêmeos dormiam. Apenas a menina foi levada.

Na série, fica claro o conflito entre as polícias de Portugal e da Inglaterra, que adotaram linhas investigativas diferentes para o caso. Os pais e a polícia inglesa culpam a morosidade dos portugueses, enquanto o ex-investigador Gonçalo Amaral, que comandou o caso em Portugal na época, defende sua versão de que a menina morreu no apartamento e os pais teriam envolvimento.

Portugal é usado por traficantes para transportar crianças para outros países. Eles entram no país pelo Algarve, e levam as vítimas para a Espanha, para a França e para a Alemanha para serem exploradas. Eles têm uma estrutura muito forte que permite que transportem pessoas de um país para o outro em questão de horas. É assustador porque é muito fácil

Patrícia de Sousa Cipriano, presidente da Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas

Investigação

Um ano depois do desaparecimento, Gerry e Kate McCann acabaram absolvidos e a versão do ex-chefe da Polícia de Portugal foi por água abaixo. O caso acabou arquivado enquanto não surgissem novas pistas significativas. Pouco antes, ainda em 2007, já não confiantes na polícia local, Gerry e Kate McCann contrataram detetives particulares para seguir com a busca pela filha.

Sequestro

Os detetives passaram a trabalhar com a hipótese de sequestro e começaram a ouvir moradores do balneário e famílias que haviam passado férias no local no mesmo período que a família de Madeleine. Em depoimento à série, Patrícia de Sousa Cipriano, presidente da Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas, explica que a proximidade do Algarve com o Marrocos e a fronteira com a Espanha facilita a ação de traficantes na região.

Após descobrirem que pelo menos quatro homens diferentes haviam circulado pelo balneário na mesma semana do sumiço de Madeleine, pedindo dinheiro para um orfanato que não existia, os investigadores particulares chegaram ao retrato falado de alguns deles. Foi com essa pista que eles identificaram um dos suspeitos, que morava na van.

O suspeito

Cena - Reprodução/Netflix - Reprodução/Netflix
O suspeito que morava em uma van mostrado na série documental 'O Desaparecimento de Madeleine McCann'
Imagem: Reprodução/Netflix

Nas imagens, o homem da van aparece ora perto de uma barraca de camisetas, ora levando sacos para o automóvel. O modelo da van que aparece no vídeo, no entanto, não bate com o que as autoridades identificaram agora, embora o local exibido na série tenha vários veículos do tipo estacionados ao redor. A aparência física do homem também é diferente da foto do alemão divulgada ontem pelas autoridades.

A série ainda mostra o retrato falado de outros suspeitos que estariam batendo às portas dos vizinhos do resort. Uma das testemunhas diz ter encontrado um desses homens dentro de casa perto de sua filha de 3 anos, a mesma idade que Madeleine McCann tinha quando desapareceu. Nenhum deles é identificado.

Decepção

Ainda que os investigadores particulares tenham levantado novos suspeitos e possibilidades para o desaparecimento, a falta de provas concretas causaram o rompimento dos contratos. A primeira agência contratada, a espanhola Método 3, decepcionou os clientes depois que seu dono deu falsas esperanças aos pais de Madeleine. Ele dizia estar muito próximo de uma solução, mas apenas um de seus detetives trabalhava no caso.

Já a segunda agência, a americana Oakley International, foi a responsável por identificar o homem da van. A agência teria mobilizado dezenas de agentes secretos em solo português. Mas não demorou para que o financista dos McCann descobrisse com suas fontes que o presidente da Oakley, Kevin Walligen, era um bon vivant e estava usando o dinheiro das investigações em benefício próprio, vivendo uma vida de luxo nos Estados Unidos. Assim, acabou mais uma parceria.

Nesses casos as pessoas costumam querer ajudar, claro. Mas querem ajudar tanto que começam a ver coisas que não existem. Julian Peribañez, detetive particular espanhol que investigou o caso Madeleine McCann pela Método 3

Últimas pistas

Dave Edgar e Arthur Cowley foram os últimos detetives particulares a trabalharem no caso de Madeleine McCann, de 2008 a 2011. Entre as descobertas mais significativas deles, eles chegaram a um executivo britânico que afirmava ter sido abordado na rua por uma mulher às 2h da manhã em Barcelona, no mesmo dia em que Madeleine sumiu. Ela o questionava se era ele quem entregaria sua nova filha e se ele estava com a criança. Antes de deixar o caso, os detetives entregaram suas pistas à polícia.

Mesmo com as investigações avançadas em cima do novo suspeito, que teria confessado a sua participação no crime em uma conversa de bar, o destino de Madeleine McCann continua sendo um mistério.

De 2007 até hoje, Maddie foi "vista" cerca de 9.000 vezes e em mais de cem países, mas todas as pistas eram falsas. Boa parte dessas investigações e hipóteses também são mostradas em "O Desaparecimento de Madeleine McCann", disponível na íntegra na Netflix.