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Chico Barney

Até Maurício de Sousa esculacha "Liga da Justiça" em novo gibi

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Capa do gibi "Batmenino vs Super-Home" Imagem: Reprodução
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

12/12/2017 16h44

Fui acusado recentemente de ser um ignorante quando o assunto é quadrinhos, graças a minha isenta e equilibrada resenha sobre o filme da "Liga da Justiça". Aproveitei a oportunidade para conhecer uma miríade de ofensas que jamais havia suspeitado existirem.

Mas creio que a fúria direcionada a mim seja injustificada. O que me acalmou foi ler a revista "Clássicos do Cinema" de número 58, preparada pela Maurício de Sousa Produções e publicada pela Panini Comics, que traz uma paródia da Turma da Mônica ao estapafúrdio "Batman vs  Superman: A Origem da Justiça" (2016). O gibi é um verdadeiro esculacho para cima do universo cinematográfico da DC. E ninguém vai ousar dizer que Maurício de Sousa e sua valorosa equipe não manjam nada sobre quadrinhos, imagino eu.

Com a certeza de que estou no lado certo da história, aproveito para recomendar a divertidíssima edição. Se alguns consideraram o teor de minha crítica ácido demais, creio que ficarão com dor de estômago ao ler a aventura do Batmenino (Cebolinha) contra Super-Home (Chico Bento).

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Talvez um breve preâmbulo se prove necessário. Há décadas que as paródias são uma das forças motrizes dos quadrinhos brasileiros. O mais célebre produto dessa estirpe foi o gibi dos Trapalhões, em suas duas encarnações mais relevantes, trazendo sempre comentários picantes sobre a cultura popular dos anos 80 e 90.

Desde o esvaziamento da produção nacional da Editora Abril, são os estúdios da MSP que vêm mantendo a chama acesa. A Turma da Mônica hoje chancela duas publicações pisando nos calos de Hollywood: a supracitada "Clássicos do Cinema", trimestral e em formato magazine, e uma versão luxuosa da mesma série, com edições temáticas em capa dura e seleção das melhores histórias.

Como todo bom profissional de humanas, os autores de "Batmenino vs Super-Home" são uns desavergonhados nerds. Conseguiram enfiar em 52 páginas mais referências do que qualquer youtuber antenadão sobre easter eggs de blockbuster. Seria até o caso de haver algum tipo de índice remissivo, explicado cada uma das brincadeiras ao longo da história.

Além de arruinar completamente a (pouca) moral dos filmes da DC, o gibi ainda brinca com a própria cronologia do "Sousaverso", faz acenos à Marvel, Chaves, Tintim e uma infinidade de outras esquinas do universo pop. Claro que apenas os ex-jovens em atividade, entre 30 e 40 anos, serão capazes de pescar tudo, ainda que não sejamos o público primário.

Compartilho com o amigo leitor algumas passagens que me causaram muita alegria.

Superman é um caipira

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A turma do Maurício de Sousa entendeu algo fundamental que escapou completamente à capacidade cognitiva de Zack Snyder: Superman é um caipira. Enquanto o diretor dos blockbusters fracassados retratou o grande herói americano como um E.T.eimoso, aqui encontramos Chico Bento representando muito bem as cidades do interior.

Os trocadilhos nos nomes de personagens

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Faz tempo que nossos quadrinhos desenvolvem um excelente trabalho de esculhambação total e irrestrita. Mas achei essa edição especialmente inspirada. "Chico Bent" é genial!


A infantilidade do roteiro original

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Os dois heróis passam 3 horas fechando porrada para fazer as pazes ao descobrirem que suas mães tem o mesmo nome. O ridículo da situação em "Batman vs Superman" é exposto como uma obra de arte no gibi.

A infantilidade do roteiro original (II)

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Batmenino demonstra como a embalagem "dark e verossímil" do universo DC nos cinemas é frágil ao nos lembrar que bravatas ridículas como "você sangra?" soa tão aparvalhado quanto "cueca é por dentro da calça". O sumiço das roupas de baixo por cima do look dos heróis demonstra que os austeros profissionais responsáveis pela Liga da Justiça são inseguros como os pré-adolescentes que consomem suas bugigangas.

Zé Lelé como Lex Luthor

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Muito se falou sobre os problemas de casting de Lex Luthor. Jesse Eisenberg errou feio na interpretação do empresário / cientista / psicopata. E ninguém melhor para ilustrar essa confusão generalizada do que Zé Lelé para viver tão deprimente papel.

Politicamente correto

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Não pega bem desenhar armas em gibis infantis, aparentemente. Mas o gibi consegue resolver de maneira duplamente estapafúrdia: colocar tarjas pretas para "censurar" os trabucos e usar isso como crítica à própria solução criativa.

Um afago para os esquisitões com mais de 30 anos que ainda compram gibizinhos

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Faça um teste: mostre essa página para aquele seu sobrinho de 10 ou 12 anos. Veja quantos personagens ele será capaz de identificar. Pindarolas, é muito provável que nem o Cebolinha ele acerte.

Resumindo, trata-se de mais um golaço da Maurício de Sousa Produções. Com sua trajetória de tanto sucesso, podemos até dizer que a MSP é a Marvel brasileira.

No mais, por enquanto é isso.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.