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"Shoplifters" vence Palma de Ouro em Cannes; Spike Lee ganha Prêmio do Júri

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"Shoplifters" do diretor Hirokazu Kore-eda é o grande vencedor do Festival de Cannes Imagem: REUTERS/Eric Gaillard

19/05/2018 16h10

O consagrado diretor japonês Hirokazu Kore-Eda conquistou neste sábado (19) a Palma de Ouro do Festival de Cannes por "Shoplifters", uma crônica familiar onde cada membro esconde seus segredos. Kore-eda era um dos nomes que aparecia entre os favoritos graças a mais um comovente drama de uma família simples que se dedica a roubar lojas.

A surpresa veio mesmo na segunda maior honraria do festival. O diretor americano Spike Lee levou o Grande Prêmio do Júri, pela comédia "BlacKkKlansman", que conta a história de um policial que se infiltrou no movimento racista Ku Klux Klan nos anos 1970. A alegoria contra o racismo e contra Donald Trump caiu nas graças do festival e atraiu aplausos durante e após sua exibição.

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Cineasta americano Spike Lee vence o Prêmio do Júri em Cannes Imagem: REUTERS/Regis Duvignau

Entre as surpresas da noite está a Palma de Ouro especial que o júri presidido por Cate Blanchett concedeu ao cineasta franco-suíço Jean-Luc Goddard. Os demais prêmios, no entanto, foram mais previsíveis.

A libanesa Nadine Labaki ganhou o Grande Prêmio por "Cafarnaum", uma história cativante de duas crianças que sobrevivem nas ruas de Beirute. A obra era tida como uma das favoritas na disputa e conta a história de um garoto que move um processo contra os próprios pais.

O italiano Marcello Fonte recebeu o prêmio de melhor ator pela espetacular atuação em "Dogman", de Matteo Garrone. O prêmio de melhor atriz foi para a cazaque Samal Yeslyamova, pela atuação em "Ayka".

O polonês Pawel Palikowski venceu o prêmio de melhor direção com "Cold War", enquanto a italiana Alice Rohrwacher, por "Lazzaro Felice", e o iraniano Nader Saeivar, por "Trois Visages", dividiram o prêmio de melhor roteiro.

Um filme sobre o massacre de uma família na Faixa de Gaza durante uma operação do exército israelense venceu o Olho de Ouro, que premia o melhor documentário da competição. "Samouni Road", do italiano Stefano  Savona, recorre à animação para reconstituir as cenas mais duras e dar vida aos desaparecidos, 29 membros de uma família.

Weinstein nunca mais

A cerimônia também foi marcada pela questão do assédio e da participação feminina no cinema. A atriz e diretora italiana Asia Argento, a primeira a denunciar oficialmente Harvey Weinstein, disse no palco que foi estuprada pelo produtor, que nunca mais será bem recebido no Festival de Cannes.

"Em 1997 fui violada aqui em Cannes por Harvey Weinstein. Eu tinha 21 anos. Este festival era seu local de caça. Quero fazer uma previsão: Harvey Weinstein nunca mais será bem-vindo aqui. Ele viverá em desgraça, esnobada pela comunidade cinematográfica que uma vez encobriu seus crimes” disse Argento no encerramento da 71ª edição do festival. 

Argento ainda criticou outros homens quase safaram de acusações: “Sentados entre vocês, há aqueles que ainda precisam ser responsabilizados por suas condutas contra mulheres. Vocês sabem quem são. E mais importante, nós sabemos quem vocês são. E não permitiremos que isso fique assim por mais tempo.”

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Diretores João Salaviza e Renee Nader Messora posam com integrantes do elenco de "Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos", Henrique Ihjac Kraho e Raene Koto Kraho. Imagem: REUTERS/Jean-Paul Pelissier
Brasil ganha três prêmios

Sem participar da competição oficial neste ano, o Brasil marcou presença em obras que têm o país como um dos coprodutores. O filme “Chuva É Cantoria na Aleia dos Morto”, da brasileira Renée Nader Messora e do português João Salaviza, levou o grande prêmio do júri na seção Um Certo Olhar.

A produção acompanha a jornada espiritual de um jovem da etnia krahô e contou com os membros da comunidade, interpretando eles mesmos e falando em seu próprio idioma. A equipe do filme aproveitou o tapete vermelho do festival para denunciar o "genocídio indígena" no Brasil, com cartazes em vários idiomas.

“Border”, do diretor iraniano-dinamarquês Ali Abassi, ficou como o principal prêmio da mostra. O prêmio Câmera de Ouro, dedicado a filmes de diretores estreantes, foi para Lukas Dhont com “Girl”.

Outra coprodução brasileira levou o principal prêmio na mostra paralela Semana da Crítica. “Diamantino”, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, um jogador de futebol inspirado em Cristiano Ronaldo.

Já o curta nacional “O Órfão”, de Carolina Markowicz, sobre um adolescente adotado que é devolvido ao orfanato por ser afeminado, ganhou a Queer Palm, prêmio dedicado a produções com temática LGBT.

Na seção Quinzena dos Realizadores, “Los Silencios”, da brasileira Beatriz Seigner, perdeu o prêmio principal para “Climax”, épico erótico dirigido pelo polêmico diretor franco-argentino Gaspar Noé.

Com informações da EFE

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