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Bolsonaro diz que acabará com a Ancine se agência não tiver filtros

Bolsonaro se encontra com o ministro da Cidadania Osmar Terra em Brasília na cerimônia de comemoração ao Dia do Futebol - Pedro Ladeira/Folhapress
Bolsonaro se encontra com o ministro da Cidadania Osmar Terra em Brasília na cerimônia de comemoração ao Dia do Futebol Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

19/07/2019 14h35

O presidente Jair Bolsonaro voltou a afirmar hoje que pretende transferir a Ancine (Agência Nacional do Cinema) do Rio de Janeiro para Brasília e que sua ideia é transformar a agência em uma secretaria ligada a um ministério.

"Não sei qual, se vai ser [ligada] ao do Osmar Terra (Cidadania) ou não, vou conversar com eles. Interessa que a Cultura venha para Brasília", disse. "Estou trazendo o pessoal do conforto do Leblon aqui para Brasília. E pretendemos, sim, mexer, [para a Ancine] deixar de ser uma agência e passar a ser uma secretaria subordinada a nós", disse o presidente, após uma solenidade sobre o Dia Nacional do Futebol, no Ministério da Cidadania, em Brasília.

Ontem, em uma cerimônia dos 200 dias do atual governo, o presidente assinou um decreto que transferiu o Conselho Superior de Cinema, responsável pela formulação da política nacional de audiovisual, do Ministério da Cidadania para a Casa Civil. Na ocasião, ele afirmou também que não admitiria que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha.

Hoje, o presidente voltou a falar da mudança que pretende realizar na agência, como a criação de "filtros" para aprovação de projetos. "Vai ter filtro, sim, já que é um órgão federal. Se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine. Privatizaremos ou extinguiremos. Não pode é dinheiro público ficar usado para filme pornográfico", disse em referência ao filme da Bruna Surfistinha.

O presidente explicou a que tipo de filtros estava se referindo. "Não pode dinheiro público ser usado para filmes pornográficos, só isso. Culturais, pô. Temos tantos heróis no Brasil. E a gente não fala dos heróis no Brasil, não toca no assunto. Temos que perpetuar, fazer valer, dar valor a essas pessoas que no passado deram sua vida, se empenharam para que o Brasil fosse independente lá atrás, fosse democrático e sonhasse com um futuro que pertence a todos nós".

A Ancine

A Ancine é uma agência reguladora criada em 2001 e administrada por quatro diretores que tem como objetivo fomentar, regular e fiscalizar o mercado do cinema e do audiovisual no Brasil. A agência era vinculada ao ministério da Cultura antes de sua extinção pelo presidente Bolsonaro e a sua transformação em secretaria ligada ao ministério da Cidadania.

Os mandatos dos diretores não coincidem com as eleições presidenciais. Sobre isso, o presidente comentou que fica "completamente amarrado". "Parabéns à esquerda, não só no aparelhamento não só de pessoas como de instituições. Você tem agência para tudo, com mandato, e eu não posso fazer nada. Fico completamente amarrado no tocante a isso daí". Vale lembrar que a sede oficial da agência é em Brasília, porém seu escritório central fica no Rio de Janeiro.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado no sexto parágrafo na primeira versão do texto, a Ancine não é administrada por um colegiado formado por nove titulares e nove suplentes. A agência é administrada por quatro diretores. O erro foi corrigido.