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Bolsonaro ataca Ancine e filme de Bruna Surfistinha: "Quer insistir? A gente extingue"

Jair Bolsonaro e Leda Nagle - Reprodução
Jair Bolsonaro e Leda Nagle Imagem: Reprodução

Osmar Portilho

Do UOL, em São Paulo

05/08/2019 12h23

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi entrevistado pela jornalista Leda Nagle em seu canal no YouTube. A conversa durou cerca de 1h30 e a ameaça de extinção da Ancine (Agência Nacional de Cinema) foi um dos tópicos abordados no vídeo. "O povo da cultura bate bastante em você", disse a apresentadora.

"Mudou o governo, chama-se Jair Bolsonaro. De direita, família, respeito às religiões. E quando você fala em Ancine, de uma forma ou de outra, tem dinheiro público lá. E aí você vai fazer um filme da Bruna Surfistinha? Eu não estou censurando. Mas esse tipo de filme eu não quero. Quer insistir? A gente extingue a Ancine. A primeira medida, tem o decreto, vem para Brasília a Ancine. Tirar do Rio? Qual o problema? Vai ficar na nossa asa aqui", disse o presidente.

A Ancine é uma agência reguladora criada em 2001 e administrada por quatro diretores que tem como objetivo fomentar, regular e fiscalizar o mercado do cinema e do audiovisual no Brasil. A agência era vinculada ao ministério da Cultura antes de sua extinção pelo presidente Bolsonaro e a sua transformação em secretaria ligada ao ministério da Cidadania.

Durante a conversa, Bolsonaro também lembrou do filme Nem Tudo se Desfaz, que recebeu aprovação da agência para captar R$ 530 mil. O projeto promete um "documentário ensaístico sobre os desdobramentos políticos das Jornadas de Junho de 2013 que culminaram na eleição de Jair Bolsonaro".

"Não quero filme nem de Bolsonaro, nem Bruna Surfistinha. Se quiser fazer do Bolsonaro...Até estão estudando. Mostra a verdade, mas não com dinheiro público, como foi o vexame do Lula, O Filho do Brasil. Pelo amor de Deus! Eu não sei quantos milhões custou aquele filme, mas dinheiro para contar uma mentira sobre quem foi o Lula".

"A Ancine foi criada por medida provisória. Se não quiser entender que mudou o presidente, e o presidente tem autoridade e respeita a família, eu mando uma medida provisória para o Congresso. Se eles vão aprovar a MP, eu não sei. Mas vou fazer a minha parte. Nada contra a cultura, mas mudou", completou.