Em espanhol e em preto e branco, "Roma" está perto de fazer história no Oscar
Um projeto pessoal do mexicano Alfonso Cuarón pode mudar hoje a história de Hollywood: em 90 anos de premiação do Oscar, nenhuma produção falada em um idioma diferente do inglês venceu a principal categoria, a de melhor filme.
E "Roma", um filme independente, em preto e branco, falado em espanhol e um dialeto indígena, tem grandes chances de romper a tradição quase centenária.
Outros 10 filmes "estrangeiros" como "A Vida é Bela" e "O Tigre e o Dragão" foram indicados na categoria de melhor filme, mas nenhum deles conseguiu a vitória.
Por este motivo, embora muitos analistas apontem o filme de Cuarón como favorito é preciso esperar até a abertura do envelope ao final da longa cerimônia.
Os prêmios dos sindicatos servem de termômetro para a cerimônia da Academia e por este motivo parece muito claro que Glenn Close deve ser a vitoriosa como melhor atriz por "A Esposa", enquanto Mahershala Ali ("Green Book") e Reginal King ("Se a Rua Beale Falasse") devem triunfar entre os coadjuvantes.
Outras categorias apontadas como praticamente definidas são a de melhor diretor para Cuarón e de filme em língua estrangeira para "Roma".
Mas na categoria de melhor filme resta a incógnita.
"Green Book", em que Ali interpreta o pianista negro Don Shirley e que conta a viagem que ele fez com o motorista branco Tony "Lip" Vallelonga (Viggo Mortensen) pelo sul dos Estados Unidos na época da segregação, também é considerado favorito.
Os prognósticos mencionam apenas estas duas produções, mas, de novo, é necessário esperar o envelope.
"Pantera Negra", "Infiltrado na Klan", "Bohemian Rhapsody", "A Favorita", "Nasce uma Estrela" e "Vice" também disputam o prêmio de melhor filme.
Muitos críticos de "Roma" buscam na verdade frear o avanço da Netflix, afirmam analistas.
A gigante do streaming, que disputa pela primeira vez as principais categorias do Oscar, é criticada pelos estúdios tradicionais por privilegiar a distribuição na internet, com exibições muito limitadas nas salas de cinema.
"'Roma' poderia estar à frente sem importar quem é a distribuidora", afirmou à AFP Peter Debruge, crítico da revista Variety.
"Mas a Netflix foi a empresa que apostou, que arriscou com este filme".
Na disputa pela estatueta de melhor ator a interpretação de Rami Malek como Freddie Mercury, líder do Queen, em "Bohemian Rhapsody" parece ter mais chances que a transformação de Christian Bale em "Vice".
A organização desta edição do Oscar enfrentou diversos fiascos, que incluem ideias como a criação de uma ambígua categoria de filme popular ou o anúncio de categorias importantes durante intervalos comerciais, ambas abortadas após fortes críticas.
A premiação não terá um apresentador pela primeira vez desde 1989, depois que o comediante Kevin Hart desistiu do papel por recusar-se a pedir desculpas por tuítes homofóbicos que publicou há vários anos.
A última cerimônia sem apresentador é recordada pelo desastroso dueto musical entre Rob Lowe e a personagem Branca de Neve durante a abertura da premiação.
2 Comentários
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Torcendo muito contra Remi Malek que fez uma caricatura ridícula de Fred Mercury em Bohemian Rhapsody. Muito constrangedor ver a tentativa de imitar as performances poderosas de Mercury com trejeitos mal coreografados e aquela dentadura esquisita. Mas... Nunca se sabe.
Christian Balé deveria ganhar.