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Zakk Wylde: "Um novo Chuck Berry pode estar surgindo por aí no Instagram"

Divulgação
Zakk Wylde (centro), 52, e o Black Label Society Imagem: Divulgação

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

2019-04-05T04:00:00

05/04/2019 04h00

Com pinta de caminhoneiro e humor dificilmente abalado pelas intempéries da vida, o guitarrista Zakk Wylde está atento a novidades e tem duas recomendações para quem quer renovar a playlist de rock clássico: 1) Avenged Sevenfold, banda de heavy metal do elogiado guitarrista Synyster Gates; 2) Greta Van Fleet, banda americana "retrô" que, segundo ele, apesar das inevitáveis comparações com Led Zeppelin, vem apresentando ótimos serviços ao gênero.

"Eles já estão inspirando a molecada a voltar lá atrás e descobrir o Led Zeppelin, Humble Pie, o Black Sabbath. Eu desejo o melhor para eles. Que eles continuem trabalhando duro e seguindo adiante", diz Wylde em entrevista ao UOL. Caso você preferia mesmo algo mais antigo, o Zakk também tem uma sugestão: corra para os shows do Black Label Society.

Principal projeto solo do guitarrista da banda de Ozzy, o grupo está em uma longa turnê brasileira de sete datas. Hoje, se apresenta no Rio e, amanhã, parte para São Paulo, onde toca no Tropical Butantã, zona oeste de São Paulo. A banda promete um pesado compêndio do que de melhor produziu em 21 anos de estrada, em seus dez discos de estúdios.

E, segundo Zakk Wylde, há muito mais por vir. "[Estar em estúdio] É como ser o Salvador Dali. Você está ali pitando um quadro. Existe um sentimento de liberdade nisso. Eu amo tocar e farei isso pelo resto da minha vida."

UOL - Você é um homem de vários projetos: Ozzy, Black Label Society, Generation Axe. Não é cansativo fazer tantos shows e tocar com tanta gente?

Zakk Wylde - Não. Eu amo fazer o que faço. Eu jamais trocaria minha profissão por nenhuma outra. Eu agradeço a Deus todos os dias pelo que tenho na vida. Essa é a razão que me fez ter pôsteres do Jimmy Page na minha parede quando tinha 15 anos de idade. Era realmente o que eu queria fazer com minha vida. E eu estou fazendo isso.

Claro que há o outro lado. Eu adoro meu tempo de estar em casa, descansando, mas, quando estou em turnê, quando subo no palco, eu simplesmente amo. Amos as duas coisas. É como receber uma massagem no pé e uma no ombro. Simplesmente não dá para escolher o que é melhor.

Você já foi diagnosticado com trombos na perna e, no ano passado, teve que cancelar shows por motivos de saúde. O que houve? Como se sente agora?

Eu fiquei bem doente. Eu não conseguia cantar. E foi basicamente o que aconteceu. Minha voz estava totalmente destruída. Essa foi a razão de termos cancelado alguns shows. Acontece. Não havia nada que poderíamos fazer. Fiquei de molho pelo maior tempo que consegui, tomei remédios e o médico me mandou ficar uma ou duas semanas em casa, para melhorar e voltar pra estrada. Foi o que aconteceu. Quando você fica doente você fica doente. Não há nada que você pode fazer. Estou ótimo agora.

Reprodução
Zakk Wylde Imagem: Reprodução

Há quem diga que os grandes guitar heroes estão em extinção. Concorda?

Existem muitos guitarristas bons tocando por aí, liderando novos estilos, apresentando novos jeitos de tocar. Gosto do Synyster Gates, do Avenged Sevenfold, que passou o bastão para a nova geração. Hoje você vai no Instagram, nas mídias sociais, e conhece guitarristas incríveis, anônimos, muitos deles garotos.

Um novo Chuck Berry pode estar surgindo por aí, enquanto a gente conversa ao telefone. Isso é muito positivo para a guitarra. Tudo está evoluindo e mudando.

Quais bandas atuais você recomendaria?

Greta Van Fleet. Eles são demais. Eles são garotos tocando como o Led Zeppelin, o Humble Pie, se inspirando nas bandas dos anos 1970. Isso é ótimo. Não há nada de errado. É excelente fazer boa música inspirado no que você ama. É transformador. E eles já estão inspirando a molecada a voltar lá atrás e descobrir o Led Zeppelin, Humble Pie, o Sabbath. Desejo o melhor para eles. Que eles continuem trabalhando duro e seguindo adiante. Deus os abençoe. Eles são ótimos para o rock.

Você sofreu com o alcoolismo no passado. Qual é sua relação com a bebida hoje?

Não penso mais nisso. Não bebo nada há uns dez anos. Quando volto lá atrás, lembro que havia muita risada, muita diversão e era ótimo. Beber para mim tem a ver com histórias divertidas. Mas quando eu descobri que tinha trombos na perna, fui ao médico e ele disse que eu não poderia mais beber, que poderia morrer. Eu pensei "ah, mas que merda". Mas o fato é hoje eu não sofro com isso. Eu disse OK e pensei: "Hoje é terça, amanhã é quarta. Não é nada demais. Vou superar". Foi o que aconteceu.

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