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"A Lei Rouanet foi usada para vilanizar os artistas", diz Miguel Falabella

Miguel Falabella no "Conversa com Bial" - Reprodução/Globo
Miguel Falabella no "Conversa com Bial" Imagem: Reprodução/Globo

Jonathan Pereira

Colaboração para o UOL

19/04/2019 07h13

Miguel Falabella defendeu a Lei Rouanet no "Conversa com Bial" desta madrugada. O ator, que tem vários musicais no currículo teatral, defendeu a importância do mecanismo de incentivo à cultura que, sob o atual governo, deve passar a ter um teto de R$ 1 milhão por projeto.

"A Lei Rouanet foi usada para vilanizar os artistas de forma errada. Gosto de falar nisso para que as pessoas entendam e não saiam repetindo besteira. Às vezes ela é mal usada, mas na grande maioria é muito bem usada", avalia, contando que nem sempre faz uso dos recursos em suas montagens.

"Fiz um monólogo, 'God', um grande sucesso. Não usei a Lei, não preciso dela, tenho poder de bilheteria para me manter vivo. Fiz 'O Que o Mordomo Viu', como sete atores, também não usei. Agora 'Annie, o musical', com 23 pessoas em cena, 16 na orquestra, 100 famílias comendo e vivendo, preciso da Lei Rouanet", compara.

"Sem falar que ela nos obriga a dar um sem número de ingressos, quantas crianças que jamais entraram num teatro foram assistir por causa da Lei Rouanet? Há uma falta de educação total, de entendimento. As pessoas começam a repetir uma coisa que ouvem sem saber do que estão falando, isso me deixa doente", desabafa.

Ele defende que ter várias opções em cartaz é bom para todos. "Um musical emprega 80 pessoas, famílias que estão comendo, vivendo. Uma cidade como São Paulo tem que ter grandes musicais, espetáculos. Qualquer cidade cosmopolita do mundo tem uma quantidade impressionante".

Falabella recorda seu encantamento pelo teatro, ainda na infância. "Aos 8 anos minha avó me levou para ver 'Alô, Dolly'. Eu saí do teatro um menino transformado. Entrei um menino e saí outro, sabia que era aquilo que eu ia fazer. Até hoje fico emocionado de lembrar o que foi o impacto do fenômeno teatral na minha vida, de ver Bibi Ferreira no palco em 'Alô, Dolly', que depois tive a honra de fazer com Marilia Pêra".

O ator comenta também as falas de Caco Antibes, sucesso em "Sai de Baixo". "As pessoas sabem que o Caco era o estereótipo de uma pessoa que existe entre nós. Continuamos sendo um país de profunda injustiça social, e ninguém faz questão de fazer uma ponte para esse abismo. Eu falava de experiencias próximas, tudo o que falava eu vivi. Não tinha nenhum problema quanto a isso, nem o público".

Proatividade

Ativo escrevendo, dirigindo e atuando, ele conta sua fórmula. "Não existe tirania, militarismo no meu trabalho, chego brincando. Quando a gente quer, a gente pode. Acho que a única maneira de fazer alguma coisa bem é ter foco, disciplina, além de prazer. Sempre fui focado".

A rotina é intensa. "Acordo antes das 7h. Durmo muito pouco, o tempo inteiro tenho muitas ideias, não termino um assunto, já vou para outro. Tenho 18 projetos no meu computador, alguns não verão a luz do dia, outros vou terminar. Se eu digo 'vou fazer uma peça', já é uma concretude, acontece";

Aos 62 anos, Falabella fica feliz com o reconhecimento do público. "Não estou preocupado com elogio, críticas. Talvez o meu maior orgulho é que as pessoas olham para mim na rua e sorriem, em algum momento da vida provoquei alguma gargalhada neles".

270 Comentários

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solta das patas

Quero ver financia pequenas peças de teatro, pequenas bandas em inicio de carreira. E não artistas milionários, atores consagrados e cantores comunistas que só se aproveitam dessa lei. Como tudo no Brasil a intensão foi boa, mas as pessoas de má fé acabam estragando!

Paulo Artur

Ele está certo quando fala que deve ser a minoria que utiliza irregularmente o $$$ da lei, porém cultura não é só teatro e cinema. Se pulverizar mais esse dinheiro, em grupos menores e que não tenham condições realmente, de maneira racional e controlada provavelmente muito mais pessoas se beneficiarão. Trazer um "Cirque de Soleil" , em minha opinião não deve ser prioridade.


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