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Cavaleiros do Zodíaco: Shun mulher é o que queremos levar para a nova geração, diz produtor

Do UOL, em Tóquio

19/07/2019 04h00

O remake de Os Cavaleiros do Zodíaco, sucesso no Brasil nos anos 90 que a Netflix estreia hoje, gera polêmica e debates acalorados desde o anúncio da produção. A principal reclamação de parte dos fãs é pela mudança de gênero de Shun, cavaleiro de Andrômeda, que na nova versão é uma mulher: Shaun.

Ter uma protagonista mulher gerou discussões dentro e fora da Toei Animation, produtora do anime. A empresa responsável por Cavaleiros (Saint Seiya é o título original) recebeu o UOL e outros jornalistas em seu escritório, em Tóquio (Japão) e contou como a decisão da mudança de gênero de Shun foi tomada.

Shaun de Andrômeda em Os Cavaleiros do Zodíaco, anime da Netflix - Reprodução/Netflix
Shaun de Andrômeda em Os Cavaleiros do Zodíaco, anime da Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

"Quando lançamos o teaser tivemos uma grande reação [negativa] de muitos fãs. E o que posso dizer é que [antes de tomar a decisão] fizemos múltiplas discussões aqui dentro. Essa questão [da busca de maior representatividade feminina] vem acontecendo há décadas. Consideramos todos os cenários, inclusive como os fãs de Shun reagiriam. Ouvimos os dubladores, os distribuidores no mundo todo. E depois de todas essas conversas, não terminamos com uma só resposta. Trouxemos então a questão aos artistas, roteiristas e licenciadores e a Toei teve que tomar a decisão de fazer a mudança", afirmou o produtor Yoshi Ikezawa.

"Não se trata de quantos votos foram a favor e quantos votaram contra [a mudança de gênero do personagem]. Mas se trata de o que queremos levar para essa nova geração. Não queremos ofender o público [do desenho original], mas esse é um passo que nós decidimos dar. Claro que a resposta não foi das melhores", complementou o executivo da Toei.

Mesmo transformando Shun em Shaun, a personagem continuará sendo irmã caçula de Ikki, cavaleiro de Fênix e vilão no início do anime. "A dinâmica entre Shaun e Ikki não muda. Continua a ser uma relação de irmãos que se amam. Cavaleiros sempre foi sobre laços de amizade e de família. Só estamos olhando isso sob ângulos diferentes", disse o diretor Yoshiharu Ashino.

Seiya, protagonista de Os Cavaleiros do Zodíaco, em 2D e computação gráfica - Montagem/UOL/Reprodução/YouTube/Netflix
Seiya, protagonista de Os Cavaleiros do Zodíaco, em 2D e computação gráfica
Imagem: Montagem/UOL/Reprodução/YouTube/Netflix

Desenho vs. computação gráfica

Outra queixa frequente do público, a computação gráfica com efeitos em 3D voltará ao universo de Os Cavaleiros do Zodíaco. Para os fãs das antigas, que no Brasil conheceram o desenho animado exibido pela Manchete, o traço dos personagens é imutável, assinado pela equipe de Shingo Araki, morto em 2011.

A nova roupagem de Saint Seiya, embora desagrade a geração mais velha, atingirá mais pessoas, na avaliação da equipe da Toei Animation.

"Acho que o estilo japonês da animação original limita o alcance do público. O CGI é uma nova forma de expressão e está aos poucos substituindo o desenho --e a Toei sempre foi avançada nisso, nessa busca pelo fotorrealismo", contou o produtor Yoshi Ikezawa.

"O 3D traz uma ambientação diferente. Em animação tradicional, você tem poucos frames por segundo, fica limitado. Com o 3D, você pode fazer até 24 frames por segundo. Você tem um acabamento melhor para as armaduras e também para o 'lip syncing', com mais frames para articular a boca quando o personagem fala", comparou Yoshiharu Ashino.

Remake para agradar o Ocidente

Seiya anda de skate em Os Cavaleiros do Zodíaco, anime da Netflix - Reprodução
Seiya anda de skate em Os Cavaleiros do Zodíaco, anime da Netflix
Imagem: Reprodução
Adaptação do mangá de Masami Kurumada, Saint Seiya estreou no Japão em outubro de 1986, em parceria com uma empresa de brinquedos que lançaria os famosos bonecos dos cavaleiros. Na França, ganhou o título adotado no Brasil, a partir de 1994: Os Cavaleiros do Zodíaco. Apesar do êxito na América Latina e em países da Europa, o anime nunca bombou nos Estados Unidos, mercado que a Toei busca alcançar com a nova versão.

"Não se trata de um remake qualquer. O original foi feito pensando muito no público japonês. Esta nova versão é para o mundo. Por isso demos prioridade ao inglês como primeira língua. E por isso optamos pelo CGI, que permite que a gente consiga se expressar ainda mais graças à tecnologia", falou Yoshiharu Ashino.

Imagem de Os Cavaleiros do Zodíaco, anime da Netflix - Reprodução/Netflix
Imagem de Os Cavaleiros do Zodíaco, anime da Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

"Brasileiros são os primeiros"

Questionado sobre a relevância dos fãs do Brasil para os novos projetos de Cavaleiros, como o anime da Netflix, o executivo da Toei destacou que os primeiros comentários na internet sobre o anime são em português.

"Sabemos bem deles! Sempre que anunciamos qualquer novidade, mesmo que esteja escrito em japonês nas nossas redes oficiais, os fãs brasileiros são sempre os primeiros a se manifestar! Levamos em conta tudo o que vocês dizem e tentamos estar abertos às suas opiniões. Pode não entrar na história, mas prestamos atenção e tentamos levar o recado aos diretores", pontuou.

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