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Como a Cersei de GoT virou ativista e acabou em filme "barato" sobre refugiados

Lena Headey em cena de The Flood - Divulgação
Lena Headey em cena de The Flood Imagem: Divulgação

Maurício Dehò

Do UOL, em São Paulo

21/06/2019 04h00

Lena Headey estrela de Game of Thrones, ganhando US$ 1,2 milhão por episódio como Cersei Lennister, resolveu dar um passo atrás por uma boa causa. Ela é a estrela do filme de baixo orçamento The Flood, um drama que chega aos cinemas da Inglaterra nesta sexta-feira, levantando uma bandeira de uma causa que escolheu defender nos últimos anos: os refugiados.

A atriz é mais uma das pessoas impactadas pela foto de um garotinho sírio achado morto em uma praia da Turquia, em 2015. A inglesa resolveu se voluntariar para ajudar o Comitê de Resgate Internacional (IRC), um grupo humanitário que atua na causa, e chegou a viajar para dar seu apoio.

Lena contou ao The Guardian que foi a Lesbos, uma ilha grega que virou ponto de desembarque de refugiados, e fez amizade com uma família síria, hoje realocada no norte da Alemanha.

O filme The Flood surgiu como projeto de três pessoas que trabalhavam como voluntários em Calais, um acampamento de refugiados na França já fechado - o diretor Anthony Woodley, o roteirista Helen Kingston e o produtor Luke Healy. A ideia do trio foi abrir um espaço no mundo do cinema para dialogar sobre a causa dos imigrantes e refugiados, aprofundando-se nas complexidades e emoções dos dois lados do espectro.

Headey não ganhou papel de heroína: ela é Wendy, uma profissional fria que trabalha assessorando nos pedidos de refugiados em um centro na Inglaterra, que sofre com um período conturbado de divórcio e abuso de bebidas.

"Eu cresci nessa indústria de pequenos filmes ingleses, lá atrás, quando os filmes eram feitos sem grana por quem tinha paixão por um projeto e eram feitos num período de tempo bem curto. Eu sentia falta desse tipo de produção de cinema", disse Lena, ao The Guardian.

Ivanno Jeremiah em cena de The Flood - Divulgação
Ivanno Jeremiah em cena de The Flood
Imagem: Divulgação

Na geladeira

O filme foi feito, na verdade, há três anos. Mas os envolvidos precisaram ter paciência para ter o momento certo de colocá-los nas salas de cinema. O motivo é um pouco triste. Outro filme sobre refugiados foi lançado na época e a equipe entendeu que o tema, polêmico, já tinha "completado sua cota".

"Isso não é algo legal de se falar. É bem feio. Mas quando vamos perceber que precisamos de trabalhamos como este?", questiona Lena, que vê seu país, a Inglaterra, bem atrás da Alemanha no tratamento de imigrantes. Ela esteve em Berlim para seu próximo projeto, o filme Gunpowder Milkshake, que deve estrear em 2020, envolvendo a história de um grupo de mulheres assassinas. Além disso, vem estudando direção para tentar trabalhar por trás das câmeras.

Iain Glen e Lena Headey em cena de The Flood - Divulgação
Iain Glen e Lena Headey em cena de The Flood
Imagem: Divulgação

Reunião de ex-GoT

The Flood acabou tendo mais um ex-Game of Thrones no elenco. Lena se reúne com Iain Glen, o Jorah Mormont de GoT, na empreitada. Ele é Philip, chefe da personagem de Lena, que gosta de aplicar sermões e é pressionado por burocratas.

The Flood será lançado um dia depois do Dia Mundial dos Refugiados, que acontece em 20 de junho. Ainda não há previsão de exibição no Brasil.

Veja o trailer, em inglês:

Homenagem a Freddie Mercury

Também sobre refugiados, Lena Headey apareceu nesta semana em um vídeo para o Comitê de Resgate Internacional citando o pouco lembrado fato de que Freddie Mercury, ex-vocalista do Queen, era um refugiado. Ele nasceu na Tanzânia e deixou o país rumo à Inglaterra.

"Querido Freddie, e se o Reino Unido nunca tivesse te dado boas vindas? Se você nunca tivesse sido acolhido, sua voz nunca seria ouvida e muitos nunca teriam achado suas próprias vozes. Sua coragem nunca teria nos dado força para sermos corajosos. Nunca teríamos sido campeões. O mundo não teria sido tão 'rapsódico', triunfante e brilhante, não seria nosso mundo. Querido Freddie e todos os refugiados, vocês fizeram muito mais que história", diz ela.

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