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CCXP: As Five normaliza questões sociais em Malhação, diz elenco

Heslaine Vieira (Ellen), Daphne Bozaski (Benê), Gabriela Medvedovski (Keyla), Manoela Aliperti (Lica) e Ana Hikari (Tina) de As Five participaram do painel na CCXP 2019 - Iwi Onodera/UOL
Heslaine Vieira (Ellen), Daphne Bozaski (Benê), Gabriela Medvedovski (Keyla), Manoela Aliperti (Lica) e Ana Hikari (Tina) de As Five participaram do painel na CCXP 2019 Imagem: Iwi Onodera/UOL

Guilherme Machado

Do UOL, em São Paulo

08/12/2019 12h43

Em 2017, cinco meninas se encontraram em um vagão do metrô de São Paulo e ajudaram no parto do bebê de uma delas. Assim começou Malhação: Viva a Diferença, uma das temporadas mais bem-sucedidas dos últimos anos da novela, que abordou temas como racismo, homofobia, a situação da educação pública no Brasil, corrupção e amor livre. Agora, as protagonistas retornam em As Five, spin-off da novela que estreia em janeiro no Globoplay, e que traz um novo olhar sobre estes assuntos.

"Acho que essas questões vêm mais normalizadas do que questionadas. Na novela, o Cao (Hamburguer, autor) trazia esses assuntos questionando. Na série eles já estão aí. Você vai ver dessa maneira, mas vamos questionar outras coisas agora", explicou Gabriela Medvedovski, a intérprete de Keyla, ao UOL durante a CCXP 2019.

Ela e as colegas Ana Hikari, Heslaine Vieira, Manoela Aliperti e Dapnhe Bozaski, ao lado do autor Cao Hamburger, participaram de um painel sobre o seriado durante o evento.

"Os temas que a gente abordou vão mais a fundo. Mas acho que essa primeira temporada fala mais de questões comportamentais do que sociais. Foi mais importante falar do lado social no sentido da relação entre as pessoas do que dos problemas sociais", explicou Cao.

No seriado, as meninas se reencontram anos depois do colégio, agora já adultas, com novas questões a trabalhar. As atrizes acham que, por conta de agora estarem mais próximas das idades das personagens, conseguem se colocar mais facilmente nas peles delas, mas reconhecem que em dois anos muita coisa mudou em suas vidas.

"Minha vida mudou completamente. Estou com 27 anos, consigo olhar para trás e vejo quantas coisas aconteceram. Eu vejo que em pouco tempo muda muita coisa. Tive um filho, agora eu já sou outra pessoa quase. Eu vejo isso na Benê. Quando peguei o texto, pensei: 'ela vai fazer isso?'. Aí eu olhei pra minha vida e falei: Olha o quanto que eu mudei, eu tenho um filho, e a Benê não ia estar nesse lugar? Estaria até mais. Muita coisa da minha maturidade pude emprestar para a Benê nessa nova fase", declarou Daphne, que é mãe de Caetano.

"Eu estava com 22. Para 24 você pensa que não é muita mudança, mas eu acho que todo o processo que a gente passou na novela foi muito engrandecedor. Eu estou terminando a faculdade, entregando meu TCC agora, até minha maneira de olhar para a academia mudou", complementa Ana Hikari, que conta ter mudado todo o seu projeto de conclusão de curso por conta da série.

Já Heslaine Viera disse que se sentiu mais desafiada em reeditar uma personagem que já era conhecida do público.

"Para mim foi mais difícil. Por mais que tenha a facilidade de você conhecer o personagem, quando você criar do começo, o público não conhece. Eu achei mais difícil de construir, você tem criar um contexto consistente para esses anos que se passaram", afirmou.

"Um dos grandes desafios está em não se repetir. Buscar novos apoios, novos respiros para essa nova linguagem", acredita Manoela Aliperti.

E o felizes para sempre?

No novo seriado, uma série que situações novas serão introduzidas, e a vida das meninas irá mudar bastante. Sem muitos spoilers, alguns casais queridos do público, por exemplo, já não existem mais.

Ana Hikari diz que acredita que isso é um reflexo de como a vida real funciona, mesmo com a torcida does espectadores pelo "felizes para sempre" de novela.

Acho que a vida muda, as coisas mudam, e está tudo bem. Acho que a grande questão da série não é falar sobre um mundo ideal, é falar sobre o mundo real. A vida real é que as coisas não acontecem sempre, e está tudo bem. Está tudo mal e está tudo bem", brinca ela.

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