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Quem ganha e quem perde força no Oscar após as indicações ao Globo de Ouro

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Lady Gaga em cena de "Nasce Uma Estrela" Imagem: Reprodução

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

06/12/2018 15h20

A corrida até o Oscar 2019 passou por um de seus momentos mais importantes nesta quinta-feira (6), com a revelação dos indicados ao Globo de Ouro, considerado o principal termômetro para a premiação da Academia.

O Globo de Ouro é votado por membros da imprensa estrangeira em Hollywood, um contingente bem distinto daquele que vota pelo Oscar (membros da indústria, de atores e diretores a executivos e compositores). Mesmo assim, as categorias cinematográficas mostram quais filmes conseguiram emplacar com suas campanhas, cuidadosamente arquitetadas por especialistas dentro dos estúdios.

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Como de costume, a lista veio de cheia de indicações surpresa, mas também de ausências sentidas. O Globo de Ouro 2019 acontece daqui a exatamente um mês, no dia 6 de janeiro -- semanas antes do anúncio dos indicados ao Oscar, que ocorre no dia 22 do mesmo mês.

Abaixo, listamos quem sai das indicações de hoje fortalecido (ou enfraquecido) para o prêmio da Academia.

"Nasce Uma Estrela": Favoritismo confirmado

Se "Nasce Uma Estrela" já era visto como favorito antes das indicações ao Globo de Ouro, o filme cravou seu lugar nesta posição hoje. Além de ganhar indicação em melhor filme de drama, a produção da Warner foi lembrada em melhor ator (Bradley Cooper), melhor atriz (Lady Gaga), melhor direção (de novo Cooper) e melhor canção original ("Shallow").

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Sam Elliott e Bradley Cooper em "Nasce Uma Estrela" Imagem: Divulgação

O tocante filme aborda a ascensão da cantora Ally (Gaga), que conhece e se apaixona pelo rockstar alcoólatra Jackson (Cooper). Quarta versão desta história de fama e ruína produzida por Hollywood (Janet Gaynor, Judy Garland e Barbra Streisand já interpretaram o papel que agora é de Gaga), o filme se tornou um dos mais elogiados do ano quando estreou, e também foi sucesso de bilheteria, com pouco mais de US$ 360 milhões arrecadados mundialmente.

A única ressalva sofrida por "Nasce Uma Estrela" no Globo de Ouro foi a ausência de Sam Elliott entre os indicados a melhor ator coadjuvante. O ator, que interpreta o irmão mais velho e mentor de Jackson, era considerado um dos favoritos na categoria, mas agora perde espaço para outros concorrentes, como Mahershala Ali e Adam Driver.

"Pantera Negra": Marvel mais perto do Oscar

A campanha da Disney por indicações para "Pantera Negra", seu épico sobre o super-herói T'Challa (Chadwick Boseman), funcionou -- ao menos em parte. O longa recebeu três indicações ao Globo de Ouro 2019: melhor filme de drama, melhor trilha sonora (para Ludwig Göransson) e melhor canção original (para "All the Stars", de Kendrick Lamar e SZA).

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Michael B. Jordan como Erik Killmonger em "Pantera Negra" Imagem: Divulgação/Marvel

Assim, "Pantera Negra" se tornou o primeiro filme de super-heróis a ganhar uma indicação na categoria principal da noite. No entanto, ficou de fora de outras corridas-chave, como melhor direção (Ryan Coogler), melhor roteiro adaptado, melhor figurino, melhor ator (Chadwick Boseman) e melhor ator coadjuvante (Michael B. Jordan), diminuindo suas chances de múltiplas indicações ao Oscar.

Fenômeno de público, com mais de US$ 1,3 bilhão em bilheteria, e de crítica, "Pantera Negra" está mais perto do que nunca de consolidar ainda mais seu status de grande fenômeno cultural do ano ao levar o cinema de super-heróis pela primeira vez à competição pelo Oscar de melhor filme.

"Vice" e "Green Book: O Guia": Novos favoritos

Ninguém duvidava do impacto de "Vice" e "Green Book: O Guia" na temporada de premiações, mas o Globo de Ouro foi fundamental para consolidá-los como novos favoritos da corrida para o Oscar. "Vice" foi o campeão de indicações, com seis ao todo, enquanto "Green Book" apareceu no segundo lugar, com cinco (empatado com "Nasce Uma Estrela" e "A Favorita").

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Mahershala Ali e Viggo Mortensen em cena de "Green Book - O Guia" Imagem: Reprodução

O primeiro filme, uma comédia comandada por Adam McKay (que já concorreu ao Oscar por "A Grande Aposta"), aborda a vida do ex-vice presidente dos EUA Dick Cheney, encarnado por um Christian Bale quase irreconhecível. As indicações de Bale (melhor ator), Amy Adams (melhor atriz coadjuvante) e Sam Rockwell (melhor ator coadjuvante) confirmam que o filme chegará em peso nas categorias de atuação do Oscar.

