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Rock in Rio


Slayer se despede de São Paulo com "missa" após décadas de sangue e violência

Marco Bezzi

Colaboração para o UOL

03/10/2019 07h44

Eram oito mil e duzentas pessoas aplaudindo sem parar o homem todo vestido de preto que, imóvel na frente do público, poderia ser um pastor. O vocalista e baixista Tom Araya foi o último a deixar o palco e olhava fixamente para quem acenasse com maior fervor em sua direção. O transe levou alguns minutos.

A "missa" thrash metal do Slayer na cidade de São Paulo havia acabado de terminar e Angel of Death, - petardo do álbum Reign in Blood (1986) - fechou a história do grupo californiano com a cidade. Depois de 1h35 de show e suor veio o anticlímax: o Slayer nunca mais tocará em São Paulo - a banda se apresenta sexta-feira, no dia do metal do Rock in Rio.

Pouco mais de duas horas antes, um fã da banda perguntava para outro: "O que eu espero? Destruição total". Os fãs do Slayer são devotos, são fiéis. Até por isso a banda preferiu fazer a pista aberta a todos, sem o setor premium mais na frente do palco. Como nos velhos tempos, quem chegasse mais cedo ficava mais perto dos ídolos.

Um homem de poucas palavras

A última turnê da vida da banda - pelo menos é o que eles anunciaram - foi mais uma chance dos fãs apoiarem a instituição Slayer. E o que é o Slayer que não uma instituição imaculada do metal.

Formada na Califórnia no início da década de 1980, o show de despedida na capital paulista teve um tom de incredulidade misturado com agradecimentos. Todos vindos da plateia, porque Araya foi econômico nas palavras de despedida: "Vou sentir saudades", disse num português macarrônico ao deixar o palco pela última vez.

No início do show, Repentless abriu os trabalhos - do disco mais recente do grupo, de mesmo nome - e em seguida, para os fãs "das antigas" que acompanham a banda há mais de 36 anos, Tom Araya apresentou Evil Has No Boundaries, música que abre o clássico Show No Mercy (1983). Araya, nascido no Chile, demorou cinco canções para falar com a plateia, em um português enrolado. "E aí, porra!?". E veio War Ensemble.

Sangue, suor e lágrimas

Naquele pouco mais de 30 minutos de apresentação, as paredes do Espaço das Américas (região oeste de São Paulo) já escorriam suor. As rodas de pogo (mosh pits), proibidas pela produção, aconteciam sem restrições. O comediante Bruno Sutter, o Detonator do grupo Hermes e Renato, perguntava a um amigo: "Como é que esses caras vão acabar tocando assim?". Pois o show foi impecável. A voz de Tom Araya estava perfeita, tanto nos registros graves como nos agudos. E pensar que nas últimas semanas cantores bem mais "bonzinhos" como David Coverdale (Whitesnake) e Jon Bon Jovi mal conseguiam completar duas frases.

Tom Araya não escondeu a emoção ao final do show e ficou longos minutos no palco antes de se despedir - Nelson Antoine/UOL
Tom Araya não escondeu a emoção ao final do show e ficou longos minutos no palco antes de se despedir
Imagem: Nelson Antoine/UOL

É irônico também que apenas Slayer e Anthrax, os patinhos feios do Big 4, estão na ativa. O Metallica perdeu temporariamente o vocalista James Hetfield para a reabilitação contra o vício do álcool e o Megadeth perdeu Dave Mustaine, também temporariamente, por conta de um câncer na garganta.

E é sim, realmente estranho que o Slayer decidiu terminar seus trabalhos com essa turnê, uma das melhores do grupo em performance e repertório. Para quem ainda tinha dúvida do poder do quarteto - que hoje conta com, além de Araya, os guitarristas Kerry King e Gary Holt e o baterista Paul Bostaph -, uma sequência de porradas sonoras antecedeu o fim da apresentação: Season in the Abyss, Hell Awaits, South of Heaven, Raining Blood e Black Magic fizeram o Espaço da Américas tremer. Aquela pergunta "como é que esses caras vão acabar tocando assim?" não saia da cabeça de quem testemunhou a violência e o peso de uma banda que está longe de parecer aposentada.

We're gonna miss you too.. #slayernation #slayer

Uma publicação compartilhada por Júlio Murray (@metalavenger) em

Adeus Slayer, vão fazer falta #slayer

Uma publicação compartilhada por Danilo Marques (@heavy.danilo) em

Claustrofobia

Antes do Slayer tocar, a banda paulistana Claustrofobia mostrou seu metal pesado e muito bem tocado, cantado em português em boa parte das faixas. Veterana da cena metal brasileira, o grupo, assim como o Slayer, também tocará no Rock in Rio neste próximo fim de semana. No festival, o Claustrofobia vai dividir a apresentação no Palco Sunset com o Torture Squad e com o vocalista do Testament, Chuck Billy.

Set list do Slayer

Repentless
Evil Has No Boundaries
World Painted Blood
Postmortem
Hate Worldwide
War Ensemble
Gemini
Disciple
Mandatory Suicide
Chemical Warfare
Payback
Temptation
Born of Fire
Seasons in the Abyss
Hell Awaits
South of Heaven
Raining Blood
Black Magic
Dead Skin Mask
Angel of Death

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