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Mário Frias roqueiro: um mergulho no "pop boladão" do secretário de Cultura

Mário Frias nos tempos do rock - Divulgação
Mário Frias nos tempos do rock Imagem: Divulgação

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

24/06/2020 04h00

Além de ator, modelo, apresentador e desde ontem oficialmente político, o novo secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro, Mário Frias, também tem um lado músico. E ele não deixou esse talento enclausurado nas paredes de seu quarto na adolescência. O Brasil conheceu o trabalho dele em uma banda de relativo —bastante relativo— sucesso nos anos 2000, quando ainda colhia louros como galã de novelas da Globo e Bandeirantes.

Estamos falando do Zona Zero

Sim! Esse era o nome do grupo de Frias, que liderava como vocalista, guitarrista base e compositor. É até surreal lembrar disso hoje, mas cabe lembrar: até a década de 2000, se você fosse famoso e quisesse se lançar na música, não havia muita opção além de montar uma banda de pop rock. O estilo bombava nas rádios e TVs da era pré-streaming.

Foto da banda Zona Zero, do ator Mário Frias - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Como era banda

Além do futuro secretário —foi nessa época que ele viveu o deputado Thomas Jefferson em "Senhora do Destino"—, o Zona Zero trazia Áureo Gandur (guitarra), Tomaz Lins (baixo) e Guiga (Bateria). Foi formado no início de 2004 e, com os contatinhos do ator, não tardou a assinar com uma grande gravadora, a Universal. Pouco depois, o grupo lançou um CD, intitulado "Alta Conexão".

Frias meninão

O repertório do Zona Zero consistia basicamente em músicas alegres, com letras de conteúdo adolescente e juvenil. Nada de falar de política. A sonoridade misturava LS Jack, B5 e a Vagabanda da "Malhação", com riffs de inspiração oitentista. Essa mistura rendeu músicas como "Queda Livre" —o grande hit—, "Só por Um Dia" e "Saber que Não Sei Mais". Frias, que já havia passado dos 30, seguia a linha vocalista-meninão-playsson, sintetizada na figura do colega Felipe Dylon.

Mário Frias - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Surgiram tão rápido quanto sumiram

Enquanto esteve na ativa com seu estilo jovem, o Zona Zero participou de vários programas de TV e eventos entre 2004 e 2006, principalmente no Rio e São Paulo. Entre eles, o antigo festival Sintonia, quando abriu para a banda Cachorro Grande com participação de Lobão. A banda realizou uma miniturnê, mas logo saiu de cena tão rapidamente quanto apareceu. Mas a internet vez o favor de resgatar seu legado.

E onde estão essas músicas?

Há pouco material do Zona Zero disponível. E a maior parte dele está em vídeos de qualidade questionável no YouTube. Quase todos são da música "Queda Livre", que ganhou clipe "good vibes" com showzinho e chegou a tocar nas rádios e MTV da época.

Vou jogar tudo pro alto
Vou deixar acontecer
Ter coragem dar um salto
Em queda livre por você

Refrão de "Queda Livre"

Por incrível que pareça, há quem ainda seja fã e tenha saudade da época

Muita nostalgia essa música, mano. Há uns 12 anos, eu escutava muito. Saudades dessa época. Tinha umas músicas da hora no Brasil
Internauta Bruno Souza, em comentário do vídeo

E não era só Bruno Souza que acompanhava o Zona Zero, O grupo chegou a se apresentar numa temporada de verão no 'Caldeirão do Huck'

Aqui, uma palinha de como era um show ao vivo

E, abaixo, eles se apresentam em uma boate em Nova Friburgo (RJ)

No vídeo a seguir, gravado no shopping Tijuca em 2008, Mário Frias toca uma versão descontraída de "Pescador de Ilusões", do Rappa, mas não sabemos se ele ainda estava no Zona Zero

Curiosidade número 1

A capa do CD "Alta Conexão" exibe o logotipo do grupo, um Z duplo estilizado, e uma foto das mãos dos quatro integrantes unidas. O conceito remete ao de álbuns como "Ten", do Pearl Jam, e "Keep the Faith", do Bon Jovi. O incrível é que, apesar de não constar no streaming, o CD ainda está em catálogo e pode ser comprado fisicamente em sites como Amazon, Submarino e Americanas.

Capa do CD do Zona Zero - Divulgação - Divulgação
Capa do CD do Zona Zero
Imagem: Divulgação

Curiosidade número 2

Mário Frias já visitou o UOL ao lado dos colegas para divulgar o grupo em 2005. Na ocasião, ele participou do antigo Bate-papo UOL, que convidava famosos para conversar em tempo real com internautas.

Escrevendo em internetês, com alguns erros de português, o ator/cantor revelou que tocava em bandas desde cedo e que sempre foi fã de Legião Urbana, Barão Vermelho e, posteriormente, de Muse e Placebo.

Um "pingue-pongue" com o Mário Frias pop roqueiro de 2005

Qual a diferença entre ser ator e cantor?

Basicamente, a parte artística se completa. O que muda é a forma de expressão, que no caso agora é a música

Qual é o estilo do Zona Zero?

A gente cansou desse papo de procurar uma definição para o que a gente faz. Tenho um amigo que diz que a gente faz um 'POP BOLADÃO'

O que você gosta de ouvir em casa?

Sou da geração de 80. Cresci ouvindo Legião e Barão, mas sou um cara que está sempre em busca do novo. Então busco sempre coisas novas

Você pretende gravar músicas com cantores famosos em seu CD, como Ivete Sangalo?

Acho que trabalho de banda é algo muito particular, pois somos quatro e todos queremos colocar algo de nós. Acho que nunca passou pela cabeça de nenhum de nós [fazer parceria]

Você acha que está alcançando seus ideais. Ou quer ainda mais?

Acho que a gente sempre precisa de desafios. Acho que estou tentando realizar um sonho que é de muitas pessoas. Só de estar lutando já é gratificante. Mas, se Deus permitir, ainda tenho muitos sonhos

Ser político, provavelmente, não estava nos planos. Se ele soubesse o que aconteceria...

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