Enquanto isso, "Green Book: O Guia" surpreendeu por levar até mesmo o seu diretor, Peter Farrelly, a uma indicação. A história sobre um pianista negro e seu motorista branco (Mahershala Ali e Viggo Mortensen, ambos chegando fortes ao Oscar) nos EUA segregados dos anos 1960 não é exatamente a praia de Farrelly, que dirigiu comédias pastelão como "Débi & Lóide" e "Quem Vai Ficar com Mary?". Se fizer o pulo para o Oscar, ele será um indicado bem "fora da caixinha".

"O Primeiro Homem" e "As Viúvas": Esnobados do ano?

As duas ausências mais sentidas entre os filmes que estavam cotados para o Oscar 2019 foram, sem dúvida, as de "O Primeiro Homem" e "As Viúvas". O primeiro até conseguiu duas indicações, incluindo a de melhor atriz coadjuvante para Claire Foy, mas ficou a ver navios em categorias nas quais sua presença era bastante esperada, como melhor filme de drama, melhor direção (Damien Chazelle) e melhor ator (Ryan Gosling).

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Cena do filme "As Viúvas" Imagem: Reprodução

Como resultado, a cinebiografia de Neil Armstrong (Gosling), o primeiro homem a pisar na Lua, precisa de um verdadeiro milagre de última hora para recuperar as forças para o Oscar. Visto que o último filme de Chazelle, "La La Land: Cantando Estações", foi força dominante na premiação da Academia, é sem dúvida uma grande decepção para o estúdio.

Enquanto isso, "As Viúvas" não conseguiu cavar nem mesmo indicação para Viola Davis em melhor atriz de drama. Em outras categorias, a presença do filme era dúvida para alguns especialistas. O longa de Steve McQueen ("12 Anos de Escravidão") segue um grupo de mulheres completando o trabalho criminoso de seus maridos mortos -- e as premiações, notavelmente, não são muito fãs do gênero de ação.

"Hereditário" e "Um Lugar Silencioso": Terror menosprezado pela premiação

Apesar de estar vivendo um dos momentos mais empolgantes da sua história, o cinema de terror continua sendo ignorado pela maioria das grandes premiações. "Corra!" foi a exceção no ano passado, mas o Globo de Ouro 2019 não deu quase nenhuma atenção para dois grandes filmes do gênero lançados este ano: "Hereditário" e "Um Lugar Silencioso".

Jonny Cournoyer/AP
John Krasinski dirige Emily Blunt em cena de "Um Lugar Silêncioso" Imagem: Jonny Cournoyer/AP

Até Toni Collette, cuja atuação em "Hereditário" foi uma das favoritas da crítica neste ano, ficou de fora da seleção. No filme, ela interpreta Annie, artista e mãe de família que, após a morte de sua própria mãe, começa a perceber forças sinistras se acercarem dos filhos e do marido.

Enquanto isso, "Um Lugar Silencioso" foi lembrado pela trilha sonora de Marco Beltrami, mas ficou de fora das categorias principais, inclusive melhor atriz coadjuvante (Emily Blunt). O filme escrito, dirigido e estrelado por John Krasinski, marido da atriz, retrata um futuro em que os humanos precisam permanecer em silêncio para não serem caçados por monstros com ouvidos aguçados.

Ethan Hawke e Natalie Portman: Astros em perigo

Em "First Reformed", o astro Ethan Hawke entrega sua atuação mais impressionante na pele de um padre cujas preocupações ambientais começam a fazê-lo duvidar de sua fé. O longa de Paul Schrader provocou impacto nos festivais, e o clima em torno da performance de Hawke era de favoritismo, mas sua ausência no Globo de Ouro abre espaço para Bradley Cooper e Willem Dafoe tomarem a dianteira.

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Natalie Portman em "Vox Lux" Imagem: Reprodução

Enquanto isso, o musical "Vox Lux" foi outra aposta independente que acabou ficando totalmente de fora da competição. O filme traz Natalie Portman interpretando a versão adulta de uma popstar ficcional, enquanto destrinchamos o seu dia-a-dia e a forma como a fama moldou o seu psicológico.

No Oscar, Portman vai apostar em uma campanha para melhor atriz coadjuvante, deixando o posto de protagonista do filme para a colega Raffey Cassidy, que interpreta a personagem quando adolescente. Talvez, por conta desta estratégia, suas chances de cavar uma vaga na premiação sejam maiores.

