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Marighella tem lançamento adiado por não conseguir cumprir trâmites na Ancine

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

12/09/2019 17h22

O filme Marighella, dirigido por Wagner Moura, teve a data de estreia adiada após não conseguir cumprir a tempo os trâmites exigidos pela Ancine (Agência Nacional do Cinema) para a liberação de verbas que já tinham sido usadas na produção e precisam ser ressarcidas.

O longa chegaria aos cinemas em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra no Brasil. Ainda não há nova data prevista.

"Marighella segue sendo apresentado com muitos sucesso em vários festivais de cinema no mundo. Nosso objetivo principal sempre foi a estreia no Brasil. Os produtores e a distribuidora Paris Filmes vão seguir trabalhando para que isso aconteça", publicou em nota a O2 Filmes.

Em agosto, a O2 havia entrado com um recurso na Ancine solicitando a liberação de verbas para a comercialização do filme antes da assinatura efetiva do contrato com o FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), mas o recurso foi negado.

Em outra apelação, os produtores também pediam ressarcimento de despesas pagas com dinheiro da produtora no valor de mais de R$ 1 milhão, por meio do mesmo mecanismo.

Seu Jorge e Adriana Esteves em cena de Marighella - Divulgação
Seu Jorge e Adriana Esteves em cena de Marighella
Imagem: Divulgação

Crise no cinema

O adiamento de Marighella ocorre em um momento de turbulência dentro da Agência Nacional do Cinema, que atualmente vive sob constante ameaça de intervenção e cortes drásticos em sua estrutura.

Na esteira dessa crise, o presidente Jair Bolsonaro apresentou ontem um projeto que prevê, até 2020, um enxugamento de 43% no Fundo Setorial, que passaria a dispor de orçamento de 415,3 milhões --menor valor nos últimos oito anos.

Seu Jorge com Wagner Moura durante filmagens de Marighella - Divulgação
Seu Jorge com Wagner Moura durante filmagens de Marighella
Imagem: Divulgação

O filme

Inspirado no livro Marighella - o Guerrilheiro que Incendiou o Mundo, do jornalista e escritor Mario Magalhães, o longa narra os últimos anos do ativista baiano Carlos Marighella, que recorreu à luta armada para enfrentar a ditadura militar brasileira e terminou morto por agentes do estado em uma emboscada em 1969.

Estrelado pelo cantor e ator Seu Jorge, o filme, o primeiro dirigido por Moura, foi lançado no Festival de Berlim em fevereiro, com Bruno Gagliasso, Adriana Esteves, Charles Paraventi, Humberto Carrão, Bella Camero e Luiz Carlos Vasconcelos no elenco. A produção recebeu elogios da crítica internacional.