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Paulo Coelho diz que biógrafo de Raul Seixas "quer apenas vender a p... do livro"

O escritor brasileiro Paulo Coelho - Laurent Gillieron/AP
O escritor brasileiro Paulo Coelho Imagem: Laurent Gillieron/AP

Do UOL, em São Paulo

25/10/2019 11h34

Paulo Coelho voltou atrás e apagou o tweet em que comentou a reportagem da Folha de S.Paulo sobre a biografia de Raul Seixas, escrita por Jotabê Medeiros. O livro, intitulado Não Diga que a Canção Está Perdida, levanta a suspeita de que o cantor, morto há 30 anos, delatou o amigo durante a ditadura militar (1964-1985).

"Começo a ter sérias dúvidas dos documentos que o Jotabê Medeiros me enviou, dizendo e insistindo que Raul tinha me denunciado (e-mails arquivados) O que se passou entre Raul e eu fica entre nós. Vou deletar o tweet da Folha de S.Paulo. Acho que o cara quer apenas vender a porra do livro", desabafou Paulo Coelho no Twitter.

No tweet apagado, o escritor compartilhou a notícia e escreveu: "Fiquei quieto por 45 anos. Achei que levaria o segredo para o túmulo".

Paulo Coelho e Raul Seixas - Reprodução
Paulo Coelho e Raul Seixas
Imagem: Reprodução
Jotabê Medeiros disse que seu livro não comprova que o cantor Raul Seixas denunciou Paulo Coelho para a ditadura militar, em 1974. Em comunicado oficial, o autor da biografia incentivou o público a ler o livro para tirar suas próprias conclusões.

"O meu livro em nenhum momento diz que Raul Seixas delatou Paulo Coelho. Não há como sustentar uma afirmação dessas", escreveu.

"A obra apenas examina o clima de suspeita despertado em Paulo após o episódio de sua prisão em 1974. Descobri que essa desconfiança existia, que angustiava o escritor (que a escondia). Então, busquei abordá-la, trazê-la à luz (como convém ao biógrafo que pretenda contar uma história inteira)", continuou.

"Há um documento no qual um policial diz que, por intermédio de Raul, poderia localizar e prender Paulo Coelho e Adalgisa Rios (então mulher de Paulo). Vi que o documento, inconclusivo, pedia um exame à luz das datas e dos fatos encadeados, um encaixe histórico", explicou ainda.

"Isso tudo está esclarecido no livro. Não é a voz de Raul que fala ali, é um policial. Mas o simples fato de alguém abordar esse clima de suspeição tem sido tratado com muito desequilíbrio. Recomendo a leitura do livro para formar opinião com alguma racionalidade", completou.

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