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Netflix é processada por criticar técnica de interrogatório em Olhos que Condenam

Cena da série "Olhos Que Condenam" - Divulgação
Cena da série "Olhos Que Condenam" Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

15/10/2019 11h37

A empresa que criou a "técnica Reid" de interrogatório policial entrou com processo contra a Netflix e a roteirista, produtora e diretora Ava DuVernay. De acordo com a John E. Reid and Associates, a minissérie Olhos que Condenam usa caracterizações falsas para criticar a técnica.

As informações são da Variety. A empresa criou a "técnica Reid" nos anos 1940, e desde então promove cursos e distribui apostilas para departamentos de polícia por toda a extensão dos EUA.

Olhos que Condenam, criada e dirigida por DuVernay, aborda a história real de cinco adolescentes de Nova York que foram erroneamente condenados por um estupro que ocorreu no Central Park, em 1989. Os rapazes foram inocentados mais de uma década depois, por exames de DNA.

No quarto episódio da minissérie, os métodos de interrogatório usados pelos policiais que lidaram com o caso são questionados. "Vocês deram um jeito de tirar declarações de culpa destes garotos após 42 horas de interrogatório e coerção, sem comida, sem pausas para o banheiro, sem supervisão dos pais. A técnica Reid já foi rejeitada universalmente", diz um personagem para um policial.

"Eu não faço ideia do que é a técnica Reid, ok? Eu só sei o que me ensinaram. Eu sei o que me pediram, e eu fiz", rebate o oficial na cena.

Segundo o processo, este diálogo caracteriza de forma desonesta a técnica Reid. A empresa alega que seus ensinamentos não incluem métodos de coerção, e que tampouco é correto dizer que a técnica Reid foi "rejeitada universalmente".

A John E. Reid and Associates diz que seus negócios foram prejudicados desde o lançamento de Olhos que Condenam, e quer o pagamento de uma indenização por parte da Netflix, além de uma decisão judicial obrigando a plataforma a alterar a cena em questão.

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