Topo

Teatro e musicais


Caixa é acusada de censurar espetáculo com temática LGBT; banco nega

Cena do espetáculo Gritos, da companhia Dos à Deux - Renato Mangolin/Divulgação
Cena do espetáculo Gritos, da companhia Dos à Deux Imagem: Renato Mangolin/Divulgação

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

13/09/2019 19h37

Após os filmes Marighella e Chico: Artista Brasileiro e a peça infantil Abrazo, mais uma produção cultural entrou em uma lista envolvendo suposta censura de órgão público. A atriz Fernanda Nobre expôs em sua rede social que o espetáculo Gritos, da companhia Dos à Deux, não seria mais apresentado na Caixa, em Brasília, por causa da "temática homossexual".

"O Artur [Luanda Ribeiro, diretor] da companhia, explicou que as pessoas da Caixa com quem estão em contato explicaram bem a situação: a Secom [Secretaria de Comunicação] está revisando os releases e ameaçando as equipes. Se houver qualquer divergência em relação ao release aprovado ou se algum 'aspecto polêmico' não constar no release, os funcionários da programação e seus superiores serão demitidos. No caso deles, irão apresentar outro espetáculo do repertório", publicou a atriz.

No espetáculo, dirigido por André Curti e Artur Luanda Ribeiro, há a travesti Louise. "Nasceu num corpo de homem que ela não quer, deseja ser invisível aos olhares dos outros, convivendo com um turbilhão de preconceitos. Cuidando de sua mãe, uma velha senhora doente, também invisível perante a sociedade, Louise busca o amor e a aceitação", diz a sinopse de Gritos.

Procurada pelo UOL, a Caixa negou ter censurado o espetáculo e informou que ainda não finalizou a contratação da companhia para a apresentação.

"A Caixa informa que a contratação com a Cia. Dos à Deux ainda não foi concluída, estando em fase de análise e definição das atividades, bem como da agenda dos espaços culturais do banco. Por definição da Instrução Normativa da SECOM-PR nº 09/2014, as propostas de patrocínio com valores acima de R$ 20 mil devem ser submetidas previamente ao Departamento de Patrocínios da SECOM", esclarceu o banco.

Mais Teatro e musicais