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Kinnaman sobre "Altered Carbon": Tecnologia é o futuro e também o risco

Divulgação/Netflix
Cena de "Altered Carbon", da Netflix Imagem: Divulgação/Netflix

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

21/02/2018 04h00

"Altered Carbon", a série de ficção científica da Netflix com ares de "Blade Runner", traz um universo distópico recheado de questões éticas e existenciais: o que nos define como seres humanos? E o que significa ter em mãos uma tecnologia que, na prática, torna apenas os ricos imortais?

Baseada no livro "Carbono Alterado", de Richard K. Morgan, a produção criada por Laeta Kalogridis explora essas perguntas por meio de Takeshi Kovacs (Joel Kinnaman), um homem que acorda quase 300 anos no futuro e se vê em outro corpo --algo possível pelo fato de a consciência humana, nesse universo, ser digitalizada e armazenada em cartões de memória.

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São questões tão ambiciosas, propostas pela série, que o elenco não ficou indiferente. "A humanidade parece dar dois passos para frente e um para trás", diz ao UOL Kinnaman, já conhecido do público por "The Killing" e "House of Cards", ao comentar sobre a onda de séries que mostram um futuro não tão brilhante para a humanidade, da qual fazem parte também "Black Mirror", "The Handmaid's Tale" e a brasileira "3%". "Muitas pessoas estão vendo o que está acontecendo no mundo agora, que não estamos indo na direção certa. E a ideia de como o futuro será se tornou mais sombria".

Katie Yu/Netflix
Pessoas podem trocar de corpos no universo de "Altered Carbon" Imagem: Katie Yu/Netflix

Para ele, está na hora de a sociedade decidir como vai lidar com as novas tecnologias. "Há muitas decisões que temos que tomar como raça humana agora. Como vamos lidar com a ascensão das inteligências artificiais, por exemplo? Eu ouço pessoas como o neurocientista Sam Harris e o empresário Elon Musk nos alertando de que isso pode ser uma caixa de pandora. O futuro da humanidade, a solução para resolver os problemas, está na tecnologia, mas os perigos e os riscos também".

A atriz Renée Elise Goldsberry, que interpreta a líder revolucionária Quell, acredita que "Altered Carbon" reflete uma ansiedade social com a forma como o poder tecnológico é usado. "Estamos implorando aos inovadores para fazer coisas que nos tornem saudáveis, nos façam viver mais, nos façam ter mais qualidade de vida. Nós queremos isso desesperadamente, mas fazemos essas séries e filmes em que expomos essa nossa inquietação com a tecnologia, porque sentimos, de alguma forma, que há ameaça na dependência em algo que não é organicamente nosso."

Já Martha Higareda, que na série vive uma das aliadas de Kovacs, a detetive Kristin Ortega, se diz fascinada por descobrir que há pesquisadores de verdade empenhados em encontrar uma forma de fazer o upload da consciência humana. "Foi incrível descobrir que a tecnologia da nossa série está sendo desenvolvida. Ficção científica sempre vai ser uma coisa [presente], porque é divertido pensar como vai ser o futuro. É uma questão que todos nós nos perguntamos". 

Divulgação/Netflix
Martha Higareda é a policial Kristin Ortega em "Altered Carbon" Imagem: Divulgação/Netflix

Dois atores, um papel

Enquanto acompanha a jornada de Kovacs, a série explora o passado do personagem, que nos flashbacks é interpretado por Will YunLee. E para compor o protagonista, ele e Kinnaman encontraram alguns gestos em comum, ainda que não tenham trabalhado diretamente juntos.

"Eu tive a vantagem de eles terem filmado depois a parte do Will", diz o ator, aos risos. "Eu fiquei focado em fazer o meu trabalho, e ele teve que se parecer comigo. Mas parte da história é que quando você muda de corpo, você também é afetado pelo corpo em que você está, então você muda um pouco. Mas há maneirismos iguais, ele pegou alguns detalhes do que eu estava fazendo para que houvesse uma conexão, mas também houve a oportunidade de criar coisas novas".

Mulheres no sci-fi

"Altered Carbon" traz um elenco forte no quesito diversidade, e dá grande destaque para as mulheres da trama: Kristin, Quell e Reileen (Dichen Lachman), a irmã de Kovacs, são presenças importantes para a série e protagonizam algumas de suas mais ambiciosas cenas de ação.

"Frequentemente na ficção cientifica, as mulheres são retratadas de forma estereotipada, como objetos sexuais de alguma forma", afirma Renée. "Mas somos sexy e detonamos nesse mundo. Nós somos ruins, más, vulneráveis, somos todas as coisas que as mulheres são na vida real e isso não tira, de forma alguma, o poder dos homens. Isso é algo lindo".

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