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Festival Virada Salvador 2019


Em show politizado, Daniela Mercury reforça discurso a favor da democracia

João Alvarez /UOL
Daniela Mercury durante apresentação no Festival Virada Salvador com Maria Gadú com camiseta "Ele, Não!" Imagem: João Alvarez /UOL

Alexandre Santos

Colaboração para o UOL, em Salvador

2019-01-02T00:52:17

02/01/2019 00h52

Daniela Mercury fez na noite desta terça-feira, 1º de janeiro, o show mais politizado do Festival Virada Salvador. 

Diferentemente das demais atrações que ali passaram --à exceção de Milton Nascimento, na sexta (28)--, a cantora baiana não se furtou a reforçar o seu já conhecido discurso pró-minorias e em defesa da democracia. 

Tanto que, antes mesmo de entrar na arena que leva o seu nome, fizera questão de explicar: "São temas contra o racismo, contra a homofobia, contra todo tipo de violência de um jeito maravilhoso, de um jeito positivo, afirmativo e cheio de axé."

"É a arte como grande afirmação do nosso sonho de país", reforçou em seguida. 

Vestida de preto e com dreadlocks postiços, Daniela levou ao palco um espetáculo que, há 20 anos, evoca elementos da cultura afro-brasileira.

Numa atmosfera quase teatral, também trouxe consigo coreógrafos mirins. E falou sobre tal concepção. "As crianças sempre nos lembram de quem somos nós como povo. Lembram da nossa história, democrática, da nossa luta de afirmação", definiu.

Acompanhada pelo tradicional balé e pela percussão da banda Didá -- formada somente por mulheres--, a cantora foi recepcionada por fãs empolgados, apesar do clima de ressaca do pós-Réveillon.

No repertório escolhido para ocasião, a artista baiana desfilou clássicos que lhe renderam o título de rainha da axé music. 

Dentre os mais conhecidos em seus 30 anos de estrada, cantou em batida de samba-reggae "Swing da Cor", "O Canto da Cidade", "O Mais Belo dos Belos", "Ilê Pérola Negra" e "Ilê Aiê". 

Público reage com '"Ele, não"
 

Embora bem mais tímido em relação aos primeiros dias de evento, o público não se conteve quando Daniela Mercury puxou "Nobre Vagabundo", clássico de sua carreira, escrito pelo roqueiro baiano Marcio Mello. 

"Ele, não!, "Ele, não!", "Ele, não!", gritou um grupo mais eufórico, em clara referência ao presidente Jair Bolsonaro, empossado no cargo horas mais cedo. Sem citar nominalmente o novo mandatário, Daniela devolveu: "O Brasil, sim! O povo brasileiro, sim!"

Ao longo do show, a cantora lembrou ainda da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018, e de Mãe Stella de Oxóssi, líder religiosa que morreu na semana passada, aos 93 anos. 

Ao fim da apresentação, quando os convidados Tulipa Ruiz, Maria Gadú e Chico César se reuniram para uma saideira, a plateia voltaria a protestar com palavras de ordem.

Desta vez, instigados pela camiseta usada por Gadú, cujas letras estampadas [Ele, não!] tornariam a ser ecoadas.