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Spike Lee retorna a Cannes após 27 anos com "BlacKKKlansman"

Stephane Mahe/Reuters
O diretor e produtor Spike Lee volta a Cannes com o filme "BlacKkKlansman" Imagem: Stephane Mahe/Reuters

De Cannes (França)

15/05/2018 09h59

Vinte e sete anos depois, Spike Lee fez seu retorno na segunda-feira à noite no Festival de Cannes com "BlacKKKlansman", um thriller panfletário contra o racismo, a extrema-direita e o presidente Donald Trump, que ele atacou durante uma coletiva de imprensa.

Baseado na história verídica de um oficial de polícia afro-americano que se infiltrou na Ku Klux Klan, o filme de Spike Lee, ausente do Festival de Cinema de Cannes desde "Febre da Selva" em 1991, alterna por duas horas entre suspense clássico e filme político, terminando com a denúncia dos acontecimentos em Charlottesville, cidade da Virgínia abalada pela violência de grupos de extrema-direita em 12 de agosto de 2017.

Para concluir seu discurso, o diretor do Brooklyn deu um salto de 50 com as imagens de Charlottesville e especialmente os poucos segundos em que o carro de um neonazista atinge deliberadamente ativistas da luta contra o racismo. As imagens, registradas por algumas pessoas no local, mostram a morte ao vivo de Heather Heyer, de 32 anos, atropelada pelo motorista.

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O filme recebeu muitos aplausos do público presente no Grand Théâtre Lumière, diante de um Spike Lee com uma boina preta e vestindo uma jaqueta com folhas douradas, exibindo dois socos-ingleses com as palavras LOVE e HATE.

O mesmo Spike Lee se entregou a um discurso contundente contra o presidente Trump nesta terça-feira diante dos repórteres.

A morte de Heather Heyer "foi um assassinato", insistiu o diretor: "E nós temos um cara na Casa Branca, eu nem vou pronunciar o maldito nome dele, que, nesse momento decisivo, poderia ter escolhido o amor contra o ódio. Mas esse filho da puta não denunciou a porra da Klan, o alt-right (movimento de extrema-direita) e esses filhos da puta nazistas".

"Mas o que eu gostaria de dizer", continuou Spike Lee, "é que essa besteira de extrema-direita não acontece apenas nos Estados Unidos, está em todo lugar do mundo, e não podemos permanecer em silêncio, devemos acordar".

E voltando ao presidente Trump, ainda sem citá-lo: "Esse cara na Casa Branca, ele tem o código nuclear, (...) não é ficção científica, esse filho da puta tem o código nuclear, mas o que está acontecendo?", completou, convencido, com este filme, de estar "do lado certo da história".

Em "BlacKkKlansman", o diretor mostra Ron Stallworth, um policial negro de Colorado Springs, interpretado por John David Washington, filho de Denzel Washington, o "Malcolm X" de Spike Lee em 1992. Sua ideia: infiltrar-se na KKK. Mas quando se trata de entrar fisicamente no local do Klan, ele precisa de uma cobertura: entra em cena seu colega Flip Zimmerman (Adam Driver), branco e judeu.

A dupla está muito bem e faz com que o filme muitas vezes transborde para a comédia pura.

Quanto a parte política, o diretor de "Faça a coisa certa" ou "Ela quer tudo" desenha um paralelo entre o líder da KKK e o novo presidente americano. David Duke quer "fazer a América grande de novo"? É difícil não pensar no slogan de campanha de Donald Trump, "Make America Great Again".

Na última imagem do filme aparece uma bandeira americana com as estrelas de cabeça para baixo. Spike Lee definitivamente não esconde seu jogo.

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