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'Sérgio': 'Nós, latinos, demoramos para fazer um filme como esse', diz Ana de Armas

Ana de Armas e Wagner Moura em cena de "Sérgio" - Divulgação/IMDb
Ana de Armas e Wagner Moura em cena de 'Sérgio' Imagem: Divulgação/IMDb

David Villafranca.

De Los Angeles

17/04/2020 14h40

A atriz cubana Ana de Armas, protagonista — ao lado do brasileiro Wagner Moura — do filme "Sergio", disponível a partir de hoje na Netflix, se disse surpresa por nunca ter sido lançado um filme sobre a história do diplomata brasileiro Sergio Vieira de Mello.

"Nós, latinos, demoramos para fazer um filme como este, sabendo que é difícil romper os estereótipos no cinema e mostrar histórias de latinos com estes tipos de valores", argumentou a artista, de 31 anos, em entrevista à Agência Efe.

"Eu não fazia ideia da história de Sergio Vieira de Mello, foi uma absoluta descoberta. Eu me apaixonei pelo roteiro, fui correndo até a casa do diretor Greg Barker, me sentei na cozinha e falei: 'Você não pode procurar nenhuma outra atriz para interpretar Carolina Larriera, sou eu'", comentou, aos risos.

Natural de Havana, Ana de Armas já é uma das grandes referências latino-americanas em Hollywood. A trajetória, que começou com filmes de baixo e médio orçamento (como "Bata Antes de Entrar", de 2015; e "Punhos de Aço", de 2016), ganhou brilho em uma grande produção, "Blade Runner 2049", de 2017, e rendeu a primeira indicação ao Globo de Ouro neste ano, pelo papel em "Entre Facas e Segredos" (2019).

À espera da estreia de "007 - Sem Tempo Para Morrer", novo filme de James Bond que foi adiado devido à pandemia do coronavírus, a atriz também já esteve sob os holofotes em sua vida pessoal: o relacionamento com Ben Affleck foi amplamente repercutido pela imprensa.

Aproveitando o confinamento para ler roteiros durante o recesso forçado pela pandemia, a artista cubana refletiu sobre este momento "tão estressante para todos".

"Estou bem porque estou saudável, assim como minha família e meus amigos. Mas também espero que tudo isso, tão horrível, passe. Que logo seja encontrada uma solução e que voltemos à vida normal. Pelo que me dizem meus amigos médicos, é trágico, muito triste", analisou.

A crise veio em meio à divulgação de "Sergio", que foi lançado no Festival de Sundance. "Como se promove um filme e como se diz para que as pessoas vejam algo quando o mundo inteiro está preocupado com a saúde? É muito difícil lidar com todas estas notícias", desabafou.

"Sergio" aborda a vida de Sergio Vieira de Mello, diplomata brasileiro que trabalhou durante décadas para a ONU na resolução de conflitos em países como Camboja e Timor-Leste, e que morreu em um atentado no Iraque em 2003, quando era o alto comissário das Nações Unidas para os Direiros Humanos.

"Apesar da tragédia e da tristeza, penso que é uma história positiva, de amor. Fala sobre um homem incrível, que dedicou a vida à busca da paz e do entendimento, colocando-se em situações de risco, em lugares de conflito muito complicados", destacou Ana de Armas.

No longa, ela interpreta a argentina Carolina Larriera, uma economista que abandonou Wall Street para se dedicar ao trabalho humanitário, e que encontrou no diplomata brasileiro sua alma gêmea.

"Conheci Carolina quando filmamos no Brasil. Foi de surpresa, não sabíamos que ela viria. Quando nos sentamos para conversar, ela nos contou muitas histórias dos dois juntos, do amor deles, de como se conheceram, de como foi o atentado para ela. Você percebe que ainda é algo muito recente para ela, que ainda sente muita dor e sofre por aquilo", lembrou a atriz

"A personagem dela me pareceu muito interessante, porque, além de ter sobrevivido ao ataque, teve que seguir em frente depois de perder o amor de sua vida", acrescentou.

O filme também aborda a combinação entre o difícil trabalho humanitário e os momentos íntimos do casal, ponto em que se sobressai a química entre entre a atriz e Wagner Moura. "Não ensaiamos nada, na verdade. Foi uma coisa imediata, nos conectamos de cara", revelou.

Segundo a atriz, "Sergio" fala de "gente que colocou as próprias vidas no fogo cruzado por uma causa muito maior que todas as outras: a paz e a igualdade".

"Também mostra que o trabalho diplomático não é fácil. Essas pessoas arriscam as vidas todos os dias, lidam com presidentes, revolucionários, criminosos de guerra. Não é uma reunião na qual apertam as mãos e chegam a um acordo. Não é assim. São conflitos de muitos interesses e muito poder que às vezes chegam a um resultado positivo, mas outras vezes, não", explicou.