"Roma" e "A Favorita": Sabor estrangeiro no Oscar

Com suas três indicações, "Roma" só ficou de fora da corrida principal, de melhor filme de drama, por conta de uma regulação do Globo de Ouro que não existe no Oscar. O épico de Alfonso Cuarón sobre uma família mexicana lidando com as transformações sociais do país nos anos 1970 segue um dos favoritos para o prêmio da Academia, e pode dar à Netflix sua primeira indicação a melhor filme.

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Emma Stone em cena de "A Favorita" Imagem: IMDB/Divulgação

Enquanto isso, o excêntrico "A Favorita" triunfou com cinco indicações, mostrando que o humor negro do diretor Yorgos Lanthimos pode finalmente ter conquistado os votantes de premiações. Na trama, acompanhamos uma fragilizada Rainha Anne (Olivia Colman) enquanto ela se vê manipulada por duas conselheiras, interpretadas por Rachel Weisz e Emma Stone.

As três atrizes conseguiram indicações ao Globo de Ouro, se fortalecendo na corrida do Oscar. Junto a Lady Gaga e Glenn Close (por "The Wife"), Colman parece ser a aposta mais certa para uma indicação a melhor atriz, e talvez a grande zebra do dia da cerimônia.

"O Retorno de Mary Poppins" e "Bohemian Rhapsody": Musicais sob os holofotes

O sucesso de bilheteria de "Bohemian Rhapsody", cinebiografia de Freddie Mercury e do Queen, pode arrastar o filme para o Oscar, mesmo que a recepção da crítica tenha sido morna. É o que confirmaram as indicações ao Globo de Ouro, onde o longa foi lembrado em melhor filme de drama e melhor ator (Rami Malek).

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Freddie Mercury (Rami Malek) e Mary Austin (Lucy Boynton) em "Bohemian Rhapsody" Imagem: Reprodução

Ao mesmo tempo, "O Retorno de Mary Poppins" se mostrou um improvável favorito ao receber três indicações: melhor filme de comédia ou musical, melhor atriz (Emily Blunt) e melhor ator (Lin-Manuel Miranda).

A surpresa é principalmente porque continuações, ainda mais continuações tardias como esta (o "Mary Poppins" original saiu em 1964), raramente são reconhecidas pelas grandes premiações. Depois de hoje, no entanto, Blunt e o filme saem fortalecidos para o Oscar 2019.

"Infiltrado na Klan": A vingança de Spike Lee

Demorou, mas parece que Spike Lee vai finalmente ser reconhecido pela extraordinária carreira no cinema. "Infiltrado na Klan" conquistou os votantes do Globo de Ouro e recebeu quatro indicações, incluindo melhor filme de drama e a aguardada lembrança de Lee em melhor direção.

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Adam Driver e John David Washington em cena de "BlacKkKlansman", de Spike Lee Imagem: Divulgação

O longa aborda a história real de um policial negro (John David Washington, também indicado) que se infiltrou na organização racista Ku Klux Klan durante os anos 1970, tentando descobrir e desmontar os planos terroristas do grupo.

Adam Driver também recebeu indicação por seu papel como o detetive judeu que ajuda o protagonista na missão. O ator, que era considerado um azarão na corrida de melhor ator coadjuvante, sai das indicações do Globo de Ouro em uma posição bem mais favorável.

Mais algumas considerações

É impossível abordar todas as sutilezas da corrida pelo Oscar 2019 em tão poucos tópicos, então aqui vão mais algumas observações trazidas pela lista divulgada pelo Globo de Ouro:

  • Willem Dafoe ("No Portal da Eternidade"), Glenn Close ("The Wife"), Lucas Hedges ("Boy Erased: Uma Verdade Anulada") Timothee Chalamet ("Querido Menino"), Regina King ("Se a Rua Beale Falasse"), Nicole Kidman ("Destroyer"), Melissa McCarthy e Richard E. Grant ("Você Pode Me Perdoar?") consolidaram seus lugares como favoritos nas categorias de atuação do Oscar.
  • Por outro lado, Hugh Jackman ("The Front Runner"), Felicity Jones ("Suprema"), Steve Carell ("Querido Menino"), Julia Roberts ("Ben is Back"), Saoirse Ronan e Margot Robbie ("Duas Rainhas") ficaram de fora da seleção, e enfraqueceram suas chances para o prêmio da Academia.
  • Barry Jenkins surpreendeu ao ficar ausente da lista de melhor direção por "Se a Rua Beale Falasse", especialmente porque se trata de seu primeiro filme desde o vitorioso "Moonlight: Sob a Luz do Luar".
  • "Guerra Fria", o filme polonês que era posicionado como favorito ao prêmio de melhor filme estrangeiro, cedeu espaço para outros títulos no Globo de Ouro. "Shoplifters" (Japão), "Never Look Away" (Alemanha) e "Roma" (México) seguem fortes.