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Underoath, a banda cristã de rock que largou a religião para se salvar

Reprodução/Facebook
A banda Underoath lançou nesta sexta-feira o álbum "Erase Me" Imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, em São Paulo

11/04/2018 04h00

Não são poucos os músicos que, depois de uma vida de excessos acabam indo para o caminho da religião - como o ex-Raimundos Rodolfo, ou o líder do Megadeth Dave Mustaine, por exemplo. O caminho contrário é que não se vê com tanta frequência. Para a banda norte-americana Underoath, largar o rótulo de ser uma banda cristã acabou virando uma salvação.

O Underoath, fundado em 1997, fez sua fama tocando na cena screamo - misturando emo, hardcore e metalcore - e chegou a liderar as paradas de rock dos EUA com “Define the Great Line”, de 2006. Mas, as coisas tomaram um rumo inesperado em 2012, quando se separaram. O recomeço veio em 2015 e se completa com o novo disco, “Erase Me”, lançado nesta sexta-feira (6). A diferença é que o aposto “banda cristã” foi deixado de lado e que pela primeira vez eles usaram o palavrão “fuck” em uma canção.

A verdade é que, apesar das mensagens cristãs -- ainda que numa sonoridade caótica do screamo --, os integrantes do Underoath passaram por problemas com abuso de drogas e vício, depressão e brigas. E eles consideram que a pressão por serem uma banda denominada cristã estava prejudicando o conjunto. Com os integrantes ficando mais velhos e vendo a vida de outra forma, não fazia mais sentido ligar sua música a uma religião.

Em entrevista à revista "Revolver", o vocalista Spencer Chamberlain foi bem claro:

Uma das melhores coisas que aconteceu pra gente foi quando nós concordamos em não ser mais uma ‘Banda cristã’. E, quando fizemos o disco, a frase ‘isso não é Underoath o suficiente’ foi proibida, porque essas duas p... de coisas é que arruinaram a banda num primeiro momento

Chamberlain chegou à banda em 2003, momento da explosão do Underoath -- hoje só há um membro original, o baterista Aaron Gillespie, que também faz os vocais limpos da banda. O crescimento da banda foi fazendo o elo religioso com os fãs cada vez mais forte e deu força ao grupo.

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Mas aquela imagem de que eles viviam uma vida “abençoada” foi frustada pela separação. “Nós tínhamos muitas coisas rolando. Eu estava constantemente lutando contra o vício em drogas, Tim (McTague, guitarrista) estava com crises de identidade e Aaron e o resto se separaram”, detalhou o vocalista. “Nenhum de nós estávamos felizes, então paramos a banda. Os três anos seguintes foram os piores da minha vida. Fiquei deprimido e naõ sabia o que fazer. Nós exageramos, trabalhamos demais e acabamos sofrendo as consequências. Aprendi muito sobre mim e sobre a vida nestes últimos anos.”

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A banda Underoath em foto de 2006 Imagem: Getty Images

O vocalista ainda explicou que o álbum “Erase Me” traz críticas a religiões organizadas e que não foi difícil chegar à decisão de dar tentar separar as coisas.

“Numa banda é difícil equilibrar personalidades e relacionamentos. Adicione religião a isso, com pontos de vista diferentes e com os integrantes amadurecendo. Eu não ligo pra que porra de religião cada um acredita. Não dava pra fazer nada sem alguém ficar com raiva”.

“Erase Me” simboliza essa mudança toda em sua capa, com a escultura de um anjo despedaçada.  O disco já rendeu dois clipes lançados como singles pela banda: “On My Teeth” e “Rapture”.