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Heavy Baile lota "favela" do Rock in Rio com funk e exalta Rennan da Penha

Heavy Baile com MC Carol & Tati Quebra Barraco no Espaço Favela do Rock in Rio 2019 - Reprodução/Instagram
Heavy Baile com MC Carol & Tati Quebra Barraco no Espaço Favela do Rock in Rio 2019 Imagem: Reprodução/Instagram

Renata Nogueira

Do UOL, no Rio de Janeiro

27/09/2019 21h53

O Rock in Rio se transformou em duas festas distintas logo em seu primeiro dia. Às 20h, quando parte do público corria para o palco Mundo atraída pela pirotecnia que anunciava a cantora pop americana Bebe Rexha, outra multidão se concentrava em frente ao Espaço Favela, novidade nesta edição do festival.

Aos gritos de "grelinho", o público vibrava com o início da apresentação do Heavy Baile, sensação do funk carioca atual. O coletivo de Leo Justi, MC Tchelinho e DJ Thai donos dos hits Grelinho de Diamante, Maconha e Pente e outras preciosidades do funk pesadão ainda se juntaria a MC Carol e Tati Quebra Barraco, parceiras na música Mamãe da Putaria.

Em um canto distante cerca de 10 minutos de caminhada do palco mundo, o espaço favela - a área mais tranquila do festival até o início da noite - se transformou em baile funk. Era difícil chegar perto do palco que reproduz de forma caricata as comunidades cariocas. Na pista, faltava espaço em alguns pontos para os mais empolgados com os passinhos.

Putaria e consciência

"No Rock in Rio hoje vai ter putaria...", adiantou Tchelinho, alterando os versos de Dentro do Carro, de Kevin O Chris, outro representante do acelerado funk 150 bpm que segue quente desde o verão. O baile da Gaiola, uma das festas mais famosas do Rio também exaltadas nas letras do funkeiro, animou e fez lembrar seu criador - o DJ Rennan da Penha - preso há cinco meses por associação ao tráfico, o que o artista nega.

"Hoje o funk pode tocar em qualquer lugar, mas ele não pode porque está privado de sua liberdade. Porque a Justiça rascista e fascista quer isso. Liberdade para Rennan da Penha", pediu Tchelinho, ouvindo aplausos e algumas vaias fracas, reflexo de parte do público que pagou mais de R$ 500 por um ingresso para estar ali.

O coletivo ainda emendou o pedido de liberdade para o parceiro com um "Marielle, Ágatha e Anderson presente", lembrando a vereadora e motorista assassinados e o caso recente da morte da criança no Rio.

"Como a gente sempre trata de relacao de gêneros, sociais, a gente trata esses assuntos no show. Nós somos isso tudo. Putaria, engajamento, é o que o povo brasileiro é", resumiu a bailarina Jessica Ginga momentos antes de subir ao palco em conversa com o UOL.

A chuva, que ainda não tinha dado as caras no festival, chegou para refrescar quem se acabou na pista assim que o Heavy Baile, MC Carol e Tati Quebra Barraco deixaram o Espaço Favela, após uma hora de apresentação. A programação funk volta com tudo ao Rock in Rio em 5 de outubro, com uma homenagem a MC Sapão no Palco Sunset e Anitta no Palco Mundo.

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