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Três histórias da 3ª temporada de "Queer Eye" que vão te fazer chorar

Cena da terceira temporada de "Queer Eye" - Netflix
Cena da terceira temporada de "Queer Eye" Imagem: Netflix

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

19/03/2019 04h00

ATENÇÃO: O texto abaixo contém spoilers. Não leia se não quiser saber o que acontece na terceira temporada de "Queer Eye".

A terceira temporada da série "Queer Eye" aterrissou na Netflix em grande forma revelando oito novas histórias de transformação e amor-próprio, que provavelmente te farão refletir sobre os rumos da sua própria vida. E uma dica importante para quem pretende mergulhar nos episódios: é bom ir preparando o lenço. Nunca a atração escolheu personagens tão tocantes nem carregou tanto nas tintas da emoção.

Para quem já conhece o reality, uma das melhores produções da Netflix, os novos episódios continuam seguindo a pegada inspiradora, com lições importantes de desenvolvimento pessoal que nada têm a ver com a chatice dos livros de autoajuda. Como principal novidade, a temporada traz histórias protagonizadas por mulheres.

Para quem não está familiarizado, o remake de "Queer Eye for the Straight Guy" é estrelado por cinco carismáticos consultores homossexuais que ajudam pessoas desleixadas do interior americano, de várias formas possíveis. Cada um é especializado em uma área --vestuário, culinária e vinhos, arte e cultura, cabelo e higiene pessoal e design de interiores-- e, juntos, eles formam a equipe Fab 5.

Veja abaixo três momentos da nova temporada que, na mais amena das hipóteses, vão te fazer engolir seco por pelo menos alguns minutos.

O pai viúvo

Intitulado "Amor de Pai", o sexto episódio da nova temporada é provavelmente o mais tocante de toda a série -e, provavelmente, de todos os realities da Netflix. A pessoa que passa pela "reforma" é Rob Elrod, um gerente de bar pai de dois filhos, de três e cinco anos, que havia acabado de passar pelo maior trauma da vida: a morte da mulher, Alison, vítima de câncer de mama. Mesmo depois de dois anos, ele decide mudar de casa por não conseguir lidar com o sofrimento e a ausência.

Desafio do choro: Como se não bastasse toda a história emotiva, o episódio mostra que a jovem, ciente de que iria morrer em breve, deixou um audiolivro infantil para os filhos narrado com a própria voz, para que eles nunca se esquecessem de seu timbre. Ela também deixou cartões para os filhos, com mensagens para as diferentes fases da vida dos meninos, sempre com o recado para o mais velho: "Seja legal com seu irmão". Na reforma da casa, o designer Bobby Perk manda esculpir a frase em um móvel planejado para acomodar todas as lembranças da mulher. Momento para engolir seco.

Rob Elrod, o pai viúvo que está emocionando o mundo na nova temporada de "Queer Eye" - Reprodução - Reprodução
Rob Elrod, o pai viúvo que está emocionando o mundo na nova temporada de "Queer Eye"
Imagem: Reprodução

As irmãs churrasqueiras

Estrelas do terceiro episódio, Deborah e Mary Jones são duas irmãs de meia-idade donas de um quiosque conhecido por ter um dos melhores churrascos e molho caseiro de Kansas City, uma receita especial da família. A dupla sempre se sacrificou em nomes dos outros e decidiu voltar a trabalhar duro na administração e atendimento da loja para conseguir pagar a faculdade de Izora, filha de Deborah, que as inscreveram no programa.

Desafio do choro: Tente não se deixar levar pela personalidade cativante das irmãs, que a cada cena ficam mais e mais perplexas com o trabalho dos "Fab 5". Eles dão um "upgrade" no negócio e as ajudam a lançar no mercado sua marca de molho. O ápice da emoção acontece quando a sorridente Mary é levada a uma cirurgiã dentista. Ela não tinha um dos dentes frontais, que caiu em um acidente na infância e, por falta de dinheiro e cuidado, nunca foi corrigido. Sorrindo largamente pela primeira vez em décadas, Mary desaba em lágrimas, e o público também.

Deborah e Mary Jones, estrelas de um dos episódios mais tocantes de "Queer Eye" - Reprodução - Reprodução
Deborah e Mary Jones, estrelas de um dos episódios mais tocantes de "Queer Eye"
Imagem: Reprodução

A mulher poderosa

Imagine alguém que é mulher, negra, lésbica e adotada, pois sua família biológica não tinha condições de te criar. Imagine essa pessoa chegar em uma família religiosa e intolerante, que a expulsa de casa aos 16 anos após revelar a orientação sexual. Imagine agora ela entrando na faculdade de computação e sendo obrigada a abandoná-la por não ter conseguir pagar as mensalidades. Tudo isso aconteceu com Jess Gilbo, uma jovem do Estado do Kansas que aparece no quinto episódio.

Desafio do choro: Se você nasceu com um coração do lado esquerdo do peito, a história de Jess deve te pegar de jeito. Isolada socialmente, ela vai construindo uma relação especial com o Bobby, que também precisou se virar sozinho na juventude por ter pais intolerantes. O encontro de Jess com a irmã biológica que acabara de dar à luz, promovido pelo designer, é de uma delicadeza ímpar. Seus olhos vão marejar principalmente durante o discurso final da jovem aos Fab 5, quando reconhece que, por causa deles, enfim se tornou a mulher que sempre sonhou ser, despida dos preconceitos sobre os outros e sobre si mesma.

Jess Gilbo (à esquerda) interage com Tan France e Karamo   - Divulgação/Netflix - Divulgação/Netflix
Jess Gilbo (à esquerda) interage com Tan France e Karamo
Imagem: Divulgação/Netflix