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"Olhos que Condenam" relembra uma das maiores injustiças já cometidas nos EUA

Cena da série "Olhos que Condenam", da Netflix - Divulgação
Cena da série "Olhos que Condenam", da Netflix
Imagem: Divulgação

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

31/05/2019 04h00

Uma das maiores injustiças já cometidas pelos Estados Unidos é o tema da nova minissérie da Netflix, "Olhos Que Condenam", que estreia hoje. Dirigida por Ava DuVernay, a série conta a história de quatro adolescentes negros e um latino, que foram presos e condenados injustamente por estuprarem e agredirem em 1989 uma mulher no Central Park, em Nova York, nos Estados Unidos.

A série é dividida em quatro episódios com duração de 1h a 1h30 e retrata como a polícia de Nova York obrigou os menores de idade Kevin Richardson, Yusef Salaam, Raymon Santana, Antron McCray e Korey Wise a confessarem o crime. Posteriormente, essa falsa confissão foi usada como prova de que eles teriam cometido o crime bárbaro, embora exames de DNA, roupas ou outras provas físicas indicassem o contrário.

Condenados, eles ficaram presos entre 5 a 12 anos em reformatórios (um deles, que já tinha 16 anos na época, foi enviado para um presídio de adultos) até que o verdadeiro culpado confessasse e eles fossem absolvidos. Testes posteriores de DNA confirmaram que o autor do crime era mesmo Matías Reyes, que já cumpria prisão perpétua desde 1989 por outros crimes, inclusive estupros.

Quase 30 anos depois do crime, o atual prefeito de Nova York, Bill de Blasio, concordou em pagar uma indenização de R$ 40 milhões aos rapazes. O processo movido pelos cinco acusava a polícia, os promotores e outras autoridades de racismo. O prefeito anterior, Michael Bloomberg, não tinha aceitado pagar a indenização.

Cena da série "Olhos que Condenam" - Reprodução/YouTube
Cena da série "Olhos que Condenam"
Imagem: Reprodução/YouTube

Após as acusações, a vida dos cinco jovens e de suas famílias foram destruídas. Quem mais atacou publicamente os garotos foi o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que publicou em 1989 um anúncio de página inteira no jornal "The New York Times" pedindo a volta da pena de morte no estado para punir os garotos.

Vale lembrar que, naquela época, Trump era apenas um excêntrico magnata e não o homem mais poderoso do mundo. O detalhe não passa despercebido por Ava DuVernay. Embora eles tenham sido inocentados anos depois, fica claro na série que a eleição de Trump demonstra que muitas coisas ainda precisam mudar no país.

Cena da série "Olhos Que Condenam" - Divulgação
Cena da série "Olhos Que Condenam"
Imagem: Divulgação

Elenco e direção

Ava DuVernay ganhou notoriedade após dirigir o filme "Selma", que foi indicado em 2015 na categoria de melhor filme do Oscar e ganhou a estatueta de melhor canção original.

A diretora mostra como a polícia atuou de maneira discriminatória e não se esforçou em investigar o verdadeiro autor da barbárie, embora ele tenha deixado a cena do crime caminhando e com as roupas completamente manchadas de sangue.

Cena da série "Olhos Que Condenam" - Divulgação
Cena da série "Olhos Que Condenam"
Imagem: Divulgação

Além da atuação da polícia, a série mostra ainda como foi o julgamento, a vida dos adolescentes na prisão e o difícil retorno deles à liberdade, tendo que enfrentar o preconceito e a desconfiança da sociedade.

Vale o destaque para o trabalho dos dez atores, quase todos estreantes, que interpretaram os cinco jovens em dois períodos (na adolescência e depois na vida adulta). Eles imprimiram a seriedade e o drama correto que a história necessitava.

"Olhos que Condenam" é uma série forte, dramática, triste e, principalmente, necessária. Todos deveriam assistir para, quem sabe, nunca mais um inocente seja condenado injustamente apenas pela cor da sua pele.