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"Big Bang Theory" previu a era "Vingadores" e despertou o nerd que há em você

Elenco de "The Big Bang Theory" posa com o quadrinista Stan Lee (1922-2018) - Reprodução
Elenco de "The Big Bang Theory" posa com o quadrinista Stan Lee (1922-2018) Imagem: Reprodução

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

10/05/2019 04h00

Lançada após a era de ouro das sitcoms na TV, "The Big Bang Theory", que chega ao fim na semana que vem nos Estados Unidos, pode não ter sido a melhor série dos nossos tempos, nem a mais admirada ou assistida. Ponto. Mas precisamos aceitar: ela pode ter ser sido a mais importante de sua era. Ao menos no que diz respeito à aceitação da cultura geek.

O que isso quer dizer? Por ter sido tão popular por tanto tempo em suas 12 temporadas, a história de Sheldon, Leonard, Penny e companhia abriu caminho para que o estereótipo do adulto fã de heróis e quadrinhos pudesse sair de vez do armário. A posterior avalanche de produtos voltados a esse tipo de público, incluindo franquias bilionárias como "Star Wars" e "Vingadores", faz parte da mesma engrenagem.

Há pelo menos dez anos o nerd dá as cartas na cultura pop, e "Big Bang" pode pedir a conta.

Atores de "The Big Bang Theory" - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Popularizou a Comic-Con

Maior convenção de entretenimento no planeta, a San Diego Comic-Con já era um grande fenômeno nos Estados Unidos nos anos 2000, quando a série foi lançada. Fora do país, no entanto, o evento costumava ser visto com um misto de curiosidade e desconhecimento.

As dezenas de citações ao longo das temporadas, incrementadas pelos cosplays dos personagens, que a frequentavam anualmente, reverberaram no planeta e ajudaram a valorizar a marca da Comic-Con, que desde então se espalhou pelo mundo e ganhou edições nos cinco continentes, inclusive no Brasil em 2014.

Elenco de "Big Bang Theory" participa da Comic-Con em 2012 - Kevin Winter/Getty Images/AFP - Kevin Winter/Getty Images/AFP
Imagem: Kevin Winter/Getty Images/AFP

Mostrou que é legal curtir super-heróis

Você era uma pessoa que como eu amava Batman e Superman. Mas a adolescência chegou, outros assuntos se tornaram mais latentes, e o gosto por filmes, séries e gibis foi relegado à sua memória infantil, algo que você lembra com nostalgia mas jamais seria capaz de voltar a consumir. Pergunte aos seus pais, seu primo mais velho ou a você mesmo. A vida era assim antes de "Big Bag Theory" estourar.

Não que a série seja a única responsável pelo crescimento do universo dos super-heróis, mas é fato que, ao longo da última década, milhões de pessoas passaram a levá-los a sério e a colecionar tudo o que for relacionado ao tema. Após o surgimento de Sheldon, passamos a viver a "Primavera Nerd".

Cena de "The Big Bang Theory" - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Ajudou o mercado de gibis

Entrar em uma grande livraria hoje é ter certeza de encontrar pelo caminho ao menos uma seção dedicada à cultura geek. Em algumas delas, há partes inteiramente dedicadas a gibis "no formato impresso, que já fora dado como morto, tomando o espaço de CDs e DVDs, mídias engolidas pelo streaming.

Obviamente, "Big Bang Theory" não é a única responsável pelo reaquecimento do mercado de HQs e graphic novels, mas ela está inserida no contexto. E editoras de todo o planeta estão de olho. Vários títulos do passado voltaram a ser publicados nos últimos tempos, de Disney a Marvel. Passe na banca mais próxima e faça a prova --e agradeça às constantes idas de Leonard e asseclas à loja de quadrinhos.

Cena de "The Big Bang Theory" - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Fez adultos voltarem a jogar videogame

Jogos digitais são citados em todas as temporadas de "The Big Bang Theory" e têm papel central no roteiro de 22 dos 276 episódios da série. Os personagens jogavam quase todos os estilos de jogos nas mais diversas plataformas --e também jogos de tabuleiro. Não é exagero dizer que a história recente dos videogames permeia a do seriado.

E isso inclui ainda o crescente mercado retrô/vintage. Não por acaso, as quintas-feiras eram sagradas na casa de Sheldon Cooper, nas noites regadas a comida chinesa e clássicos de consoles antigos. Dê um Google e procure saber quanto está o preço de Nintendinho original, que até a década passada era vendido em sebos por ninharias.

Cena de "The Big Bang Theory" - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Provou que nerds são gente como a gente

Boa parte das pessoas se identifica mais com personagens tímidos e atrapalhados, como são os de "Big Bang Theory", do que com bonitões expansivos e carismáticos. Por que isso acontece?

Simples. Nerds são gente como a gente. Eles se vestem de forma desleixada --ainda que com a algum estilo geek--, não são tão sociáveis quanto as redes sociais indicam, têm poucos (mas bons) amigos e se envolvem em parcos romances e/ou flertes amorosos.

Você se reconheceu nessa descrição? A vida de um geek é a vida de milhões de pessoas, e elas passaram a se aceitar melhor assistindo à série, vestindo ou não a carapuça nerd.

Sheldon e Amy em cena de "The Big Bang Theory" - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação